Sistema de vigilância da gripe vai ser alargado ao coronavírus

Desde 1990 que a Rede Médicos-Sentinela, um sistema de observação baseado nos cuidados de saúde primários, faz a vigilância epidemiológica da gripe

Sistema de vigilância da gripe vai ser alargado ao coronavírus

Sistema de vigilância da gripe vai ser alargado ao coronavírus

Desde 1990 que a Rede Médicos-Sentinela, um sistema de observação baseado nos cuidados de saúde primários, faz a vigilância epidemiológica da gripe

O sistema de vigilância sentinela da gripe sazonal vai ser alargado à covid-19 para “conhecer com detalhe” o que se vai passar na população portuguesa com a coexistência dos dois vírus, revelou à Lusa o epidemiologista Carlos Dias.

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Desde 1990 que a Rede Médicos-Sentinela faz vigilância epidemológica

Desde 1990 que a Rede Médicos-Sentinela, um sistema de observação baseado nos cuidados de saúde primários, faz a vigilância epidemiológica da gripe, sendo o objetivo adaptá-la ao novo coronavírus SARS-Cov2, adiantou o coordenador do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA).

“Esse é um aspeto muito importante que está a ser preparado desde já” porque são duas “doenças que têm uma expressão respiratória óbvia, em termos de sinais, de sintomas, a tosse, febre, dificuldade respiratória, etc”, disse Carlos Dias.

Portanto, quando existem “sistemas que vão recolhendo dados sobre pessoas com estas queixas convém destrinçar que agente está envolvido e convém fazê-lo o mais precocemente possível”.

“Estamos no final da época gripal 2019/2020, mas é conveniente desde já preparar a próxima época de gripe porque existe a possibilidade, não negligenciável, de que no próximo inverno tenhamos em Portugal, na Europa e no mundo a circulação desses dois vírus, ou seja, ao mesmo tempo podemos ser infetados pelo vírus da gripe sazonal e pelo vírus que causa a covid”, salientou.

Carlos Dias explicou que a gripe sazonal tem épocas em que o vírus é pouco agressivo, mas tem outras em que é mais agressivo.

O vírus que causa a doença covid-19, apesar de já ter sofrido algumas mutações, não tem evidência ainda de que essas mutações tenham resultado em formas menos agressivas da sua infeção.

Portanto, defendeu, o país tem que “se preparar desde já” com sistemas de informação para que “até a próxima época de gripe” e durante toda a época se possa “conhecer com detalhe e com um atraso mínimo o que é que se vai passar na população portuguesa quanto à coexistência deste dois vírus”.

O SARS-Cov-2 “é um vírus novo que pertence a uma família de vírus corona” que “todos os invernos circula na população portuguesa e noutras”.

Sendo novo, “é mais infeccioso, tanto quanto se sabe, e tem uma letalidade maior do que a da gripe, mas muito menor” do que por exemplo o ébola ou outros vírus de famílias diferentes “muito mais letais”.

No entanto, a doença causa numa proporção de pessoas, sobretudo idosas e com doenças associadas, necessidades de cuidados diferenciados hospitalares, cuidados intensivos, auxílio e suporte à respiração e ao funcionamento dos órgãos que “são preocupantes”.

O investigador Vítor Borges, da Unidade Bioinformática, do INSA, que está a estudar a diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal com base na análise do genoma, disse que já se começa a perceber a dinâmica da sua evolução em Portugal.

“Tem “bastante diversidade”, o que significa que houve “introduções de vários pontos geográficos do vírus” em Portugal.

Vítor Borges explicou que o vírus acumula cerca de duas ou três mutações por mês. “Cada vírus que sequenciamos, agora nesta fase, passados quatro meses do início da epidemia, tem cerca de nove, dez mutações em relação ao vírus inicialmente sequenciado na China”.

A maior parte dos vírus que circula em Portugal é de “uma linhagem que circula maioritariamente na Europa”, mas há outras linhagens menos frequentes. Deu como exemplo, os genomas já conhecidos do Alentejo, nomeadamente de Évora, que têm um perfil genético que não é o que mais circula na Europa.

São variantes com “alguma expressão” em Espanha, “o que indica que potencialmente houve alguma introdução na região do Alentejo que terá vindo de Espanha”.

Com este estudo, Portugal está a contribuir para “um conhecimento à escala global” e para um “desenho da vacina mais direcionado para as grandes variantes que estão a circular e que possa ser mais eficiente”, considerou.

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