CO27: Linguagem e inclusão de limite para o aquecimento global atrasam acordo

Uma linguagem consensual sobre a criação de um fundo de compensações por perdas e danos, destinado aos países vulneráveis ao aquecimento global, e o controlo do mesmo abaixo dos 1,5 graus Celsius impedem a COP27 de fechar portas.

CO27: Linguagem e inclusão de limite para o aquecimento global atrasam acordo

CO27: Linguagem e inclusão de limite para o aquecimento global atrasam acordo

Uma linguagem consensual sobre a criação de um fundo de compensações por perdas e danos, destinado aos países vulneráveis ao aquecimento global, e o controlo do mesmo abaixo dos 1,5 graus Celsius impedem a COP27 de fechar portas.

Falhado que foi o prazo para a conclusão de um acordo final na Cimeira do Clima no Egipto (COP27) das Nações Unidas, previsto para sexta-feira, o texto final continua dependente do acerto dos negociadores na questão da constituição de um fundo de compensações por perdas e danos, destinado aos países em desenvolvimento mais vulneráveis ao aquecimento global, a ser suportado pelos países desenvolvidos que mais emissões de gases com efeito de estufa produzem.

Questões de “linguagem” parecem estar a prolongar as discussões na Babel em que se transformou a estância balnear egípcia no Mar Vermelho. A ministra francesa da Energia, Agnès Pannier-Runacher, descreveu a situação: “Existe um fosso entre o que foi compreendido por alguns países e o que foi compreendido por outros países”.

“O que está refletido no acordo não corresponde ao entendimento comum do documento”, acrescentou.

A União Europeia está a pressionar no sentido da adoção de uma linguagem formal no acordo que permita a expansão da base de doadores em qualquer novo programa de compensação de perdas e danos.

Várias vozes europeias insistiram, por outro lado, que o acordo final a sair das conversações climáticas da ONU deve incluir um compromisso de manter viva a meta do aquecimento global nos 1,5 graus Celsius (2,7 graus Fahrenheit), expressa no Acordo de Paris de 2015.

“Precisamos de obter um acordo sobre os 1,5 graus. Precisamos de palavras fortes sobre mitigação [que na linguagem climática deve ser entendida como redução de emissões] e é isso que vamos pressionar”, afirmou o ministro irlandês do Ambiente, Eamon Ryan, que é também o principal negociador europeu para a constituição do fundo para perdas e danos.

A negociadora alemã presente na COP27, Jennifer Morgan, apelou igualmente para que se mantenham os “1,5 graus à vista”, para se poder “manter as perdas e os danos sob controlo”.

Um grupo de estados conhecido como a Coligação de Alta Ambição, que inclui o Reino Unido e a Alemanha, apelou para que se chegue a um acordo que fixe expressamente o objetivo-chave do limite para o aquecimento global como parte do resultado final na COP27.

“Reunimo-nos para dizer que devemos sair da COP27 com um conjunto de resultados que mantenha viva a referência dos 1,5 graus e proteja os países vulneráveis no mundo”, resumiu a enviada das Ilhas Marshall à cimeira, Kristina Stege.

Os compromissos assumidos na cimeira têm que ser “fundamentados” na ciência, disse ainda Stege. Os cientistas climáticos advertiram que, se a terra aquecer mais de 1,5 graus Celsius, os desastres climáticos irão piorar significativamente.

“Esta decisão da COP27 deve colocar o mundo num caminho para a eliminação gradual de todos os combustíveis fósseis e uma transição urgente e justa para as energias renováveis”, acrescentou.

Este objetivo está, no entanto, a ser mal compreendido para alguns estados presentes em Sharm El-Sheikh. “Há um ‘lobby’ dos combustíveis fósseis muito forte…que está a tentar bloquear qualquer linguagem que produzimos”, explicou o ministro norueguês do Ambiente, Espen Barth Eide.

O plenário final da cimeira voltou novamente a ser adiado, poderá acontecer durante a madrugada de hoje, mas há já quem esteja disposto sair antes da assinatura final, caso não seja conseguida uma “linguagem” que dê corpo a um acordo justo.

“Poderemos sair, claro”, disse a vice-primeira-ministra e ministra espanhola para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico, Teresa Ribera.

“Não faremos parte de um resultado que consideremos injusto e não eficaz para resolver o problema que estamos a tratar, que é a alteração climática e a necessidade de reduzir as emissões”, afirmou Ribera, manifestando-se “preocupada” que o documento final possa não incluir a referência ao limite para o aquecimento global de 1,5 graus Celsius, fixado em Paris, em 2015.

APL // MLS

By Impala News / Lusa

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