Disciplina exclusiva “desvenda” Reserva da Biosfera de Castro Verde a crianças

Desafiados pela professora, alunos da turma B do 3.º ano do Centro Escolar n.º 2 da vila alentejana de Castro Verde agarram logo em lápis e folhas para escreverem ideias de medidas para poupar água.

Disciplina exclusiva

Disciplina exclusiva “desvenda” Reserva da Biosfera de Castro Verde a crianças

Desafiados pela professora, alunos da turma B do 3.º ano do Centro Escolar n.º 2 da vila alentejana de Castro Verde agarram logo em lápis e folhas para escreverem ideias de medidas para poupar água.

Podia ser uma atividade de Estudo do Meio, mas é de uma disciplina exclusiva do Agrupamento de Escolas de Castro Verde, distrito de Beja, que a criou no âmbito do projeto de autonomia e flexibilidade curricular dos ensinos básico e secundário.

“Na nossa disciplina de Biosfera, qual é o tema que temos estado a tratar ultimamente?”, pergunta a professora Bárbara Martins aos alunos, que respondem prontamente em coro: “A seca”.

“A seca, ou seja, a escassez de água, que é um problema que atinge não só Castro Verde, mas todo o nosso Alentejo”, explica, justificando o desafio lançado aos alunos, a maioria com oito anos.

Bárbara Martins conta à agência Lusa que a disciplina foi criada no ano letivo de 2017/2018, quando o agrupamento aderiu ao projeto que permite às escolas criarem disciplinas de currículo local.

O concelho de Castro Verde tinha sido classificado Reserva da Biosfera da UNESCO em junho de 2017 e o agrupamento achou o tema “extremamente interessante” e criou a disciplina com apoio da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), do município e da Associação de Agricultores do Campo Branco.

“Não é qualquer [concelho] que consegue aquilo que Castro Verde conseguiu e tem as características próprias que Castro Verde tem” para ter sido classificado Reserva da Biosfera, frisa.

Por isso, o “grande objetivo” da disciplina é que as crianças conheçam bem as particularidades, tenham “grande orgulho” e sejam “grandes agentes interventivos e embaixadores da terra que os viu nascer”, explica.

Depois de terem passado ideias da cabeça para o papel, alguns alunos leem em voz alta as medidas para poupar água que escreveram.

Simão propõe “não tomar banho de imersão, tomar duche”, Francisca sugere “lavar legumes e frutas numa bacia em vez de lavar na torneira” e Pedro alerta que “enquanto se lava os dentes” deve-se “deixar a torneira fechada”.

Atualmente, explica a professora, a disciplina é ministrada às turmas dos 1.º, 2.º e 3.º anos das escolas do 1.º ciclo do ensino básico do agrupamento.

Para cada ano há um programa com conteúdos específicos e que abrangem três temáticas, nomeadamente paisagem e biodiversidade, costumes e tradições e sustentabilidade e empreendedorismo de Castro Verde.

Assim, é possível “tocar todos os aspetos” da Reserva da Biosfera de Castro Verde, diz à Lusa Rita Alcazar, da LPN, defendendo que é “importante” os alunos começarem “tão pequeninos” a perceber a ligação entre o Homem e a natureza que existe no concelho e permitiu a classificação da UNESCO.

“Os miúdos gostam imenso da disciplina”, porque tem “caráter muito prático e lúdico” e, além de atividades nas escolas, inclui “muitas saídas de campo”, frisa a professora.

Por isso, conta Rita Alcazar, o agrupamento criou o “Passaporte Roteiro da Biosfera”, que propõe visitas e atividades de campo que os alunos devem fazer no concelho para explorar temas da disciplina.

Cada aluno recebe um passaporte no início do 1.º ano, que carimba à medida que vai fazendo as visitas e atividades, explica Rita Alcazar, frisando que os alunos que frequentarem a disciplina vão ter “um conhecimento bastante completo” sobre o que é a Reserva da Biosfera de Castro Verde.

Atualmente, na temática de sustentabilidade e empreendedorismo, os alunos do 3.º ano estão a trabalhar o tema da seca, que “está a afetar o Alentejo e Castro Verde”, explica a professora.

Biosfera é a disciplina preferida dos alunos Simão, Filipe e Guilherme, porque, confessam à Lusa, é “mais divertida” e “diferente” das outras disciplinas.

Nas aulas de Biosfera, “trabalhamos coisas sobre a nossa terra, não precisamos de escrever muito e vamos a outros sítios e não ficamos sempre na sala”, justifica Simão.

Já Filipe sublinha que a disciplina “não tem livros” e nas aulas “não se escreve muito” e Guilherme destaca que os alunos aprendem “coisas sobre os animais”, fazem desenhos, jogos e visitas.

Após a atividade na sala, os alunos saem para visitar a albufeira e a estação de tratamento de água da barragem do Monte da Rocha, que abastece o concelho de Castro Verde.

Guiados por uma técnica, observam o nível da albufeira, que está a menos de 10% da capacidade máxima, devido à seca, e percorrem o circuito do processo de tratamento da água para poder ser distribuída à população.

No final, é retirada de um reservatório e dada a provar em copos de cartão aos alunos água da albufeira já tratada e pronta a consumir e que acaba por servir para fazerem vários brindes, como um à Reserva da Biosfera de Castro Verde.

LL // HB

By Impala News / Lusa

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