Covid-19: Pedido repatriamento por quase todos os professores em Timor-Leste

Quase todos os professores destacados em Timor-Leste ao abrigo de um programa luso-timorense no setor educativo pediram para serem repatriados para Portugal, devido à pandemia da covid-19, afirmou hoje uma responsável.

Covid-19: Pedido repatriamento por quase todos os professores em Timor-Leste

Covid-19: Pedido repatriamento por quase todos os professores em Timor-Leste

Quase todos os professores destacados em Timor-Leste ao abrigo de um programa luso-timorense no setor educativo pediram para serem repatriados para Portugal, devido à pandemia da covid-19, afirmou hoje uma responsável.

“Praticamente a totalidade dos professores pediu o repatriamento”, disse à Lusa a coordenadora do projeto de Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), Lina Vicente.

Este projeto integra 140 professores portugueses.

Fonte da Embaixada de Portugal em Díli disse à Lusa que além dos professores, outros portugueses em Timor-Leste, cujo número não foi precisado, também solicitaram o repatriamento.

Lina Vicente acrescentou que há atualmente professores em dez municípios, tendo sido já transferidos para a capital timorense os docentes que estavam no enclave de Oecusse e na segunda cidade do país, Baucau.

O diretor da Escola Portuguesa de Díli, Acácio de Brito, disse à Lusa que “pelo menos dois professores” transmitiram a vontade de ser repatriados.

“Isto, obviamente, é uma questão e uma decisão individual. Foram, entretando, dadas instruções a professores e alunos para não virem à escola”, adiantou.

“Temos aqui apenas uma equipa de intervenção diminuta de funcionários e equipas profissionais que estão a continuar os trabalhos de limpeza”, sublinhou, numa referência ao impacto das cheias que danificaram a escola.

Acácio de Brito indicou que as reuniões de avaliação para atribuição de notas do segundo período estão a ser feitas ‘online’.

Por seu lado, a coordenadora do projeto CAFE acrescentou que a situação está a ser acompanhada permanentemente pelos Ministérios da Educação português e timorense, bem como pela Embaixada de Portugal em Díli.

Apesar do Ministério da Educação timorense ter decretado uma interrupção letiva de, pelo menos, uma semana, a partir de hoje, decisão que abrange as escolas do projeto, os professores portugueses vão ficar nos municípios.

As únicas exceções ocorreram, para já, na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) e em Baucau, segunda cidade timorense, onde os professores destacados receberam indicações para voltarem para Díli, onde já se encontram, disse Vicente.

No caso de Oecusse, a decisão pretendeu evitar que a movimentação dos professores no enclave ficasse condicionada pelo fecho das fronteiras, já anunciada pelas autoridades de Timor Ocidental, a metade indonésia da ilha, indicou.

No caso dos 11 professores destacados em Baucau, o embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, ordenou a transferência para Díli, depois de relatos de alguns docentes que mostraram sinais de alguma insegurança.

Também a Embaixada de Portugal informou que, a partir de hoje, a secção consular estará encerrada ao público, funcionando apenas para casos urgentes e com marcação prévia por email (sconsular.dili@mne.pt).  

“Os pedidos de nacionalidade estão por ora suspensos e não temos capacidade, neste momento, para prestar qualquer informação sobre os mesmos, concentrados que estamos no apoio à Comunidade Portuguesa”, de acordo com uma publicação na página oficial da Embaixada na rede social Facebook.

“Por outro lado, a nossa caixa de correio tem uma capacidade limitada pelo que agradecemos a todos os requerentes de nacionalidade portuguesa que evitem, nos próximos dias, enviar e-mails sobre este assunto”, sublinhou.

A Embaixada acrescentou que, assim que possível, todos os serviços serão retomados e apelou para que as orientações das autoridades de saúde sejam seguidas.

“Vivemos um momento de exceção. É essencial a compreensão e a serenidade de todos”, destacou.

Nos últimos dias, vários professores portugueses manifestaram à Lusa preocupação pela situação que se vive em Timor-Leste, onde o primeiro caso de infeção foi confirmado na sexta-feira.

Residentes portugueses e de outras nacionalidades relataram pequenos incidentes, ocorridos nos últimos, com insultos que tentam relacionar a covid-19 com estrangeiros.

Não houve, até agora, qualquer incidente grave relacionado com a situação da pandemia em Timor-Leste, exceto algunsprotestos das comunidades nos locais onde as autoridades timorenses pretendem instalar centros de quarentena ou isolamento.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 324 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 14.300 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

 

ASP // EJ

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS