Covid-19: Relógio d’Água publica ensaio de fisico italiano sobre repercussões da doença

A Relógio d’Água vai editar um ensaio sobre a pandemia de Covid-19, escrito pelo físico italiano Paolo Giordano, autor do livro “A Solidão dos Números Primos”, que reflete sobre as transformações sociais e culturais que a epidemia pode causar.

Covid-19: Relógio d'Água publica ensaio de fisico italiano sobre repercussões da doença

Covid-19: Relógio d’Água publica ensaio de fisico italiano sobre repercussões da doença

A Relógio d’Água vai editar um ensaio sobre a pandemia de Covid-19, escrito pelo físico italiano Paolo Giordano, autor do livro “A Solidão dos Números Primos”, que reflete sobre as transformações sociais e culturais que a epidemia pode causar.

“O ensaio, intitulado ‘Nel Contagio’, desenvolve um artigo publicado no Corriere della Sera, que teve um importante impacto na sociedade italiana”, disse à agência Lusa Francisco Vale, editor da Relógio d’Água.

Trata-se de uma obra que, mais do que a própria epidemia, se ocupa sobretudo das transformações sociais e culturais que esta pode causar, acrescentou.

Na apresentação da obra, o autor escreve: “Não tenho medo de ficar doente. Então, tenho medo de quê? De tudo aquilo que o contágio pode mudar. De descobrir que os pilares da civilização que conheço são um castelo de cartas. Tenho medo do esgotamento, mas também do seu contrário: que o medo passe em vão, sem deixar uma mudança para trás”.

Candidata a ser a emergência sanitária mais importante dos tempos atuais, a epidemia Covid-19 “revela a complexidade do mundo em que habitamos, das suas lógicas sociais, políticas, económicas, interpessoais e psíquicas”, refere a sinopse.

O autor salienta que a experiência por que a sociedade está a passar tem um caráter “extremamente identitário e cultural”, que requer um esforço de imaginação que, num regime normal, as pessoas não estão habituadas a realizar: verem-se inextricavelmente conectadas ao outro e levando em consideração a presença deles nas suas escolhas individuais.

“No contágio, a falta de solidariedade é antes de tudo um defeito na imaginação. No contágio, somos um único organismo, uma comunidade que entende a totalidade dos seres humanos”, refere.

Numa altura em que a humanidade atravessa uma pandemia, com repercussões globais únicas, também o grupo editorial Porto Editora se prepara para publicar em breve a tradução portuguesa de “The Rules of Contagion: Why Things Spread – and Why They Stop” (“As regras do contágio: por que as coisas se espalham – e por que elas param”, em tradução literal), do professor britânico Adam Kucharski, especialista em surtos na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, sobre “a nova ciência do contágio e a forma surpreendente como isso molda a nossa vida e comportamento”.

“Um vírus mortal de repente explode na população. Um movimento político ganha ritmo e depois desaparece rapidamente. Uma ideia deflagra como um incêndio, mudando o mundo para sempre. Vivemos num mundo que está mais interconectado do que nunca. As nossas vidas são moldadas por surtos – de doenças, desinformação e até violência – que aparecem, espalham-se e desaparecem com uma velocidade desconcertante”, descreve a sinopse do livro.

Adam Kucharski propõe-se a explicar as “leis ocultas” que governam estes fenómenos, para melhor os entender: “dos ‘superespalhadores’ que podem desencadear uma pandemia ou derrubar um sistema financeiro até à dinâmica social que conduz à solidão, ‘The Rules of Contagion’ oferece um olhar convincente sobre o comportamento humano e explica como podemos melhorar a previsão do que acontece a seguir”.

Também de acordo com o plano de publicações da Porto Editora, será publicada a edição portuguesa de “The Beautiful Cure”, do imunologista Daniel M. Davis, um livro sobre a evolução e capacidade do sistema imunitário.

Quanto a edições mais antigas, o grupo editorial recorda que tem vários livros no catálogo que já refletem esta preocupação dos seres humanos, como é o caso de “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, ou “A Peste”, de Albert Camus.

Na área infantil, a Caminho vai editar em breve o livro “O Nuno Escapa aos Vírus”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e ilustrações de Nuno Feijão, que explica numa linguagem simples o que são vírus, como se apanha a gripe e os cuidados a ter para evitar o contágio.

As restantes editoras portuguesas não têm planos nesta área mas recordam algumas das obras relevantes sobre o tema nos seus catálogos, como é o caso da Topseller, chancela da 2020, que tem o livro “Às cegas”, de Josh Malerman, vencedor do prémio This is Horror para melhor livro de terror, que já foi adaptado a filme para a Netflix.

Entre os títulos relacionados com pandemias, a Bertrand destaca as obras “Pandemia”, de Robin Cook, “A Nossa Vida em Sete Dias”, de Francesca Hornak, “Código de Conduta”, de Brad Thor, e “Inferno”, de Dan Brown.

Numa vertente mais técnica, a Gradiva lembra que tem editado um livro intitulado “Nós e a Gripe – Informação, Conhecimento e Bom Senso”, de Constantino Sakellarides, especialista em saúde pública, e “A Direção-Geral da Saúde. Notas Históricas”, de Valentino Viegas, João Frada e José Pereira Miguel.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 5.000 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar a doença como pandemia.

O número de infetados ultrapassou as 134 mil pessoas, com casos registados em mais de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 112 casos confirmados, de acordo com os dados mais recentes, divulgados na sexta-feira pela Direção-Geral da Saúde.

Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.

(NOVA VERSÃO CORRIGE IDENTIFICAÇÃO DA EDITORA DAS OBRAS EM CAUSA: PORTO EDITORA E NÃO GRUPO LEYA)

AL // MAG

By Impala News / Lusa

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