Covid-19: Epidemiologista defende que se deve evitar confinamento

O epidemiologista Manuel do Carmo Gomes defende que a testagem é a “arma principal” no combate à pandemia de covid-19 e que deve evitar-se o confinamento, apontando “três linhas vermelhas” que não devem ser ultrapassadas.

Covid-19: Epidemiologista defende que se deve evitar confinamento

Covid-19: Epidemiologista defende que se deve evitar confinamento

O epidemiologista Manuel do Carmo Gomes defende que a testagem é a “arma principal” no combate à pandemia de covid-19 e que deve evitar-se o confinamento, apontando “três linhas vermelhas” que não devem ser ultrapassadas.

O epidemiologista Manuel do Carmo Gomes defende que a testagem é a “arma principal” no combate à pandemia de covid-19 e que deve evitar-se o confinamento, apontando “três linhas vermelhas” que não devem ser ultrapassadas.

“A testagem é a arma principal que nós devemos usar e não o confinamento”, afirmou o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa na reunião no Infarmed. Carmo Gomes exemplificou com uma imagem como a testagem é importante, mostrando que o vírus SARS-Cov-2 se comporta como “uma mola em que é preciso usar uma mão ou um pé para manter a mola pressionada para baixo, caso contrário ela dispara“, nesta situação o número de casos aumenta exponencialmente.

“Neste momento, estamos a pôr o pé na mola porque estamos todos em casa […] mas como vamos sair deste confinamento sem deixar que a mola venha por aí acima outra vez e eventualmente agravada pela presença das variantes”, questionou.

No entender do especialista, a resposta é “uma estratégia de testagem”, que inclui “três linhas vermelhas“. Essas linhas vermelhas são ter um ‘R’ (índice de transmissibilidade) que não ultrapasse 1,1 pelo menos durante demasiados dias. Por isso, defendeu, Portugal tem ter uma percentagem de testes positivos abaixo dos 10%, sendo o ideal cerca de 5% de positividade.

“O resultado que podemos ver na percentagem de testes positivos é que enquanto em Portugal nós andamos sistematicamente atrás da incidência, e depois tivemos esta subida após o Natal, a Dinamarca conseguiu manter a percentagem de testes positivos relativamente baixa devido a esta resposta”, observou.

O objetivo é “muito simples: reduzir o número de casos muito depressa e não permitir que a curva epidémica suba”, ganhando tempo para “vacinar o maior número possível de pessoas o mais depressa possível”.

A incidência não deve ultrapassar os dois mil casos por dia, o que corresponderia aproximadamente a 1.500 pessoas hospitalizadas e cerca de 200 em cuidados intensivos.

Paralelamente, é preciso fazer “um grande esforço para travar a importação das variantes, através de ações decisivas nos pontos de entrada e saída do país”, e aumentar a vigilância que o Instituto Ricardo Jorge tem vindo a conduzir.

“Nós fomos sucessivamente adotando medidas de contingência, estado de emergência, medidas de confinamento, fins de semana etc, e andamos permanentemente sem conseguir travar de forma definitiva o crescendo da epidemia”, disse, advertindo que “a sociedade começa a dividir-se“, entre os que acham que as medidas são excessivas e os que consideram que são escassas.

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