Covid-19: Movimento cívico exige “liberdade” para as crianças

O movimento cívico Covid-19 com Ciência organizou hoje uma concentração, em frente à Assembleia da República, para exigir “liberdade” para as crianças e contestar as medidas sanitárias nas escolas, no contexto da pandemia de covid-19.

Covid-19: Movimento cívico exige

Covid-19: Movimento cívico exige “liberdade” para as crianças

O movimento cívico Covid-19 com Ciência organizou hoje uma concentração, em frente à Assembleia da República, para exigir “liberdade” para as crianças e contestar as medidas sanitárias nas escolas, no contexto da pandemia de covid-19.

Cerca de duas centenas de pessoas — crianças e adultos — juntaram-se na base da escadaria do parlamento, empunhando cartazes onde se lia “Pelas crianças, pela saúde”, “Abram os parques infantis, deixem as crianças brincar” e “Infância há só uma”.

Sandra Oliveira, do Covid-19 com Ciência, disse à Lusa que o objetivo da concentração, também apoiada pelo movimento de cidadãos Verdade Inconveniente, foi “pôr as pessoas a pensar, a refletir” na forma como as autoridades sanitárias estão a tratar as crianças.

A resposta à pandemia de covid-19 “está a ser tratada de uma forma política sem a base daquilo que é essencial, que é a ciência e a medicina”, considera.

“Muitas das orientações sanitárias que estão a ser emitidas, seja para as escolas, seja a nível do nosso sistema nacional de saúde, não estão alinhadas com aquilo que sabemos existir como fundamentos científicos”, alega.

Na opinião de Sandra Oliveira, as escolas estão a limitar as crianças “no ato fisiológico de respirar” e no “movimento de brincadeiras, criando bolhas, seja por turmas, seja por anos”.

O movimento critica a atuação da Direção-Geral da Saúde (DGS), numa altura em que os novos casos de infeção com covid-19 em Portugal ultrapassam o milhar diário pelo quarto dia consecutivo.

“Queremos transparência. Queremos saber quem é a equipa da DGS que está a fazer com que estas orientações saiam, porque elas não estão, muitas vezes, sequer alinhadas com a Organização Mundial da Saúde [OMS]”, contesta Sandra Oliveira.

Opinião corroborada pela médica anestesista Margarida Oliveira, que esteve na concentração e que, em nome do grupo Médicos pela Verdade, disse à Lusa não compreender em que se baseiam as decisões da DGS, que considera um “oráculo de especialistas sem rosto e sem nome”.

As autoridades sanitárias portuguesas estão a ir “para além do que a OMS recomenda” e “cada autarquia e cada agrupamento escolar está a fazer medidas de autor”, avalia a médica, falando na criação de “um ambiente de medo, que vai ter seguramente repercussões” no futuro.

Sublinhando que os Médicos pela Verdade não desvalorizam a doença, que já matou mais de um milhão e setenta e quatro mil pessoas em todo o mundo, entre as quais mais de dois mil portugueses, Margarida Oliveira contesta as câmaras de desinfeção e a desinfeção permanente com álcool gel nas escolas e a imposição de máscaras entre crianças do 1.º ciclo.

“Eu sou anestesista, eu ando lá, eu vejo doentes com covid, eu anestesio doentes com covid. Não tem nada a ver com isso [desvalorizar a pandemia]. Tem a ver com a desproporção”, diferencia.

“Isto é um vírus respiratório que, em algumas pessoas, com particularidades específicas de vulnerabilidade, pela idade ou patologia associada, estão particularmente suscetíveis de desenvolver doença grave. Mas essa percentagem é ínfima e essa percentagem tem como ser tratada, tem como ser controlada e está devidamente assegurada. Não se pode, em nome de uma minoria, coartar a liberdade de uma sociedade inteira, por um vírus que é respiratório”, sustenta.

A Associação Nacional de Espaços Infantis e Recreativos associou-se também à concentração, que juntou cerca de duas centenas de pessoas, poucas usando máscara (que não é obrigatória no espaço público) e nem sempre cumprindo o distanciamento social.

“Há sete meses que fecharam os parques infantis e até hoje ainda não houve qualquer espécie de luz ao fundo do túnel para podermos retomar a atividade. Não só nós, que temos estes negócios, não podemos trabalhar, como temos as famílias e as crianças que não podem celebrar aniversários, divertir-se, utilizar os nossos espaços”, reclama André Resende, da Associação Nacional de Espaços Infantis e Recreativos.

Os cerca de 500 espaços infantis e recreativos privados existentes no país empregam “cerca de três mil trabalhadores, diretos e indiretos”, que estão suspensos desde março, explicou à Lusa.

Assegurando que, no caso de uma reabertura, os espaços infantis e recreativos teriam “todas as condições” de segurança e higiene necessárias, André Resende realça que as autoridades ainda estão “um passo atrás”, porque “nem sequer existe abertura ao diálogo” para ouvir a associação e “trabalhar numa solução” para a retoma da atividade.

SBR // JLG

By Impala News / Lusa

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