Covid-19: Sindicato de professores diz que ensino à distância excluiu alunos em Cabo Verde

O presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP) cabo-verdianos disse hoje que o ensino à distância devido ao novo coronavírus não é prioridade em Cabo Verde no momento e que muitos alunos não puderam assistir as aulas.

Covid-19: Sindicato de professores diz que ensino à distância excluiu alunos em Cabo Verde

Covid-19: Sindicato de professores diz que ensino à distância excluiu alunos em Cabo Verde

O presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP) cabo-verdianos disse hoje que o ensino à distância devido ao novo coronavírus não é prioridade em Cabo Verde no momento e que muitos alunos não puderam assistir as aulas.

“O ensino à distância não resultou e nem vai resultar. Infelizmente, o Ministério da Educação investiu muito, houve um alcance a alguns que têm meios para seguir esse ensino e aprendizagem, mas muitos ficaram de fora, contrariando assim o lema do Ministério da Educação, que é “juntos pela qualidade, sem ninguém ficar para trás”, começou por dizer Nicolau Furtado, em declarações à agência Lusa.

Segundo o presidente do sindicato mais representativo da classe docente em Cabo Verde, os contactos já efetuados com professores, pais e encarregados de educação provam que muitos alunos não assistiram às aulas, que arrancaram na segunda-feira.

“É de lamentar, porque nós já tínhamos chamado atenção do Ministério da Educação, que neste momento não era viável a alternativa do ensino à distância”, prosseguiu Nicolau Furtado, sublinhando que esse ensino não dá para avaliar, mas sim para “animar” os alunos em casa.

Mas salientou que neste momento, a maioria dos pais e encarregados de educação estão à procura é de alimentos, por estarem em muitas dificuldades.

“[O ensino à distância ] não era prioridade. Isso é uma brincadeira do Ministério da Educação porque foi uma decisão unilateral, sem ouvir os sindicatos, os professores e os pais e encarregados de educação”, lamentou, o representante da classe docente em Cabo Verde, para quem esse ensino é um “gasto muito elevado sem resultado nenhum”. 

Segundo Nicolau Furtado, alunos de todas as ilhas tiveram dificuldades de assistir as aulas, dando como exemplo o facto de em Cabo Verde apenas 32% dos pais e encarregados de educação ter computadores em casa e as “zonas sombras”, onde não se ouve rádio nem se vê televisão. 

“Há dificuldades de várias ordem, em que o Ministério da Educação nesse momento de aflição não pode distribuir as fichas para os alunos que não têm essa possibilidade. Por isso que eu disse que neste momento o ensino à distância é impraticável, sobretudo para não deixar ninguém para trás”, insistiu.

 O Ministério da Educação de Cabo Verde está a implementar um programa educativo denominado “Aprender e estudar em casa”, alternativa ao encerramento das escolas cabo-verdianas desde 20 de março, para impedir a transmissão do novo coronavírus no arquipélago. 

O programa consiste em aulas na televisão, na rádio e outras plataformas.

O Ministério explicou que desenvolveu o programa para que os estudantes possam manter o vínculo com o meio educativo e o contacto com os docentes e os conteúdos de ensino-aprendizagem, enquanto estão em casa. 

O plano prevê a produção de 620 conteúdos em televisão e rádio, de 20 minutos cada, abrangendo do 1.º ao 12.º ano, de forma gradual, que serão transmitidos através dos canais de televisão — TCV e canais da Green Studio, no canal aberto e na ZAP –, e na rádio: Radio Educativa, RCV e Rádios Comunitárias. 

Numa nota, o Ministério da Educação admitiu que nem todos os agregados familiares podem ter acesso aos instrumentos que permitam aos educandos ter contacto com estes materiais, explicando que está em curso, por parte dos docentes, a elaboração de materiais em papel, fichas de exercícios que as escolas farão chegar aos alunos, “para que ninguém fique para trás”. 

Em Cabo Verde, estão matriculado para o ano letivo 2019-2020 um total de 12 mil crianças na educação pré-escolar, 114.883 na educação escolar pública, sendo 83.499 no ensino básico obrigatório (1.º ao 8.º ano) e 30.096 no ensino secundário (9.º ao 12.º). 

Cabo Verde conta agora 114 casos da covid-19, distribuídos pelas ilhas de Santiago (60), da Boa Vista (53) e de São Vicente (1).

Um destes casos, um turista inglês de 62 anos — o primeiro diagnosticado com a doença no país, em 19 de março -, acabou por morrer na Boa Vista, enquanto outros dois doentes já foram dados como recuperados.

Desde 18 de abril que está em vigor um segundo período de estado de emergência em Cabo Verde, mantendo-se suspensas as ligações interilhas e a obrigação geral de confinamento, além da proibição de voos internacionais.

A declaração do atual estado de emergência prevê para as ilhas da Boa Vista, Santiago e São Vicente, todas com casos de covid-19, que permaneça em vigor até às 24:00 de 02 de maio.

Nas restantes seis ilhas habitadas, sem casos diagnosticados da covid-19, a prorrogação do estado de emergência foi mais curta e terminou em 26 de abril.

Um outro cenário é, após o levantamento do estado de emergência, prever aulas presenciais nas ilhas com baixo risco epidemiológico de propagação da covid-19, conforme parecer da Comissão Técnica do Ministério da Saúde, e com o cumprimento das normas de distanciamento social e de higienização asseguradas pela gestão das escolas. 

 A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 211 mil mortos e infetou mais de três milhões de pessoas em 193 países e territórios.

 Mais de 818 mil doentes foram considerados curados.

 

RIPE // PJA

By Impala News / Lusa

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