Dezenas de milhares de manifestantes desfilam em França em defesa do clima

Milhares de pessoas desfilaram em França para exigir maior ambição ecológica, quando a promessa de Macron de um referendo para consagrar a proteção climática na Constituição parece afastada.

Dezenas de milhares de manifestantes desfilam em França em defesa do clima

Dezenas de milhares de manifestantes desfilam em França em defesa do clima

Milhares de pessoas desfilaram em França para exigir maior ambição ecológica, quando a promessa de Macron de um referendo para consagrar a proteção climática na Constituição parece afastada.

Paris, 09 mai 2021 (Lusa) — Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se hoje em França para exigir maior ambição ecológica, numa altura em que a promessa do Presidente francês de um referendo para consagrar a proteção climática na Constituição parece ter sido afastada.

Um total de 163 marchas organizadas em toda a França reuniram 115.000 pessoas, segundo os organizadores (mais de 45.000 segundo a polícia), incluindo 56.000 em Paris (8.500 segundo a polícia).

“Não estou aqui para salvar o planeta e três tartarugas, estou aqui para salvar os humanos. O Governo deve ter a coragem de impor a transição ecológica”, disse Vanessa, uma artista plástica e membro da Surfrider, uma organização não-governamental (ONG) dedicada à proteção dos oceanos, que desfilou em Paris com um vestido feito de redes de pesca recolhidas na costa sudoeste de França.

“Trata-se de continuar a denunciar a falta de ambição da lei do clima e, desde esta manhã, o quase certo abandono do referendo, o que constitui mais um passo atrás”, resumiu o realizador de cinema e ativista Cyril Dion, participante na marcha de Paris, que desfilou por detrás de uma faixa com a frase: “Lei climática = fracasso de cinco anos de legislatura”.

A lei “clima e resiliência”, pretendida pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, como um texto emblemático de um mandato de cinco anos, foi adotada na passada terça-feira pela Assembleia Nacional.

Este texto foi pensado para traduzir parte das 149 propostas da Convenção dos Cidadãos sobre o Clima (CCC), um painel de 150 pessoas, criado em 2019 para dar voz aos cidadãos na luta contra as alterações climáticas.

O objetivo da lei é preparar o caminho para uma redução de 40% das emissões de gases com efeito de estufa “num espírito de justiça social”.

A lei prevê o encerramento de voos domésticos quando existirem alternativas de comboio com durações de percurso inferiores em duas horas e meia, prevê a tipificação do crime de ecocídio ou a proibição do arrendamento de habitações de baixa eficiência térmica a partir de 2028.

Apesar de reconhecerem “alguns progressos”, organizações não-governamentais como a Greenpeace denunciaram a “confusão formidável” gerada por um “projeto de lei” feito para “fingir agir”.

Macron também se tinha comprometido perante o CCC a enviar aos deputados a proposta de emenda do artigo 1.º da Constituição francesa, mas, perante a relutância do Senado, dominado pela direita (o texto tem de ser votado nos mesmos termos pelas duas câmaras do parlamento para ser submetido a referendo), afirma o semanário Le Journal du Dimanche, na sua edição de hoje, que o Presidente terá desistido da votação.

Questionada pela agência de notícias France Presse (AFP), a Presidência francesa assegurou que a emenda constitucional não foi “enterrada”, mas não mencionou a intenção de manter o referendo.

O projeto de alteração da Constituição estipula que França “garante a preservação do ambiente e da diversidade biológica e a luta contra as alterações climáticas”.

A maioria do Senado rejeita o termo “garante”, com o argumento de que daria prioridade à preservação ambiental sobre outros princípios constitucionais.

APL // MP

By Impala News / Lusa

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