Casal português que viaja pelo mundo há 10 meses gastou menos de 10 euros por dia

Casal português que viaja pelo mundo há 10 meses gastou menos de 10 euros por dia

Joana e Tiago conseguiram fazer os 19 mil quilómetros entre Painho, perto das Caldas da Rainha e Díli, em Timor-Leste, sem usar um único avião, viajando quase sempre à boleia e a gastarem menos de sete euros por dia para todas as suas despesas.

*** Por António Sampaio, da agência Lusa ***



Díli, 14 jan (Lusa) – Joana e Tiago conseguiram fazer os 19 mil quilómetros entre Painho, perto das Caldas da Rainha e Díli, em Timor-Leste, sem usar um único avião, viajando quase sempre à boleia e a gastarem menos de sete euros por dia para todas as suas despesas.


E se não fosse por algum receio de andar no mar – que Joana descobriu que tinha enquanto o casal saltitava de ilha em ilha, de ferry, entre Singapura, a Indonésia e Timor-Leste – no dia 22 de janeiro não teriam sequer que apanhar o primeiro voo, neste caso entre Díli e Darwin, no Norte da Austrália.


Esta viagem já os levou por 28 países e vai incluir 20 outros, sendo que além da ligação a Darwin só estão previstos mais 3 voos: entre a Austrália e a Nova Zelândia, daquele país para a América Latina e, finalmente, entre o Canadá e Lisboa, em agosto.


Quando partiram de Portugal, no início de março do ano passado, tinham como único objetivo percorrer o planeta unicamente à boleia, de mochila, sem pagar por dormidas ou restaurantes e com um mínimo de gastos possíveis.


“Fizemos as contas e nos primeiros 10 meses de viagem gastámos 1.975 euros. Ou mais ou menos 7,5 euros por dia. Queríamos provar que não é preciso ser-se rico para fazer a volta ao mundo”, conta Tiago Fidalgo à Lusa em Díli.


“Tínhamos um plafond e os nossos gastos são todos públicos. Mostramos que se pode dar a volta ao mundo sem gastar mais de 10 euros por dia. Há dias em que não gastamos nada e outros em que gastamos muito, como 70 euros num dentista”, sublinha Joana Oliveira.


Dormem em casas particulares – contactos que obtêm através de aplicações de partilha de espaços para dormir, como o ‘couchsurfing’ – comem em casa de quem os acolhe e aproveitam os mercados ou descontos nos supermercados.


Com mais tempo e menos receios de Joana o casal poderia ter feito toda a viagem sem usar uma única vez um avião, mas viagens longas no mar – fizeram deslocações em ferry, entre ilhas de 12 ou 16 horas – é algo que Joana prefere não fazer.


Joana, 27 anos, e Tiago, 26, escolheram a aventura como uma prolongada lua-de-mel (casaram-se em setembro de 2015): 18 meses para percorrer o planeta antes de embarcar noutras aventuras, como filhos.


Eram praticamente vizinhos, andaram na mesma escola, na mesma faculdade, a de Motricidade Humana, mas só se conheceram no Brasil onde ambos participavam num programa de intercâmbio da sua faculdade, em 2011.


Da geração dos recibos verdes – ambos estavam em trabalhos temporários ou precários – o casal optou por largar o que estava a fazer e embarcar numa aventura que, admite, os marcará para sempre.


Tiago, que completou o curso de Ciências do Desporto e depois um Mestrado em Educação Física), e Joana, que é licenciada em reabilitação psicomotora, admitem que no início alguns familiares e amigos os criticaram pela decisão de partir.


“A maior parte da nossa geração não está a trabalhar e ainda houve quem nos recriminasse por largar o trabalho. Mas a verdade é que estávamos os dois a recibos verdes e queríamos fazer esta aventura antes de ter filhos”, explica Joana.


Sempre à boleia, o casal atravessou a Europa, passou pela Ásia Central, atravessou a China – só numa deslocação à boleia neste país fizeram mais de 800 quilómetros – e depois viajou até à Singapura, onde teve que recorrer ao primeiro ferry, para a Indonésia.


“Até agora nunca pagámos para dormir. Temos uma tenda e mesmo em casos em que não temos casa onde ficar as pessoas deixam-nos montar as tendas. Noutras vezes ficamos ao lado de um posto da polícia ou de uma bomba de gasolina, especialmente se chegamos tarde”, conta Tiago.


E apesar de tanta gente e tantas viagens nunca viveram situações de perigo, tendo receio “um par de vezes” quando não confiaram muito nos condutores da boleia, ainda que tudo tenha corrido bem.


O futuro é, para já, completamente em aberto, ainda que tenham ficado “uns pozinhos” de possibilidade, como trabalhar na Ásia Central, a zona de que mais gostaram.


Os favoritos acabam por ser países onde praticamente não há turistas, onde apesar da pobreza e do subdesenvolvimento, as pessoas os saudavam por serem dos únicos que ali passavam.


De muitos deles levam souvenirs, mas sem nunca comprarem nada, e que vão enviando, pontualmente, para Portugal.


“Deram-nos todo tipo de coisas, toalhas, lençóis, chapéus, porta-chaves, hijabs, tudo. As pessoas recebem-nos e ainda ficam agradecidas por nos receber, por termos passado pelo seu caminho. Quando quem ficará gratos para sempre somos nós”, confessa Joana.



ASP



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