Covid-19: Carta aberta propõe “grande oportunidade” para nova relação com a Terra

Quase uma centena de personalidades de vários setores da sociedade portuguesa enviaram uma carta aberta aos decisores políticos, onde sublinham que a crise causada pela covid-19 “é trágica”, mas “uma grande oportunidade” para uma nova relação com a Terra.

Covid-19: Carta aberta propõe

Covid-19: Carta aberta propõe “grande oportunidade” para nova relação com a Terra

Quase uma centena de personalidades de vários setores da sociedade portuguesa enviaram uma carta aberta aos decisores políticos, onde sublinham que a crise causada pela covid-19 “é trágica”, mas “uma grande oportunidade” para uma nova relação com a Terra.

Entre os subscritores da missiva enviada ao Presidente da República, primeiro-ministro e líderes parlamentares, contam-se nomes como o ator Ruy de Carvalho, os músicos Rui Veloso e Luís Represas, a atriz e ativista ambiental e animal Sandra Cóias (a primeira subscritora), o investigador em alterações climáticas Filipe Lisboa, o atleta Nelson Évora, o professor catedrático e presidente da Zero, Francisco Ferreira, o estilista Nuno Gama, o ator Joaquim de Almeida, ou Filipe Duarte Santos, professor catedrático e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.

“A crise sanitária causada pelo covid-19 é trágica, mas é também a nossa grande oportunidade de criarmos as bases para o nosso futuro numa nova relação entre o Homem e o Sistema Terra. Esta crise convidou-nos a perceber o que é essencial nas nossas vidas e a refletir sobre os hábitos e comportamentos que não só estão por detrás da sua origem, como potenciaram a sua globalização”, afirma os subscritores na carta enviada ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e aos líderes parlamentares.

Os assinantes, das mais variadas áreas da sociedade, como músicos, atores investigadores científicos, ativistas, desportistas, entre muitos outros, sublinham que a crise sanitária criada pela pandemia do novo coronavírus, “ensinou a restituir valor ao tempo, às relações e à solidariedade”.

“Sobre o aspeto económico e social, fez-nos refletir sobre os atuais modelos de crescimento; a maximização do lucro, os valores sobre os quais baseamos o nosso crescimento e os graves erros cometidos para com o planeta. O problema é sistémico e pequenos ‘ajustes’ não são suficientes. Não podemos ‘voltar ao normal'”, argumentam.

Sublinham que a crise sanitária e ecológica tem acentuado as desigualdades sociais e pedem medidas para contrariar a situação.

Na missiva, a que a Lusa teve acesso, os subscritores “pedem solenemente a todos os líderes – e a todos os cidadãos – para deixarem para trás comportamentos insustentáveis, antigos hábitos, que ainda permanecem, e que adotem uma profunda mudança de objetivos, valores, economia e também do sistema energético, substituindo os combustíveis fósseis por energias renováveis”.

“Este é um modelo mais justo, humano e sustentável. Para que tudo isso seja possível, precisamos de mudanças urgentes de renovação, regeneração e transformação, com políticas de justiça social, pois acreditamos que é impossível ‘voltar ao normal’, afirmam.

Os subscritores defendem também que “a humanidade tem que adotar uma forma de vida sustentável, através da cooperação tendo o bem-estar coletivo como valor maior, como objetivo, sendo necessária uma transformação radical, a todos os níveis, e isso requer atrevimento e coragem” por parte dos líderes políticos.

“A catástrofe ecológica e o declínio das espécies a que temos assistido em todo o mundo, e que nos coloca à beira do ponto de não retorno, é fruto da exploração desenfreada dos valores naturais e da destruição massiva da vida no planeta, da poluição – e disso não existem dúvidas – constituem uma direta ameaça à nossa existência na Terra”, sublinham.

Argumentam também que, “ao contrário de uma crise sanitária, por pior que seja, o colapso ecológico a nível global, terá consequências inimagináveis, como já foi indicado pelos cientistas em todo o mundo” e pedem “uma ação firme e imediata”.

“Só será possível, no entanto, com um compromisso massivo e empenhado de todos. Não só estamos perante uma situação de sobrevivência, como de coerência e dignidade como seres humanos. E a partir do nosso país podemos e devemos estar na senda desta mudança que queremos ver no mundo.

Restaurando a Terra, a Terra restaura-nos”, concluem.

Entre as muitas personalidades, assinam nomes como Maria João Pires (pianista), Gil Penha-Lopes (professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), Kaya Schwemmlein (Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável), Jieling Liu (Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável), Daniela Espanhol (Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável), Rui Vilhena (argumentista), Pedro Lima (ator), Alexandre da Silva (ator), Pepe Rapazote (ator), Helena Isabel (atriz), Pedro Abrunhosa (músico), Rita Ribeiro (atriz), Jorge Mourato (ator), Pedro Fernandes (apresentador), Marco Horácio (ator/comediante), Fernanda Freitas (jornalista), Maria Joao Bastos (atriz) ou Vitor Norte (ator).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 328 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.277 pessoas das 29.912 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,2 milhões contra cerca de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 133 mil contra mais de 169 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

 

ARA // HB

Lusa/Fim

 

By Impala News / Lusa

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