Encenador Carlos Avilez estreia peça de Lorca que o seduziu para o teatro nos 55 anos do TEC

“Yerma”, de Lorca, peça que levou o encenador Carlos Avilez a concretizar o “sonho de sempre” de se dedicar ao teatro, foi a escolhida para assinalar, a partir de sexta-feira, os 55 anos do Teatro Experimental de Cascais.

Encenador Carlos Avilez estreia peça de Lorca que o seduziu para o teatro nos 55 anos do TEC

Encenador Carlos Avilez estreia peça de Lorca que o seduziu para o teatro nos 55 anos do TEC

“Yerma”, de Lorca, peça que levou o encenador Carlos Avilez a concretizar o “sonho de sempre” de se dedicar ao teatro, foi a escolhida para assinalar, a partir de sexta-feira, os 55 anos do Teatro Experimental de Cascais.

Federico García Lorca é, aliás, um dos autores “que mais apaixona” Carlos Avilez, como o próprio disse em entrevista à agência Lusa, sobre a produção que o TEC vai estrear no Teatro Municipal Mirita Casimiro, no Monte Estoril.

“Apaixonado de sempre” pela obra do dramaturgo espanhol, o diretor do TEC, companhia que fundou e dirige em Cascais desde 1965, teve em “Yerma” “o ponto de partida” para concretizar o seu sonho de sempre”: “Ir para o teatro”.

Esta foi a peça a que assistiu, em 1955, “ainda muito jovem”, no Teatro da Trindade, protagonizada “de forma espetacular” por Maria Lalande (1913-1968) que fez com que escrevesse uma carta à atriz na qual manifestava o “sonho de ir para o teatro”.

Carta a que a atriz respondeu, convidando-o para ir a sua casa.

Na conversa que manteve com Maria Lalande, esta disse-lhe “Se quer ir para o teatro, porque não vai? Se quer ir, vá”, revelou Avilez à Lusa.

Estava dado o ‘tiro de partida’ para a carreira iniciada, um ano depois, como ator, na companhia Amélia Rey Colaço — Robles Monteiro, onde permaneceu sete anos, durante os quais escreveu e dirigiu peças na Sociedade de Instrução Guilherme Cossul, em Lisboa.

Foi a conselho de “D. Amélia Rey Colaço”, como ficou conhecida esta atriz e encenadora portuguesa (1898-1990), que Carlos Avilez se estreou na encenação, em 1963, com “A Castro”, na Guilherme Cossul, ainda antes da estreia profissional no Teatro Experimental do Porto (TEP).

A estreia de Carlos Avilez na encenação de textos de García Lorca data de 1964, quando dirigia o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), e pôs em palco “Bodas de Sangue”, com música de Carlos Paredes, obra que viria a repor, anos mais tarde, já como diretor do TEC.

“O amor” pelo autor andaluz levou-o a pôr em palco vários textos do autor de “O Poeta em Nova Iorque” e “Romanceiro Gitano”, como “A casa de Bernarda Alba”.

E, agora, como não encenava García Lorca desde 1999, quando transpôs para o palco o texto de Maria do Céu Ricardo sobre o autor que foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil de Espanha (1936-39), decidiu que “era tempo de voltar ao autor que o levara para o palco”.

“Face aos tempos incertos que se vivem, com esta pandemia horrível, nada melhor que voltar ao Lorca” para assinalar “anos repletos de teatro”, com os parceiros de companhia sem os quais talvez “não fosse possível viver a vida”, observou.

Mesmo com angústias, há que “continuar a apostar nos jovens”, afirmou. E nada melhor que fazê-lo com alguns dos que tem formado na Escola Profissional de Teatro, que dirige desde que foi fundada, em 2004, indicou Avilez.

Por isso, escolheu Sara Matos para protagonizar esta peça de 1934 (dois anos antes de Lorca morrer), por também ela se ter iniciado naquela Escola.

Carlos Avilez estreou-se profissionalmente na encenação com “Uma carta perdida”, do dramaturgo e contista romeno Ion Luca Caragiale (1852-1912), pelo Teatro Experimental do Porto, em 28 de novembro de 1963.

“A las cinco de la tarde” é como Carlos Avilez remete para “Yerma”, usando a expressão que se tornou de homenagem a Lorca, a partir dos versos do “Pranto por Ignácio Sánchez Mejías”

De algum modo, “Yerma” é também um poema dramático cuja ação gira em torno de uma mulher que não consegue conceber um filho, e que procura, de todas as formas, engravidar perante a indiferença do marido, Juan, que não mostra qualquer interesse em compartilhar a angústia de Yerma.

À semelhança do que acontecera em “Lorca, Federico”, Carlos Avilez voltará a ter colaboração do guitarrista e compositor Pedro Joia, que assina a música de cena e a interpretará ao vivo.

No palco do Mirita Casimiro, para 23 sessões, “Yerma” é a terceira produção desta temporada do TEC, e tem versão e dramaturgia de Miguel Graça.

Além de atores que, segundo Carlos Avilez, já “fazem parte da história do TEC”, como Renato Godinho, Rita Calçada Bastos e Rodrigo Tomás, estão também entre os intérpretes Beatriz Domingues, Damian Jacob, Francisco Monteiro Lopes, Hugo Narciso, João Pecegueiro, Luiz Rizo, Marco Sá Pedroso, Nuno Perestrelo, Renato Pino, Rita Silvestre, Rodrigo Cachucho, Sérgio Silva, Susana Luz e Teresa Côrte-Real.

Com cenografia e figurinos de Fernando Alvarez, a peça conta ainda com coreografia do bailarino de flamenco João Lara, que também a dançará.

“Yerma” está em cena até 13 de dezembro, com espetáculos de quarta a sexta-feira, às 20:45, devido ao recolher obrigatório decretado pelo Governo, entre as 23:00 e as 05:00, nos dias de semana, até ao próximo dia 23. Foram anuladas as sessões previstas para os fins de semana de 14 e 15 e de 21 e 22 de novembro.

CP // MAG

By Impala News / Lusa

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