Covid-19: Governos falham em prioridades como abastecimento de água e esgotos – Afrobarómetro

Mais da metade dos africanos considera que os governos dos seus países falham nas prioridades, como abastecimento de água potável e saneamento, agora considerados mais relevantes na prevenção e propagação do novo coronavírus, revelou hoje uma análise da Afrobarómetro.

Covid-19: Governos falham em prioridades como abastecimento de água e esgotos - Afrobarómetro

Covid-19: Governos falham em prioridades como abastecimento de água e esgotos – Afrobarómetro

Mais da metade dos africanos considera que os governos dos seus países falham nas prioridades, como abastecimento de água potável e saneamento, agora considerados mais relevantes na prevenção e propagação do novo coronavírus, revelou hoje uma análise da Afrobarómetro.

Segundo o estudo feito por esta entidade, metade dos inquiridos diz que não teve acesso a água limpa suficiente para uso doméstico nos últimos anos, preocupação ainda mais relevante quando a higiene adequada assume uma importância enorme na prevenção e propagação do novo coronavírus e outras doenças infecciosas.

A análise, que resulta de inquéritos nacionais realizados em 34 países africanos, e divulgada quase em vésperas do Dia Mundial da Água, que se celebra em 22 de março, demonstra também que em África tem havido poucos progressos nos últimos anos no caminho que o continente deveria seguir para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, nomeadamente “garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”.

A Afrobarómetro, embora considerando que as experiências variam muito de país para país, conclui que, em média, mais de metade dos africanos tem que deixar as suas casas para “ter acesso à água, e apenas um quarto tem acesso a infraestruturas de esgoto”.

Segundo a organização, dentro de cada país as assimetrias regionais também são relevantes, com os residentes em zonas rurais a revelarem “grandes desvantagens” no acesso à água e ao saneamento.

Os resultados dos inquéritos feitos demonstram ainda que um em cada cinco africanos que no último ano procurou obter serviços de utilidade pública junto das entidades governamentais dos seus países, para os conseguir, “tiveram de pagar um suborno”.

Em 20 dos 34 países, a maioria dos inquiridos diz que os seus governos estão a fazer um trabalho “muito pobre” no que respeita ao fornecimento de serviços de água e saneamento.

A Afrobarómetro é uma rede de pesquisa pan-africana, não partidária, que fornece dados sobre as experiências e avaliações dos africanos em matéria de qualidade de vida, governação e democracia.

Esta análise baseou-se em dados de 45.823 entrevistas realizadas em 34 países, entre setembro de 2016 e setembro de 2018.

Nos países abrangidos pelo inquéritos reside quase 80% da população do continente.

Os dados são ponderados para garantir amostras representativas a nível nacional, refere aquela entidade.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.900 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 85.500 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 176 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, com a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, a Espanha, com 767 mortes (17.147 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

 

ATR // LFS

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

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