Como esta escola secundária levou os alunos a gostar da comida de refeitório

A aposta na qualidade dos ingredientes e na certificação dos cozinheiros fez a secundária Josefa d’Óbidos destacar-se com o aumento de refeições servidas no refeitório, em contraciclo com a maioria das escolas onde os alunos recusam a comida.

Como esta escola secundária levou os alunos a gostar da comida de refeitório

Como esta escola secundária levou os alunos a gostar da comida de refeitório

A aposta na qualidade dos ingredientes e na certificação dos cozinheiros fez a secundária Josefa d’Óbidos destacar-se com o aumento de refeições servidas no refeitório, em contraciclo com a maioria das escolas onde os alunos recusam a comida.

Entre setembro de 2018 e janeiro de 2019 o refeitório da Escola Josefa d’Óbidos serviu 18 mil almoços, testemunhando o crescimento da preferência dos estudantes pelas refeições confecionadas.

Em cinco meses, o número de refeições servidas aos 503 alunos da secundária de Óbidos, no concelho de Leiria, aumentou 20%, o que, segundo dados fornecidos pela câmara à agência Lusa, representa um crescimento de 3.000 refeições, em relação ao mesmo período do ano letivo anterior.

Tudo porque, explicou a vereadora com o pelouro da Saúde e Bem-Estar na câmara de Óbidos, Margarida Reis, “o município investiu na confeção das refeições, na matéria-prima e também na categoria [certificação] dos cozinheiros que fazem essa confeção”.

A par, acrescentou a vereadora, “houve um grande investimento na sensibilização” dos pais e dos estudantes, estes últimos acompanhados diariamente por “técnicas do município que ajudam os alunos a gostar da comida, que proporcionem que eles provem”, numa política de proximidade “fundamental para que esta evolução se tenha verificado”.

Na prática, a receita para incentivar os alunos a comer no refeitório passou, segundo a nutricionista, Inês Almeida, por “levá-los às cozinhas, fazer com que eles percebessem como é que a comida é confecionada, como é armazenada, e tentando fazer atividades práticas como wokshops ou ementas”.

A isso, a “Brigada da Cantina”, que diariamente anda pelo refeitório, junta uma ‘pitada’ de incentivo, convidando alunos que vinham só acompanhar outros “a provar um bocadinho” e explicando regras como a necessidade “de reduzir a quantidade de sal”.

O resultado são ementas saudáveis e variáveis, incluindo diariamente um menu vegetariano, fruta e, nos dias em que o prato é peixe, uma sobremesa.

Ingredientes que nos últimos cinco meses fizeram diminuir as idas aos cafés e grandes superfícies próximas da escola e aumentar a fila do refeitório, onde turmas como o 11.º ano de desporto levam nota máxima na assiduidade. “A comida melhorou, está diferente”, garantiu Fábio Saavedra, cliente diário dos pratos “preparados pelas cozinheiras” em detrimento da “comida enlatada ou rápida” que se encontra ‘fora’ da escola.

Já David Pereira e João Conceição destacaram “a qualidade e diversidade” das ementas da Escola Josefa d´Obidos, que, sublinhou este último, no distrito e na região “está acima dos patamares”.

O grupo que almoça na escola “todos os dias” garante que “a comida vem sempre bem confecionada” e, desde que existe acompanhamento da equipa de nutricionistas, tem ainda “mais melhorias”. A ideia da vereadora é alargar ao bar o sucesso alcançado no refeitório, através de um programa virado para os lanches escolares.

“Verificamos diariamente que os alunos não trazem para a escola o que é mais aconselhável para os lanches”, mas sim “o mais prático e mais fácil de comprar”, mesmo não sendo “o mais saudável”, disse.

A escola vai apostar na sensibilização aos encarregados de educação, convidados a visitar o refeitório e o bar onde as dinâmicas foram alteradas “para que os [seus]filhos possam comer de uma forma muito melhor”.

Um objetivo já conseguido no refeitório que, em setembro, no início do ano letivo serviu 2.361 refeições, mais 442 que no mesmo mês do ano letivo anterior. Em janeiro atingiu as 4.394 refeições, mais 870 que no período homólogo.

A manter-se o crescimento, a expectativa da escola é, até ao final do ano escolar, ultrapassar largamente as 27 mil refeições servidas no passado ano letivo.

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