Ciclo de concertos homenageia Francisco de Lacerda em Lisboa e nos Açores

A obra do compositor açoriano Francisco de Lacerda é a base de um ciclo de concertos, que passa por Lisboa e pelos Açores, e junta obras antigas e novas composições, incluindo estreias mundiais, uma delas de Vasco Mendonça.

Ciclo de concertos homenageia Francisco de Lacerda em Lisboa e nos Açores

Ciclo de concertos homenageia Francisco de Lacerda em Lisboa e nos Açores

A obra do compositor açoriano Francisco de Lacerda é a base de um ciclo de concertos, que passa por Lisboa e pelos Açores, e junta obras antigas e novas composições, incluindo estreias mundiais, uma delas de Vasco Mendonça.

“A Música e o Mundo — Encontros Sonoros Atlânticos” arranca a 21 de agosto, no Castelo de São Jorge, em Lisboa, com o Drumming – Grupo de Percussão e o contratenor Rodrigo Ferreira, que interpretam uma obra de Philip Glass, além de peças inéditas de Vasco Mendonça e Ângela Ponte, em estreia mundial.

O compositor Vasco Mendonça respondeu ao repto de criar e programar em torno da obra do açoriano Francisco de Lacerda, “olhando para o futuro com um sentido de urgência; criando condições para que a sua música naturalmente importante por direito próprio servisse também como o catalisador de algo novo”, lê-se no texto de apresentação do ciclo.

Esta iniciativa chega aos Açores em setembro, no dia 07, começando por São Jorge, de onde Lacerda é natural, com um concerto do acordeonista João Barradas, na Fajã da Fragueira, em que interpretará “Canção Triste”, do homenageado, mas também a 3.ª “Suíte Inglesa”, em Sol menor, de Bach, “Otono Porteño” e “Inverno Porteño”, de Astor Piazzolla, “Hymn of Rememberance”, de Keith Jarrett.

Na ilha Terceira, a Ermida de Santo António da Grota, no Monte Brasil, recebe, a 10 de setembro, a pianista Joana Gama, que irá tocar “Das Buch der Klange” (“O Livro dos Sons”), do compositor alemão Hans Otte, um dos mais recentes projetos da pianista.

É em São Miguel que a viagem termina, com um primeiro concerto de Inês Simões e Daniel Godinho, que, no dia 15 de setembro, apresentam, no centro de artes Arquipélago, os “Wesendock Lieder”, de Richard Wagner, as “Trovas” de Lacerda, e fazem a estreia mundial de “Chants de Teika”, uma obra de António Chagas Rosa, inspirada pela lírica japonesa.

O programa encerra, no dia 18 de setembro, com um recital de Sandra Medeiros e Francisco Sassetti, na Igreja do Colégio dos Jesuítas, com temas de Francisco Lacerda, Freitas Branco e Vianna da Motta, bem como canções de teor mais popular.

Este ciclo de concertos é promovido pela Associação Cultural Francisco de Lacerda — A Música e o Mundo.

Francisco de Lacerda (1869-1934) foi um pianista, maestro e compositor português, natural da Ilha de S. Jorge, que se fixou em Paris, no final do século XIX, onde estudou com Charles Widor e Vincent d’Indy – a quem sucedeu na classe de Orquestra do Conservatório de Paris, por indicação do mestre -, entre outros protagonistas da modernidade da época.

Nome da chamada escola francesa, a par de Gabriel Fauré, Francis Poulenc, Paul Dukas ou Claude Debussy, com quem privou, Lacerda adquiriu notoriedade internacional sobretudo como maestro da Schola Cantorum, na viragem para o século XX, tendo trabalhado também com os regentes alemães Arthur Nikisch e Hans Richter.

Em vésperas da Grande Guerra de 1914-1918, regressou aos Açores, onde se dedicou à investigação da música tradicional, de que viria a resultar um primeiro “Cancioneiro Musical Português”, com melodias harmonizadas para canto e piano.

Foi um dos fundadores da associação Pró-Arte, e criou o projeto “Uma Hora de Arte”, em Lisboa, dedicado aos operários.

Na década de 1920, de novo em Paris, retomou a regência dos “Grands Concerts Classiques”. Em 1928, porém, a carreira internacional como maestro, cada vez mais reconhecida, cedeu à tuberculose.

De regresso a Portugal, retomou a investigação da música de origem popular, que manteve até à morte, em 1934.

Poemas sinfónicos, música para bailado, peças para órgão, piano, trios e quartetos de cordas, estão entre as suas principais obras, incluindo as miniaturas “Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste”.

 

ILYD // MAG

By Impala News / Lusa

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