Cientistas da Champalimaud apresentam nova lei psicofísica para explicar outra com 185 anos

Cientistas do Centro Champalimaud apresentaram uma nova lei psicofísica, que descreve o tempo que se demora a tomar uma decisão, para explicar a Lei de Weber, que quantifica a variação da perceção de um estímulo físico, foi hoje divulgado.

Cientistas da Champalimaud apresentam nova lei psicofísica para explicar outra com 185 anos

Cientistas da Champalimaud apresentam nova lei psicofísica para explicar outra com 185 anos

Cientistas do Centro Champalimaud apresentaram uma nova lei psicofísica, que descreve o tempo que se demora a tomar uma decisão, para explicar a Lei de Weber, que quantifica a variação da perceção de um estímulo físico, foi hoje divulgado.

O trabalho dos investigadores do Centro Champalimaud, em Lisboa, foi publicado na revista da especialidade Nature Neuroscience.

A Lei de Weber (Lei de Weber-Fechner) foi originalmente postulada em 1834 pelo médico alemão Ernst Heinrich Weber para descrever estudos sobre levantamento de pesos. Posteriormente, foi aplicada à medição das sensações por Gustav Theodor Fechner, aluno de Weber.

Esta lei, que é considerada a mais antiga da ciência psicofísica, que estuda as relações dos estímulos físicos com as correspondentes sensações, estabelece que a variação da perceção de um estímulo físico é proporcional ao estímulo inicial desde que as suas intensidades sejam constantes.

A Fundação Champalimaud, à qual pertence o Centro Champalimaud, dá, num comunicado, um exemplo para ilustrar esta premissa: se uma pessoa acerta 75% das vezes quando compara um peso de um quilograma e um peso de 1,1 quilogramas, também acertará 75% das vezes ao comparar um peso de dois quilogramas e um de 2,2 quilogramas.

Numa experiência feita com ratos, e validada em humanos, a equipa de cientistas do Centro Champalimaud, liderada pelo espanhol Alfonso Renart, “descobriu que a Lei de Weber pode ser descrita como a consequência de uma nova lei da psicofísica, que envolve o tempo que demora a escolha e não apenas o desenlace da decisão”, refere o comunicado.

A nova lei, a que os cientistas chamaram “Equivalência Tempo-Intensidade na Discriminação”, liga a intensidade global de um par de sons ou cheiros ao tempo que demora a destrinçá-los. Por exemplo, quanto mais intensos os sons, mais curto o tempo de reação.

Segundo o mesmo comunicado, os investigadores conseguiram mostrar que “a natureza desta ligação era única e matematicamente precisa”, tendo obtido um modelo matemático que “descreve o processo cognitivo subjacente à Lei de Weber”.

Um dos próximos passos da equipa é perceber como é que o modelo matemático identificado é processado pelo cérebro.

“Queremos determinar sistematicamente quais são as áreas cerebrais relevantes para a nossa tarefa sensorial e como os neurónios [células] desses circuitos realizam os diversos elementos computacionais do modelo”, afirma Alfonso Renart, citado pela Fundação Champalimaud.

ER // JMR

By Impala News / Lusa

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