Covid-19: Conselho de Segurança vai discutir pandemia na 5.ª feira – diplomatas

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai discutir a situação de pandemia, pela primeira vez, na quinta-feira, após semanas de impasse entre os seus membros.

Covid-19: Conselho de Segurança vai discutir pandemia na 5.ª feira - diplomatas

Covid-19: Conselho de Segurança vai discutir pandemia na 5.ª feira – diplomatas

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai discutir a situação de pandemia, pela primeira vez, na quinta-feira, após semanas de impasse entre os seus membros.

Nações Unidas, 06 abr 2020 (Lusa) — O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai discutir a situação de pandemia, pela primeira vez, na quinta-feira, após semanas de impasse entre os seus membros, segundo fontes diplomáticas não identificadas pela AFP.

Há uma semana, e após dias de impasse devido a divergências entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, nove dos dez membros não permanentes — por iniciativa da Alemanha — reclamaram, formalmente, uma sessão devotada à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O pedido inclui a audição, nessa sessão, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que já disse estar disponível para se reunir com o Conselho de Segurança para abordar a pandemia e o seu apelo a um cessar-fogo global.

A reunião agendada para quinta-feira vai decorrer à porta fechada, às 20:00 (hora de Lisboa), segundo as mesmas fontes diplomáticas ouvidas pela AFP.

O Conselho de Segurança ainda não teve qualquer reunião consagrada à pandemia, nem avançou com uma declaração ou resolução comum.

Atualmente, existe um projeto de resolução apresentado pela Tunísia. Segundo a AFP, que teve acesso à primeira versão do texto, nele se apela a “uma ação internacional urgente para limitar o impacto” da pandemia e também a um “cessar-fogo humanitário mundial”, na senda do que pediu António Guterres.

Os membros não permanentes do Conselho — que rejeitam a ideia de um estatuto menor e preferem ser designados “membros eleitos” — manifestam crescente impaciência pelas recorrentes divisões que opõem Estados Unidos e China, com os primeiros a reclamar que o documento que venha a ser aprovado mencione a origem chinesa da pandemia.

Para além disso, Pequim e Moscovo têm-se mostrado reticentes em levar ao órgão uma questão de saúde, que não consideram ameaçadora para a paz e segurança no mundo. Este foi também o argumento da África do Sul para não se juntar ao grupo de membros não permanentes que reclama uma reunião sobre o assunto.

Segundo a AFP, a França — que está também a trabalhar num texto de resolução — preferia que houvesse uma reunião prévia entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm direito de veto — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia –, para aplacar as divergências.

O Conselho de Segurança não se reúne fisicamente desde 12 de março e só depois de muita negociação entre os seus membros conseguiu aprovar quatro resoluções, num procedimento inédito por email.

A maioria dos 15 membros do Conselho defende a realização de sessões por videoconferência, mas a Rússia tem-se oposto, com argumentos políticos e jurídicos, insistindo que essas reuniões sejam consideradas informais e fechadas ao público.

A República Dominicana, que assumiu a presidência rotativa do órgão a 01 de abril, já disse que tenciona fazer transmissão direta de algumas reuniões.

Por vontade do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a sede das Nações Unidas em Nova Iorque mantém-se simbolicamente aberta, apesar de a quase totalidade dos funcionários e diplomatas não se encontrarem nas instalações.

SBR (SCA) // PA

By Impala News / Lusa

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