Cientistas querem ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ consagradas em convenção da ONU

Cientistas querem que o conceito de ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ seja consagrado na Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, como nova ferramenta de proteção ambiental.

Cientistas querem 'Áreas Marinhas Protegidas Móveis' consagradas em convenção da ONU

Cientistas querem ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ consagradas em convenção da ONU

Cientistas querem que o conceito de ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ seja consagrado na Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, como nova ferramenta de proteção ambiental.

Redação, 16 jan 2020 (Lusa) – Cientistas querem que o conceito de ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ seja consagrado na Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar (UNCLOS), como nova ferramenta de proteção ambiental face às alterações climáticas.

Num artigo que será publicado na sexta-feira na revista científica Science, investigadores consideram que o processo de atualização da UNCLOS que está em curso, o primeiro desde a assinatura da convenção em 1982, é uma “oportunidade única” para introduzir a ideia de zonas protegidas que acompanhem as espécies à medida que se deslocam.

“Como é óbvio os animais movimentam-se, muitos deles circulam por vastas áreas de oceano. À medida que as alterações climáticas se instalam e alteram ecossistemas, se criamos delimitações estáticas é provável que os animais que tentamos proteger acabem por deixar de existir dentro dessas delimitações”, diz Sara Maxwell, principal autora do artigo científico, especialista em migrações de animais marinhos e professora na Universidade Washington, Estados Unidos.

A necessidade de criar vastas áreas marinhas protegidas é já consensual – uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas no que diz respeito à defesa da vida marinha é aplicar o estatuto de Área Marinha Protegida (AMP) a pelo menos 10% da superfície dos oceanos -, mas, argumenta o artigo a ser publicado na Science, mesmo a definição de AMP em grande escala não será suficiente para proteger espécies de grande mobilidade como tartarugas marinhas, baleias, tubarões e aves marinhas, cujas migrações atravessam oceanos inteiros.

Para Sara Maxwell, “no contexto das alterações climáticas, a maneira como as estratégias de proteção têm sido aplicadas até aqui não será eficaz no futuro. As espécies marinhas vão necessitar de proteção crescente e para isso serão necessárias ferramentas mais dinâmicas e inovadoras”, adaptadas à mobilidade das espécies que pretendem proteger.

Para sustentar a proposta de inclusão da ideia de ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ na UNCLOS os investigadores usaram dados de identificadores GPS colocados em animais migradores que transmitem informação via satélite e permitem rastrear as movimentações desses animais no espaço e no tempo. Ao ser combinada com outras informações, como as movimentações de navios e dados oceanográficos, a informação sobre as deambulações das espécies oceânicas permite criar sistemas de “gestão dinâmica” de áreas protegidas.

O artigo cita como exemplos de gestão dinâmica de AMP, o programa norte-americano ‘TurtleWatch’, que pede a colaboração voluntária de embarcações de pesca no sentido de não frequentarem águas a norte do Hawaii em determinadas alturas do ano para evitar capturas acidentais de espécies ameaçadas de tartarugas marinhas, e o dispositivo australiano de gestão de quotas de pesca de atum rabilho do sul (‘Thunnus maccoyii’) – uma espécie registada como ‘em estado crítico’ na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) -, que utiliza informação sobre as áreas onde é provável a presença da espécie para interditar essas áreas a navios de pesca de acordo com o preenchimento das quotas de captura.

“Novas tecnologias estão a tornar possível esta abordagem dinâmica à proteção oceânica, ao mesmo tempo que as alterações climáticas estão a torná-la muito necessária” afirma Sara Maxwell para apelar à comunidade internacional para que considere a nova abordagem na revisão da UNCLOS.

“Esperamos que a linguagem da convenção das Nações Unidas possa ser modificada para incluir explicitamente referências a ‘Áreas Marinhas Protegidas Móveis’ e a ‘gestão dinâmica de áreas marinhas protegidas’, para que estes conceitos passem a ser opções concretas de proteção de áreas cada vez maiores de oceano”, afirma a cientista.

Os outros autores do artigo que propõe o novo tipo de áreas marinhas protegidas são Kristina Gjerde, cientista da UICN; Melinda Conners, investigadora da Universidade de Stony Brook, Estados Unidos e Larry Crowder, investigador da Universidade de Stanford, também dos Estados Unidos.

JMR // ZO

By Impala News / Lusa

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