Comédia “Um, dois, três” em cena a partir de dia 10 no Teatro do Bairro

A história de um banqueiro que tem uma hora para transformar um operário numa pessoa de outro estatuto é o centro da comédia “Um, dois, três!”, que se estreia na quarta-feira, no Teatro do Bairro, em Lisboa.

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Comédia “Um, dois, três” em cena a partir de dia 10 no Teatro do Bairro

A história de um banqueiro que tem uma hora para transformar um operário numa pessoa de outro estatuto é o centro da comédia “Um, dois, três!”, que se estreia na quarta-feira, no Teatro do Bairro, em Lisboa.

Da autoria de Ferenc Molnár (1878-1952), “Um, dois, três!” é uma comédia escrita em 1929 após a primeira viagem do escritor húngaro aos Estados Unidos da América e põe a descoberto as práticas capitalistas no ano em que a bolsa de valores de Nova Iorque registou a queda que ficou conhecida como “quinta-feira negra” e que veio a dar origem à devastadora crise económica.

Em declarações à agência Lusa, o encenador, António Pires, sublinhou que o texto de Molnár tem uma “muito grande contemporaneidade”.

Centrada na história de um banqueiro — o presidente Norrison, personagem interpretada por Adriano Luz -, a peça “é quase como aqueles contos” que se veem “em filmes, geralmente americanos” em que se tem de transformar “uma pessoa do povo em princesa”.

Norrison, dirigente de um grupo bancário de primeiro plano com sede numa grande capital europeia a quem a vida não podia correr melhor, está prestes a juntar-se à família para uma semana de férias na montanha.

No auge da glória, a personagem confronta-se com um problema: Lydia, filha de um milionário americano com quem o banqueiro espera fazer um negócio e que tem estado a passar uns meses na Europa ao cuidado da família Norrison, casou-se em segredo com um motorista de táxi comunista.

Face à decisão de os pais de Lydia a irem visitar, Norrison dispõe de uma hora para transformar o motorista de táxi no presidente da União de Fábricas de Automóvel.

Um operário que numa hora tem de ser transformado num capitalista “por conveniência”, sobretudo porque Norrison tem medo da mulher e não quer por nada desistir das férias na montanha.

Está dado o mote para um desfile de personagens, com alguns atores a desdobrarem-se em várias, dado que o protagonista não apenas “faz das pessoas o que quer”, porque as compra com dinheiro, como estas “não têm coluna vertebral nenhuma”, sublinhou António Pires.

Falsificação de documentos, personagens sem escrúpulos que se deixam corromper pelo dinheiro estão no centro da ação desta comédia, que trata “de assuntos muito sérios e de coisas sérias que [se veem] muito hoje em dia”, observou António Pires.

“Quando falamos disto conseguimos pensar logo em duas ou três pessoas, figuras, que funcionam assim. Independentemente destas pessoas mais mediáticas, também reconhecemos a sociedade ali, reconhecemo-nos quase todos ali nesta tentação pelas coisas materiais”, acrescentou o encenador.

Outra das razões para António Pires ter posto em cena esta peça, que lhe foi dada a conhecer pelo diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada, Rodrigo Francisco, que assina a tradução, deve-se ao facto de se tratar de um trabalho “absolutamente para um grande ator” dado exigir um “virtuosismo de comédia inacreditável”.

Já depois de ter visto o filme homónimo que Billy Wilder adaptou para o cinema, em 1961, transformando a obra numa “comédia de culto” que o encenador achou “muito, muito, muito divertida”, António Pires pensou de imediato em Adriano Luz para a protagonizar.

Sem nunca sair do palco, Adriano Luz dá vida ao presidente Norrison, uma personagem que passa o tempo de um lado para o outro a resolver situações à pressa, acabando por tornar o espetáculo numa “comédia de portas”.

A interpretar “Um, dois, três!” estão também Carolina Serrão, Duarte Guimarães, Francisco Vistas, Hugo Mestre Amaro, Jaime Baeta, João Barbosa, João Maria, Mariana Branco e Vera Moura.

O cenário é de Alexandre Oliveira, os figurinos de Luís Mesquita, o desenho de luz de Rui Seabra e o de som de Paulo Abelho.

Produzida pela Ar de filmes/Teatro do Bairro, a peça vai estar em cena nesta sala ao Bairro Alto até 05 de dezembro. Terá récitas de quarta a sexta, às 21:30, e aos domingos, às 18:00, tal como aos sábados, uma novidade introduzida pelo Teatro do Bairro nesta temporada.

Dando continuidade à parceria que a companhia tem com o Teatro da Terra, Companhia de Teatro de Almada e Theatro Circo, “Um, dois, três!” teve duas apresentações no Fórum Cultural do Seixal, nos últimos dias de outubro, e três representações em Almada, que terminam no domingo. No Theatro Circo, em Braga, será representada dias 09 e 10 de dezembro.

CP // TDI

By Impala News / Lusa

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