Detido no Bangladesh fotojornalista por criticar Governo após semana de protestos

Detido no Bangladesh fotojornalista por criticar Governo após semana de protestos

A polícia do Bangladesh anunciou hoje a detenção de um conhecido fotojornalista por “declarações provocatórias” numa entrevista em que acusou o Governo de usar “força bruta” para reprimir uma semana de protestos de estudantes na capital.

Dezenas de milhares de estudantes bloquearam hoje uma parte da capital, Daca, ao fim de uma semana de protestos para exigir mais segurança nas estradas, na sequência da morte de dois estudantes atropelados por autocarros que circulavam em excesso de velocidade.

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Shahidul Alam, um fotojornalista que nos últimos dias publicou dezenas de fotografias dos protestos no Facebook, foi detido no domingo em casa, por polícias à paisana, depois de ter afirmado numa entrevista à televisão Al-Jazira que a primeira-ministra, Sheikh Hasina, não tem credibilidade e está a usar “força bruta” contra os protestos para se manter no poder.

“Ele foi conduzido hoje de manhã às nossas instalações. Estamos a interrogá-lo porque ele deu informações falsas a diferentes ‘media’ e pelas suas declarações provocatórias”, disse um responsável da polícia, Moshiur Rahman, à agência France-Presse.

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional pediu a imediata libertação de Alam, 63 anos, considerando que a sua detenção “marca uma escalada perigosa da repressão pelo Governo”.

Shahidul Alam é nomeadamente o fundador de uma escola de fotojornalismo de Daca, a Patshala South Asian Media Academy, que já formou centenas de alunos.

Em mais de 40 anos de carreira, trabalhou para grandes títulos estrangeiros como o New York Times, a Time e a National Geographic.

Os protestos na capital eram hoje mais pequenos e esporádicos, mas a polícia interveio, lançando gás lacrimogéneo, contra um grupo de manifestantes numa universidade de Daca que gritavam palavras de ordem contra o Governo.

Os protestos realizam-se há mais de uma semana em Daca e espalharam-se para fora da capital, levando as autoridades a suspender as comunicações móveis em vastas áreas do país, segundo responsáveis e ‘media’ locais.

No sábado, uma centena de manifestantes foram feridos quando a polícia disparou balas de borracha contra uma manifestação na capital.

No domingo, grupos de jovens pró-governo atacaram manifestantes e pelo menos cinco jornalistas, entre os quais um fotojornalista da Associated Press.

O partido da primeira-ministra, a Liga Awami, acusa o principal partido da oposição, liderado pela ex-primeira-ministra Khaled Zia, de manipular os estudantes para fomentar distúrbios.

 

 

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