Covid-19: Negócios reabrem na Cidade Velha com cabo-verdianos, mas turistas ainda se contam pelos dedos

Os negócios começam a reabrir timidamente na Cidade Velha, em Cabo Verde, ainda suportados sobretudo por clientes nacionais, porque os turistas internacionais contam-se pelos dedos no único sítio património mundial do país.

Covid-19: Negócios reabrem na Cidade Velha com cabo-verdianos, mas turistas ainda se contam pelos dedos

Covid-19: Negócios reabrem na Cidade Velha com cabo-verdianos, mas turistas ainda se contam pelos dedos

Os negócios começam a reabrir timidamente na Cidade Velha, em Cabo Verde, ainda suportados sobretudo por clientes nacionais, porque os turistas internacionais contam-se pelos dedos no único sítio património mundial do país.

Frederick Kougbeadjo é natural do Togo e há três anos que decidiu viver em Cabo Verde. E há dois que monta banca de produtos artesanais no Pelourinho, localizado no centro histórico da cidade e construído no séc. XVI (1512) de mármore branco, que serviu de local onde os escravos desobedientes eram açoitados em público.

Desde que monta a banca quase diariamente, Frederick, que é também presidente da Associação dos Togoleses em Cabo Verde, só esteve ausente alguns meses no ano passado por causa da covid-19, mas agora que desempacotou os ‘souvenirs’ ainda são poucas as pessoas que compram.

“Em tempos de covid não dá, não se vê ninguém, não há turistas para fazer negócios, está tudo parado”, lamenta o comerciante, que vende artesanato de Cabo Verde e de outros países.

Das poucas pessoas que passam para apreciar os produtos, Frederick conta que a esmagadora maioria são cabo-verdianos. “Os turistas [internacionais] ainda não. Só um, dois, apenas para ver, não compram nada”, diz à agência Lusa.

Por isso, para driblar a crise e conseguir algum dinheiro para sobreviver, o togolês teve de baixar os preços dos produtos. “Mas é só para pagar transporte de ida e volta para casa, comprar comida”, revela o imigrante, que deixou toda a sua família no Togo para se aventurar em Cabo Verde.

E além da família, disse também que sente saudades dos turistas no centro histórico da Cidade Velha. “Sim, sim, temos saudades dos turistas. Ainda para nós é muito complicado”, diz Frederick, queixando-se de falta de apoio, mas esperando que a situação melhore em breve.

Uns metros ao lado, ainda no centro da Cidade Velha, Marcelina Vaz da Moura prepara tudo para o almoço, que antes era servido na histórica “Casinha Velha”, que era do avô, mas após ganhar um concurso público passou o negócio para um restaurante à beira mar.

Mas o negócio esteve alguns meses parado por causa da covid-19. “Foi um bocado difícil, e agora estamos a lidar com este vírus que está um pouco complicado tanto em Cabo Verde como em todo o mundo”, descreve a proprietária, que reabriu o restaurante em julho último.

E desde então as dificuldades são imensas, porque não há muitos turistas internacionais neste que é um dos sítios históricos mais visitados em Cabo Verde durante todo o ano. Por isso, vai recebendo mais clientes nacionais e sobretudo aos fins de semana.

“Estamos a tentar fazer todo o possível e impossível para combater esse vírus”, afirma a empresária, revelando que também teve de baixar os preços para poder ter mais clientes e, assim, driblar a crise provocada pela pandemia.

Para o futuro, Marcelina Vaz da Moura pede ajuda divina para acabar com o vírus, para poder retomar a normalidade “como era antigamente” na cidade berço de Cabo Verde, pertencente ao concelho da Ribeira Grande, e que desde o início da pandemia registou um total acumulado de 326 casos de covid-19, dois óbitos e tem apenas três casos ativos da doença.

Quem ainda também não recebeu muitos turistas foi o Gabinete do Turismo da Cidade Velha, que foi inaugurado com grande expetativa em março do ano passado, mês em que o país registou o primeiro caso de covid-19.

Por isso, o gabinete nem chegou a abrir as portas nessa altura e só recomeçou a funcionar em dezembro, segundo Elisabeth Cardoso, gestora do Centro Cultural da Cidade Velha, que dá suporte ao Gabinete do Turismo, com exposição e venda de produtos nacionais.

A gestora diz à Lusa que “timidamente” o Centro Cultural tem recebido alguns visitantes, sobretudo nacionais e imigrantes, mas ainda longe dos registos antes da pandemia, que eram na sua maioria ingleses. Agora também há franceses, sobretudo para caminhada, mas não muito mais do que uma centena em dois meses.  

“Mas ainda é um número bastante reduzido e não o que realmente desejamos após o sonho concretizado com o Gabinete do Turismo que era diversificar a oferta”, lamenta a responsável, garantindo, mesmo assim, que o organismo está pronto para prestar um “serviço de qualidade”.

O gabinete presta informações sobre o turismo no geral, sobre o município, disponibiliza o serviço de guia turístico e a carta de circuito do sítio histórico, mas segundo Elisabeth Cardoso, sem turistas o serviço “fica aquém” do propósito para que foi criado o gabinete, ao lado do Centro Cultural, na Rua Banana, a mais antiga rua construída pelos portugueses em África.

“No entanto, vamos trabalhando nas propostas de recursos e roteiros, para atrair mais os nossos visitantes, principalmente os nacionais que neste momento estão a apostar no turismo interno. Então vamos por aí e aproveitar para promover as potencialidades do município”, refere.

Depois da crise pandémica, a gestora traçou um futuro de esperança, com uma “aposta forte” no turismo e na cultura, apontando várias obras em curso no município para criar melhores condições para os operadores locais e para atrair investimentos para o único bem material cabo-verdiano inscrito desde 2009 na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como Património da Humanidade.

 

RIPE // VM

By Impala News / Lusa

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