Eleições europeias: As reacções dos partidos aos resultados

Cabeças-de-lista e membros dos partidos portugueses vão reagindo aos resultados das eleições europeias

Eleições europeias: As reacções dos partidos aos resultados

Eleições europeias: As reacções dos partidos aos resultados

Cabeças-de-lista e membros dos partidos portugueses vão reagindo aos resultados das eleições europeias

O PS foi o partido mais votado pelos portugueses nas eleições europeias. O PSD ficou em segundo lugar e o BE afirma -se como terceira força política. A CDU e o CDS foram os maiores derrotados e o PAN é grande surpresa da noite, elegendo um deputado para o Parlamento Europeu pela primeira vez e tornando-se no sexto partido mais votado. A abstenção está nos 69%.

António Costa agradece aos que “escolheram de forma tão expressiva, clara e inequívoca votar no PS”

 O secretário-geral do PS, António Costa, agradeceu hoje aos portugueses que decidiram votar nos socialistas de forma tão “expressiva, clara e inequívoca” nas eleições europeias e elogiou o cabeça de lista do partido, Pedro Marques.

António Costa falava perante duas centenas de militantes na conferência de imprensa final no Hotel Altis, em Lisboa, tendo ao seu lado Pedro Marques. O secretário-geral socialista agradeceu aos que “escolheram de forma tão expressiva, clara e inequívoca votar no PS nestas eleições”, acrescentando sentir este resultado como um “voto de confiança” no partido.

Rangel assume que PSD falhou

“O partido não alcançou o objetivo que fixou para si próprio, mas aumentou o seu peso eleitoral — fomos em coligação [em 2014] — mas esse aumento não se traduz na eleição de mais um eurodeputado”, afirmou Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas, nas quais felicitou o PS pela vitória nas europeias.

O eurodeputado salientou que o partido tinha fixado como primeiro objetivo vencer as eleições, e, se tal não fosse possível, “não apenas subir do patamar de 2014”, objetivo que considerou “atingido”, mas também “garantir mais eurodeputados”. Há cinco anos, o PSD, em coligação com o CDS-PP, conseguiu 27,7% dos votos, e elegeu seis eurodeputados (mais um para os democratas-cristãos), numa lista também liderada por Paulo Rangel.

Rio Rui também não esconde que PSD falhou mas não equaciona abandonar liderança

“Claro que tenho condições para levar o partido a um bom resultado (…). Estamos a falar de alguém que anda há 61 anos na vida pública. Eu não abandono, eu assumo as minhas responsabilidades”, afirmou, em declarações dos jornalistas, dizendo que “só se estivesse completamente farto” é que aproveitava este resultado para deixar a liderança do PSD. A meta do partido para as legislativas, reiterou, “é ganhar as eleições, como é lógico”.

Sobre as consequências do resultado das europeias para as legislativas de outubro, Rio defendeu que são “eleições completamente diferentes” e que a taxa de abstenção próxima dos 70% dificulta qualquer leitura.

Questionado se não teme nova onda de contestação interna, Rio disse esperar que tal não aconteça. “Se vou ter o partido comigo? Eu acredito que sim, mas não sou eu que determino isso. Se já foi difícil andar um ano com turbulência interna e chegar a eleições assim, como não será chegar a outubro se decidirem fazer a mesma coisa”, avisou, com as suas respostas sempre aplaudidas pela sala, com gritos de “Rio vai em frente tens aqui a tua gente”.

“Não atingimos os objetivos pretendidos nesta eleição. Não vale a pena estar com floreados a tentar ler números onde eles não existem”, afirmou, defendendo que “o primeiro passo para amanhã as coisas correrem melhor, é reconhecer os erros de hoje”.

Questionado sobre de quem é a responsabilidade por esta derrota, Rio atribuiu-a, em primeiro lugar, “ao PSD como um todo”. “A responsabilidade é do PSD como um todo. O doutor Paulo Rangel, como cabeça de lista, teve um pouco mais e eu também porque sou líder do partido”, afirmou.

O presidente do PSD recordou que os objetivos traçados passavam por vencer as eleições ou, pelo menos, subir “o suficiente” para eleger mais um eurodeputado em relação aos seis de 2014. “Poderíamos ter estabelecido um terceiro que era apenas subir, não o estabelecemos porque seria fraco”, justificou.

“Ou o PSD chega a outubro em condições de ser uma alternativa ao PS ou não há uma alternativa ao PS, só o PSD pode ser alternativa ao PS”, disse, considerando que os portugueses precisam de escolher entre “um projeto claramente à esquerda” e outro “ao centro com ligações à direita”. “É a partir deste ato eleitoral que devemos apreender para fazer melhor daqui a quatro meses”, afirmou.

Rio deixou um agradecimento especial ao cabeça de lista Paulo Rangel e ao sétimo candidato, Carlos Coelho, que deverá ficar fora do Parlamento Europeu, com os resultados provisórios a apontarem para a manutenção de seis eurodeputados sociais-democratas.

Questionado se parte da derrota pode ser atribuída ao ex-líder parlamentar Luís Montenegro, que em janeiro desafiou a sua liderança, Rio escusou-se a mencionar o nome de quem “foi seu adversário”. “Pareceria que estava a sacudir a água do capote. O líder do partido hoje que não ganhámos as eleições sou eu”, afirmou, acrescentando que nos próximos dias o partido irá analisar “ponderadamente” e sem ser “na praça pública” estes resultados.

Marisa Matias: “Com esta eleição cumprimos todos os objetivos que traçámos”

“Com esta eleição nós cumprimos todos os objetivos que traçámos porque há uma diferença em colocar números – que é uma falta de respeito por quem vota – e ter objetivos”, afirmou.

E os objetivos era sairmos reforçados e sermos a terceira política. Aqui estão e vamos responder às pessoas”, disse Marisa Matias, numa declaração perante uma sala cheia no Teatro Thalia, o quartel-general do BE para esta noite eleitoral.

Questionada pelos jornalistas, Marisa Matias reiterou que o “mapa político à esquerda está a mudar, o BE está a sair reforçado”. “Trabalharemos para que saia ainda mais reforçado e é inegável que houve uma derrota da direita nestas eleições”, acrescentou. A cabeça de lista do BE foi perentória ao afirmar que “não foi o BE que contribui para a abstenção”, uma vez que fez uma campanha a falar dos temas europeus.

Catarina Martins diz que mapa político sai reconfigurado

“Bloco de Esquerda cresceu em percentagem, cresceu em votos e cresceu em todo o território, de norte a sul, do litoral ao interior e é hoje a terceira força política do país. Com mais força, mais capacidade e por isso mesmo com mais responsabilidade”, destacou Catarina Martins num discurso no quartel-general do partido para a noite eleitoral, o Teatro Thalia, em Lisboa, onde falou de um “extraordinário resultado” do partido.

Na perspetiva da líder bloquista, a “derrota da direita” é “um sinal claro” de que o país percebe que a “disputa política está nos projetos que a esquerda tenha capacidade para apresentar”.

“E é por isso que estas eleições, como disse e bem a Marisa Matias, reconfiguram o mapa político. O debate está em aberto sobre o emprego, a saúde, as pensões, a habitação, o clima e é a esquerda que vai definir esse debate”, sublinhou.

Assunção Cristas assume derrota do CDS. Nuno Melo diz o “responsável sou eu”

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, assumiu a derrota do partido nas eleições europeias de hoje, afirmando que o resultado ficou “aquém dos objetivos traçados”, por eleger apenas um e não dois eurodeputados.

“Ficámos aquém dos objetivos traçados”, afirmou Assunção Cristas, no fim da noite eleitoral dos centristas, na sede nacional do partido, em Lisboa.

O cabeça de lista do CDS-PP, Nuno Melo, assumiu, pessoalmente, a responsabilidade pelo resultado do partido nas europeias, afirmando que só existe “um responsável”, depois de falhar a eleição do segundo eurodeputado.

“[O resultado] tem um responsável, sou eu”, afirmou Nuno Melo aos jornalistas, na sede nacional do partido, no final da noite eleitoral, na sede nacional do CDS-PP, em Lisboa. O eurodeputado centrista garantiu que foi ele a determinar a meta para as eleições de hoje e concluiu: “Se há alguém a ser julgado sou eu.”

Jerónimo de Sousa diz que resultado foi “particularmente negativo”

Jerónimo de Sousa, no centro de trabalho comunista Vitória, em Lisboa, sublinhou que “as eleições legislativas de outubro próximo serão momento um decisivo” e que “o resultado de hoje deve constituir um sinal de alerta”, embora sem querer fazer futurologia sobre futuros resultados ou eventual repetição da atual posição conjunta assinada com o PS em outubro de 2015.

A CDU tinha obtido há cinco anos o seu segundo melhor resultado de sempre em sufrágios europeus, sendo a terceira força política mais votada, com 12,7%, e três mandatos conquistados. Segundo as projeções e resultados oficiais já conhecidos a CDU vai perder pelo menos um dos lugares em Bruxelas e Estrasburgo, vendo o BE assumir-se como terceira força política mais votada.

“O resultado da CDU não só é particularmente negativo para a defesa dos interesses do povo e do país no Parlamento Europeu, como não corresponde, quer ao ambiente de apoio expresso durante a campanha, quer ao reconhecimento que continuadamente foi feito do trabalho da CDU e da contribuição decisiva de PCP e PEV para o percurso de avanços nas condições de vida alcançados nestes três anos e meio”, disse o líder comunista.

Jerónimo de Sousa vincou que “se as eleições agora realizadas se revestiam de inegável significado, as eleições legislativas de outubro próximo serão um momento decisivo para determinar o rumo da vida política nacional e a vida do povo português nos próximos anos”.

“O resultado de hoje deve constituir um sinal de alerta para todos quantos têm na sua mão o poder de decidir se querem, com o reforço da CDU, fazer avançar o país e suas vidas ou se querem andar para trás e correr o risco de andar para trás e perder o que se conquistou em direitos, salários, pensões e reformas”, continuou.

O líder do PCP afirmou ainda que “ninguém tem dúvidas que, durante meses, campeou a mentira, a difamação, a desvalorização e apoucamento da CDU e da sua campanha, o que teve consequências”, pois tais investidas foram “desferidas por importantes órgãos de comunicação social com os seus comentadores de serviço”, algo que terá provocado “desgaste” e “afastou pessoas, com base nos preconceitos”.

Questionado sobre o facto de o acordo após as legislativas de 2015 com os socialistas ter tido consequências negativas em termos de adesão eleitoral à CDU, Jerónimo de Sousa reconheceu que tal pode ter acontecido com alguns dos cidadãos eleitores. “Quanto a fatores internos, aquilo que podemos dizer, em relação a nova fase da vida política nacional, é que pode ter acontecido que, naturalmente, apesar da iniciativa do PCP e do PEV na Assembleia da República, o PS tenha capitalizado alguma coisa e que muitos portugueses se sentiram aliviados, depois daquele Governo PSD/CDS e todas as malfeitorias que realizou”, afirmou.

Segundo o secretário-geral comunista, “naturalmente, isto pode ter influenciado muitos portugueses que, numa fase de medos, de dramas, de repente ficaram mais aliviados”. Contudo, Jerónimo de Sousa considerou que a “campanha” da CDU foi “extraordinária”, embora “o resultado” seja “negativo”. “Em termos de eleições nada está perdido para todo o sempre”.

A CDU durante 15 anos sempre teve só dois deputados. Temos de reconhecer que é uma dificuldade para a nossa luta, mas não é um resultado eleitoral que abala as nossas convicções e o compromisso de estar com os trabalhadores e o povo seja nas horas boas ou nas horas más”, prometeu.

PAN não é uma “moda” e ganhará cada vez mais voz

“Hoje é uma noite para festejar, uma noite histórica. O PAN não é uma moda. Há cada vez mais pessoas a pensar como nós. Temos dado respostas, ao contrário dos partidos tradicionais”, afirmou André Silva, num discurso para dezenas de militantes, que gritavam “Europan”.

A reação do líder do Pessoas-Animais-Natureza surgiu por volta das 00:10, logo após a confirmação da eleição de um eurodeputado. Num curto discurso, André Silva afirmou que “a religião do PIB [Produto Interno Bruto] não pode estar no centro da discussão”, mas sim questões como a “crise climática”. “Esta noite é a confirmação de um percurso que tem sido feito desde 2011. É uma noite histórica e vamos festejar”, congratulou-se.

Aliança: “Não estamos satisfeitos”, diz Santana Lopes

“Queremos assumir que foi um resultado que ficou aquém daquilo que gostaríamos de ter alcançado, com certeza que sim”, disse o líder da Aliança em declarações aos jornalistas a partir da sede, em Lisboa, ainda antes de começarem a ser divulgados os resultados oficialmente.

“Não estamos satisfeitos, gostávamos de ter eleito uma representação”, acrescentou o presidente do partido, classificando o resultado como “um pouco uma desilusão”, numa noite “com sabor agridoce”.

Apontando que “com certeza que não é uma vitória, não é também um empate”, Santana Lopes salientou que “derrota era se não” tivessem lutado.

Antes, o cabeça de lista da Aliança ao Parlamento Europeu, Paulo Sande, afirmou que o resultado desta noite “não é obviamente” aquele que esperavam, mas “é um resultado dos novos partidos, um resultado digno, um resultado que permite naturalmente lançar as bases do futuro”. “O povo português escolheu e escolheu não mudar, escolheu manter os partidos que já existem”, criticou, apontando que “nos outros países escolheu-se a mudança”, mas Portugal continua “infelizmente a escolher sempre os mesmos”.

Partido Livre: Resultado dá “possibilidade forte” de eleger deputados do Livre nas legislativas

Admitindo que os resultados “à boca das urnas” não vão permitir ao Livre eleger deputados para o Parlamento Europeu (PE), Rui Tavares afirmou que as indicações provisórias “são muito encorajadoras para as legislativas de outubro”. “A prosseguirem desta forma, claramente existe a possibilidade forte de eleger, em outubro, não só um deputado, como, provavelmente dois, no distrito de Lisboa”, indicou o primeiro candidato do Livre, uma vez que “as eleições estão aí à porta”.

O também fundador do Livre salientou que “há uma perceção geral de que o Livre trouxe a Europa” às eleições europeias, mas que “se voltou a verificar, de um ponto de vista mais superficial”, que os partidos que “elegeram para o PE são os mesmos que estão na Assembleia da República”.

“Esse é um problema que esperamos resolver em outubro”, frisou. Rui Tavares admitiu também “alguma resistência” em comentar as projeções televisivas que preveem uma abstenção entre 65% e 70,5%.

“Detesto a hipocrisia dos partidos do sistema que não falam de abstenção durante cinco anos seguidos e depois falam de abstenção dando umas palavras absolutamente de rotina”, explicou o candidato, acrescentando que a abstenção “é um tema para se tratar durante todo o tempo de uma legislatura”.

Para o cabeça de lista do Livre, combater a abstenção faz-se “dando informação, para o bem e para o mal” sobre qual a influência da União Europeia em Portugal. “Os partidos que vemos chorar lágrimas de crocodilo sobre a abstenção são os partidos que não falaram sobre a Europa na campanha eleitoral e que só falaram quando, a certa altura, o facto de não falarem [sobre temas europeus] gerou escândalo”, concluiu.

André Ventura: “Ganhámos aqui muita força para as eleições legislativas de outubro”

Ficamos aquém do nosso objetivo, que era eleger um eurodeputado, no entanto, atendendo às circunstâncias, ganhámos aqui muita força para as eleições legislativas de outubro e agora é nessas que estamos a concentrar todo o nosso foco e toda a nossa energia”, afirmou André Ventura.

O cabeça de lista da coligação Basta — composta pelo Partido Popular Monárquico (PPM), Partido Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC) e com o apoio do partido Chega e do movimento Democracia 21 -, afirmou que “com uma taxa de abstenção na ordem dos 70%, conseguir cerca de 45 mil votos” é um “elemento extraordinário”.

“Com um mês e meio de existência, sermos a nona força mais votada no país é um enorme orgulho e dá-nos um enorme sentido de responsabilidade”, considerou, acrescentando que a coligação retira “boas lições” desta campanha.

O primeiro candidato pela coligação Basta explicou também que a elevada taxa de abstenção “mostra a tal distância entre os portugueses e os políticos”, além da “dificuldade cada vez maior de passar a mensagem” política.

“É um drama, mas só com novas forças políticas e novas ideias como nós temos feitos é que isso tem sido possível de ser combatido”, vincou. Ventura disse estar convencido de que uma grande parte dos eleitores que votaram na coligação “vieram da abstenção” e que eram pessoas “que nunca antes tinham votado”. O desafio para as legislativas será “ir buscar mais” pessoas à abstenção e “eleger deputados para a Assembleia da República”.

Questionado sobre se o partido Chega se vai candidatar sozinho ou se a coligação se repetirá nas eleições legislativas, André Ventura não deu certezas, mas disse que a possibilidade está em aberto. “O Chega ainda vai ter a sua primeira convenção e aí será definida a estratégia e também o candidato a primeiro-ministro será apresentado pelo Chega e/ou, eventualmente, em coligação”, finalizou.

Marinho e Pinto dá os “parabéns aos animais”

“Parabéns ao Partido Socialista. Parabéns a quem votou no Partido Socialista. Parabéns aos animais, que têm agora um lugar no parlamento. E parabéns ao Bloco de Esquerda”, referiu Marinho e Pinto à agência Lusa.

Marinho e Pinto foi eleito para o Parlamento Europeu, em 2014, pelo Partido da Terra (MPT), tendo abandonado o partido, no mesmo ano, para fundar o PDR. De acordo com o candidato do PDR, estas eleições são uma derrota para o partido, para a Europa, e para o projeto europeu, por causa da elevada abstenção.

“Perdeu o PDR. Perdeu a democracia com a abstenção”, disse, explicando, que, com a renúncia às urnas, “perde a Europa, perde o projeto europeu, com crescimento da extrema-direita como se viu em França — esta noite com a eleição de Marine Le Pen — e na Hungria”.

Sobre o futuro do partido, Marinho e Pinto informou que será feita uma reflexão e só depois falará. “Vai ser de reflexão, e na altura própria o partido falará. Portanto, parabéns a quem venceu e glória a quem perdeu”, disse. Com os resultados apurados, Marinho e Pinto perde o lugar no Parlamento Europeu que ocupava desde 2014, depois de ter sido eleito pelo MPT.

[em atualização]

 

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