Defesa nacional inclui proteção ambiental na missão da Base Aérea de Monte Real

A missão da Base Aérea n.º 5 (BA5), em Monte Real, de defesa nacional do território português, inclui a proteção ambiental e gestão dos recursos do planeta, fatores que são também razão de conflitos, assumiu à agência Lusa o tenente Filipe Delgado.

Defesa nacional inclui proteção ambiental na missão da Base Aérea de Monte Real

Defesa nacional inclui proteção ambiental na missão da Base Aérea de Monte Real

A missão da Base Aérea n.º 5 (BA5), em Monte Real, de defesa nacional do território português, inclui a proteção ambiental e gestão dos recursos do planeta, fatores que são também razão de conflitos, assumiu à agência Lusa o tenente Filipe Delgado.

“Apesar de à primeira vista o domínio do ambiente e o setor da Defesa parecerem dois conjuntos independentes, na verdade estão muito relacionados. Há algum tempo que existem conflitos a nível mundial, que são desencadeados por falta de recursos”, adiantou o responsável pelo ambiente na BA5.

O militar recordou que existe “talvez o mais emblemático [conflito] entre Palestina e Israel pela disputa da água”, mas também se regista “em toda a África subsaariana e em alguns pontos na Ásia”.

“Ou seja, já existe e, infelizmente, cada vez mais, a tendência será haver mais conflitos ainda, mas já há alguns conflitos que têm na sua génese a disputa de recursos”, reforçou.

Portanto, constatou Filipe Delgado, “ambiente e defesa estão ligados”.

“Cabe-nos ter essa consciência e assumir que para se garantir a defesa nacional, que é a nossa missão primária, temos, sem dúvida alguma, de incluir a defesa do ambiente. Só assim é que conseguimos cumprir nossa missão na íntegra”, acrescentou.

O comandante da BA5, João Vicente, disse a Lusa que, “desde 2010, que a FA tem demonstrado preocupação nas áreas ambientais”.

“Como a missão que nos está atribuída obriga que nós voemos e enquanto não houver uma solução tecnológica para resolver o problema ambiental associado à aviação, o que nos focamos é na parte terrestre e apoio à operação. Aí há uma grande área onde podemos melhorar. Somos uma base aérea de aeronaves de combate, mas também temos de ter uma preocupação social e de sustentabilidade ambiental”, assumiu o coronel piloto aviador.

As ações e preocupações ambientais na BA5 podem também “servir de exemplo a outras instituições, organizações e até às próprias pessoas”.

“O conjunto de ações que temos vindo a fazer gira muito à volta disto: maior eficiência, maior reciclagem, poupança de recursos, reciclagem dos resíduos e aproveitamento, economias circulares e a própria transição para energias cada vez mais renováveis. Foi também isso que teve muito a ver com o facto de termos ganho o prémio de Defesa e Ambiente”, reforçou João Vicente.

Com preocupações ambientais transversais a toda a unidade, o comandante acrescentou que “até na manutenção das aeronaves” procuram “utilizar equipamentos que possam ser reutilizados, como os panos descartáveis”. Possuem também uma “estação de tratamento de águas residuais” dentro da base.

“Com o plano estratégico de sustentabilidade ambiental procuramos olhar para o futuro e ver qual será o caminho mais adequado. Não tem de ser estranho para as pessoas, sobretudo que nos rodeiam em Monte Real e Leiria, que os aviões fazem barulho, poluem, mas temos uma consciência ambiental grande”, assegurou.

Reconhecendo que a “neutralidade carbónica não se vai alcançar de um momento para o outro”, a floresta dentro da BA5 é uma “das principais formas de fazer esse tal equilíbrio de emissões com retenções e capturas de carbono”.

João Vicente revelou ainda que, a pensar a médio e longo prazo, a unidade está a trabalhar “em ligação com o Politécnico de Leiria em várias áreas”, como “na parte da monitorização e nas energias renováveis”, e tem estabelecido “alguns intercâmbios com outras universidades”.

“Tentamos abrir as portas para algumas entidades que também estão a trabalhar nestas áreas para encontrar algumas sinergias e continuar a aumentar a parte das energias elétricas, fazer uma transição gradual do GPL, das caldeiras que temos de aquecimento de águas e de alojamento, para bombas de calor”, exemplificou.

O comandante acrescentou que cerca de 19% da energia das emissões provêm da parte terrestre e “isso pode ser feito através de biocombustíveis ou de hidrogénio”.

“Não pretendemos mudar tudo de uma vez, mas criar umas provas de conceito”, demonstrando que uma tecnologia ou um determinado processo funciona.

“Cabe a quem de direito escalar isso. Daí ser muito importante o nosso relacionamento com o município porque aquilo que façamos aqui de forma isolada pode ser alavancado pelas autarquias e pelas pessoas que nos rodeiam. O aproveitamento dos óleos alimentares, o próprio hidrogénio, como forma de mobilidade… também temos aqui uma empresa que dá cartas nessa área. Se Cascais consegue ter algumas provas de conceito, porque é que Leiria também não poderá ter? É nesse âmbito que temos conversado todos e com certeza 2022 vai ser interessante nesse aspeto”, rematou.

EYC // SSS

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS