Covid-19: Economia do Brasil pode desacelerar no primeiro trimestre

A reativação económica brasileira, iniciada no segundo semestre de 2020 após a paralisação forçada no início do ano passado devido à covid-19, poderá ser interrompida num curto prazo pelo recrudescimento da pandemia, disse hoje o Banco Central.

Covid-19: Economia do Brasil pode desacelerar no primeiro trimestre

Covid-19: Economia do Brasil pode desacelerar no primeiro trimestre

A reativação económica brasileira, iniciada no segundo semestre de 2020 após a paralisação forçada no início do ano passado devido à covid-19, poderá ser interrompida num curto prazo pelo recrudescimento da pandemia, disse hoje o Banco Central.

De acordo com o Comité de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, a suspensão dos auxílios do Governo para desempregados e famílias carenciadas enfrentarem a pandemia de covid-19 também terá impacto no ritmo da economia do país sul-americano.

Segundo a ata da última reunião do Copom, divulgada hoje, os indicadores do final do ano passado foram “surpreendentemente positivos, mas não consideraram os possíveis efeitos do recente aumento no número de casos covid-19”, nem o “arrefecimento” que a cessação dos auxílios do Governo provocará à economia do país.

O Brasil, que enfrenta agora uma segunda vaga da covid-19, é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (217.664, em mais de 8,8 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.

Além disso, com um processo de vacinação no país que está apenas a começar, a incerteza do mercado é elevada.

Soma-se a isso a suspensão dos subsídios estatais que o Governo de Jair Bolsonaro vinha concedendo desde abril do ano passado a mais de 66 milhões de brasileiros com escassos recursos para enfrentar a pandemia, que causará uma queda certa no consumo e aumentará o desemprego.

Em relação à taxa básica de juros, diversos membros do Copom manifestaram a intenção de elevar o mínimo histórico de 2% ao ano, mas decidiram mantê-la diante das incertezas atuais em função da pandemia e da atividade económica e fiscal do país.

No entanto, o Copom decidiu suspender o ‘forward guidance’ (orientação futura), que é intenção declarada pelo Banco Central não elevar a taxa básica de juros a curto prazo, porque “as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação do seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante da política monetária”.

Para este ano, o Banco Central projeta uma taxa de inflação em torno de 3,4%, enquanto prevê 3,5% para 2022.

O Brasil encerrou 2020 com uma inflação de 4,52%, a maior desde 2016 e acima do centro da meta de 4% fixada pelo Governo para o ano, mas dentro da margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.140.687 mortos resultantes de mais de 99,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

 

 

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