Caravanistas chegam ao Norte para acampar mas lamentam falta de condições e segurança

Os caravanistas que chegam ao Norte de Portugal confrontam-se com a quase inexistência de parques oficiais na região ou com espaços gratuitos, mas inseguros e sem saneamento básico ou eletricidade, e os residentes reivindicam regras para caravanismo selvagem.

Caravanistas chegam ao Norte para acampar mas lamentam falta de condições e segurança

Caravanistas chegam ao Norte para acampar mas lamentam falta de condições e segurança

Os caravanistas que chegam ao Norte de Portugal confrontam-se com a quase inexistência de parques oficiais na região ou com espaços gratuitos, mas inseguros e sem saneamento básico ou eletricidade, e os residentes reivindicam regras para caravanismo selvagem.

O jovem belga Nick Blommaer, 28 anos, e a namorada Julie Sanders, 26 anos, alugaram uma caravana para férias na Croácia, mas o mau tempo alterou-lhes os planos e o casal decidiu seguir viagem até ao Porto, cidade onde não encontraram um único lugar seguro e com as condições necessárias para pernoitar. Rumaram para Vila do Conde.

“As opções no Porto são limitadas e o existente [no Parque Biológico de Vila Nova de Gaia] estava completo”, contou à Lusa Nick Bloomaer.

Com a inexistência de um parque oficial para caravanas na cidade do Porto, o casal belga decidiu acampar junto aos estaleiros navais de Vila do Conde, em frente ao mar, um espaço grátis com vista mar e onde há metro perto para chegar ao Porto.

“Decidimos vir para Vila do Conde, porque tem metro para o Porto e há muito espaço. É um local calmo, com paisagens lindas e que, apesar de não ter facilidades, está perto do Porto”.

O casal belga refere que na aplicação de telemóvel a que acederam, os comentários referiam que os ‘spots’ para caravanistas no Porto não eram “completamente seguros” no caso de ter de deixar a caravana sozinha.

Adepta do caravanismo há cinco anos, Ana Maria Reis, 60 anos, natural de Chaves, lamenta que não exista saneamento e água no largo dos estaleiros navais de Vila do Conde para os caravanistas.

“Tudo o resto é maravilha (…). Só não temos é condições para despejar a cassete [esgotos]. Temos de fazer a descarga em casa ou então ir à Póvoa de Varzim”, explica, apelando às autoridades locais para colocarem saneamento e água.

O casal francês Pierre Guyonnet, 70 anos, e Marie Christine Guyonnet, 68 anos, acampou por estes dias no Parque Biológico de Gaia, espaço com nove alvéolos para caravanas, e confirma à Lusa que é de longe o melhor espaço que encontraram no Norte de Portugal.

“O Parque Biológico de Gaia é bom, mas não há nenhum guia turístico que nos indique sítios para fazer caravanismo na zona do Porto”, lamenta o casal francês oriundo de Bordéus, que apelou aos autarcas dos concelhos do Norte para desenvolverem mais locais nas cidades para receber caravanistas.

Dados do Parque Biológico de Gaia indicam que em 2017 a estrutura recebeu 4.903 utentes e em 2018 o valor aumentou para 5.365 utentes caravanistas, informou aquela estrutura, acrescentando que este ano, até 31 de agosto, receberam 3.807.

A Câmara Municipal do Porto assume que o fenómeno do caravanismo “existe efetivamente” na cidade do Porto e que é acompanhado pela Polícia Municipal quando em situação ilegal e selvagem”.

Os locais estão devidamente identificados e sinalizados, e estão sobretudo localizados ao longo da orla marítima, na Rua do Ouro, Jardim António Calem e Passeio Alegre, acrescenta a autarquia do Porto.

No largo do Lavadouro e do Mercado da Afurada, em Vila Nova de Gaia, os moradores lamentam e criticam os caravanistas que estacionam naquele espaço ao longo de vários dias “com fogareiros acesos”, “roupa estendida” e “cães presos às caravanas”.

Maria Elisa, 65 anos, moradora na Afurada, é da opinião que os caravanistas não deviam colocar as autocaravanas naquele largo durante semanas ou meses.

“A mim não me está a fazer diferença, mas acho que as caravanas deviam ir para outro lado, não era para aqui”, critica, explicando que uma das razões porque os caravanistas gostam daquele sítio é porque são “muito acolhedores” e porque podem lavar a roupa e secar na corda gratuitamente.

Apesar da tendência dos caravanistas pernoitarem cada vez mais no perímetro urbano, a Polícia Marítima diz que não têm tido levantamentos de autos no domínio público marítimo.

Segundo o comandante da Zona marítima do Norte, Cruz Martins, capitão-de-mar-e-guerra, “não há situações de problemas com autocaravanas na região”.

Nas cinco zonas protegidas a Norte, também não há registos de aumento de caravanistas a pernoitar.

Segundo o diretor do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) do Norte, Duarte Figueiredo, há efetivamente “visionamentos de caravanistas que circulam nas áreas protegidas” do Parque Nacional de Peneda do Gerês, Parque Natural Litoral Norte, Parque Natural Alvão, Parque Natural Montesinho e Parque Natural Douro Internacional, “mas não pernoitam”.

“[Os caravanistas] devem ficar mais dentro do perímetro urbano, porque os vigilantes da natureza apenas assinalam a presença pontual de caravanistas, mas não estão a prevaricar”, acrescenta.

CCM//LIL

By Impala News / Lusa

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