Covid-19: Mulheres moçambicanas que lideram famílias sozinhas pedem rendimento mínimo 

Movimentos feministas de Moçambique defenderam hoje a criação de uma garantia de rendimento mínimo de 100 dólares (92 euros) mensais para famílias sustentadas por mulheres sozinhas (solteiras ou viúvas) no país.

Covid-19: Mulheres moçambicanas que lideram famílias sozinhas pedem rendimento mínimo 

Covid-19: Mulheres moçambicanas que lideram famílias sozinhas pedem rendimento mínimo 

Movimentos feministas de Moçambique defenderam hoje a criação de uma garantia de rendimento mínimo de 100 dólares (92 euros) mensais para famílias sustentadas por mulheres sozinhas (solteiras ou viúvas) no país.

A medida é vista como parte dos esforços a ser empreendidos pelo Governo no combate à propagação e ao impacto da covid-19 na vida da mulher moçambicana, dado o abrandamento generalizado da economia.

“Os 100 dólares por mês iam ajudar muitas famílias a não sucumbirem à fome e dificuldades, principalmente as que são chefiadas por mulheres que estão muitas vezes sozinhas, sem marido e sem alguém que possa ajudar”, disse Teresa Cuna, feminista, ativista e cientista social.

Teresa Cuna falava hoje durante uma conferência na Internet sob o tema “Ação dos movimentos feministas face ao impacto da covid-19”, organizada pelo Fórum Mulher e que contou com a participação de associações de defesa da mulher em Moçambique.

Moçambique vive em estado de emergência durante todo o mês de abril, com espaços de diversão e lazer encerrados, proibição de todo o tipo de eventos e de aglomerações.

Durante o mesmo período, há limitação de lotação nos transportes coletivos, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

A declaração do estado de emergência prevê a adoção de medidas de política fiscal e monetária sustentáveis “para apoiar o setor privado a enfrentar o impacto económico da pandemia”.

Para as associações, no detalhe desses apoios, é essencial que o Estado moçambicano tome decisões tendo em conta a situação da mulher no país, visto que grande parte destas dependem do comércio informal para sobreviver.

“Algumas nem balde para lavar as mãos [seguindo as recomendações da saúde] têm em casa. A situação é complicada”, acrescenta Isabel Sofia, da associação de pessoas com HIV-SIDA, Hi Xikanwe.

As mulheres defenderam também outras medidas, igualmente reclamadas por outras faixas da população moçambicana, entre as quais, a suspensão do pagamento de água e luz, por se tratar de bens essenciais, além da atribuição de alimentos para pessoas desempregadas.

Ana Matilde, presidente da Associação de Mulheres Empregadas Domésticas (Amuedo), contou que, por exemplo, no âmbito da sua ação já tomou conhecimento dos casos de mais de 30 mulheres que perderam emprego porque os seus patrões regressaram aos países de origem.

O apoio às organizações da sociedade civil na sua intervenção a favor dos mais necessitados, a distribuição de materiais de proteção aos profissionais de risco e reforço da divulgação de mensagens sobre a covid-19 em línguas locais são também algumas das ações recomendadas.

Moçambique regista um total acumulado de 65 casos, sem mortes.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 720 mil doentes foram considerados curados.

LFO // JH

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS