“Canto da Europa” de Jacinto Lucas Pires estreia-se sexta-feira em Lisboa

Problemas de vocação, estudantes que não sabem o que querem, crises de meia-idade, relacionamentos inesperados são temas de “Canto da Europa”, a nova peça de Jacinto Lucas Pires, a estrear-se na sexta-feira, em Lisboa.

“Canto da Europa” de Jacinto Lucas Pires estreia-se sexta-feira em Lisboa

Problemas de vocação, estudantes que não sabem o que querem, crises de meia-idade, relacionamentos inesperados são temas de “Canto da Europa”, a nova peça de Jacinto Lucas Pires, a estrear-se na sexta-feira, em Lisboa.

“Ouve esta palavra que é uma voz que é muitas vozes que é um fio muito fino que te atravessa a cabeça, atravessa o crânio, que te entra a cabeça como quem entra numa bela cidade nova há muito conhecida e jamais vista” – assim começa a peça com texto e encenação de Jacinto Lucas Pires que conta a história de 24 horas de vida de uma cidade – Europa.

Em estreia no Teatro Nacional D. Maria II, trata-se de um texto em que um coro lança uma palavra à cabeça dos espectadores para dar início a uma história composta por várias histórias de cidadãos que se vão metamorfoseando uns nos outros.

Escrito há cinco anos, numa altura em que a Europa “talvez até se confrontasse com problemas mais complicados”, como disse Jacinto Lucas Pires aos jornalistas no final de um ensaio para a imprensa, este espetáculo resultou de, a determinada altura, o autor ter querido “brincar um bocadinho com a ideia de que o teatro era o novo jornalismo e com a ideia de o teatro documental estar gasto”.

“Canto da Europa” não se limita, porém, a isso, observou o autor, acrescentando ter elaborado o texto também a partir de artigos que foi lendo da imprensa.

Deirdre, uma rapariga irlandesa que decide ser atriz ao ver passar Michel Piccolo na rua, Roberto, o pai da filha que fugiu para a Síria, Paola, a italiana que anda a aprender a ser avó, a alemã Ingrid e a sua amiga Alice, ou a portuguesa Cátia, são personagens de “Canto da Europa”, com os atores a trabalharem o espetáculo à laia de coro como se buscassem um elo de união e de ligação.

“Canto da Europa” é também uma peça para a qual Jacinto Lucas Pires solicita a imaginação do espectador, que considera estar a perder-se no teatro. “Não sei se com a Internet ou com modelos mais televisivos que nós vamos utilizando no teatro, mas está a perder-se”, disse.

Não é, pois, por acaso, que haja uma personagem no espetáculo que foi criada para “criar buracos negros e espaços em branco”.

“Essa espécie de ausências, de buracos que nos fazem imaginar, que nos põem a ter de projetar algo que é nosso nas histórias que vêm de outro sítio”, indicou o autor e encenador.

Num cenário onde predomina o negro, com os figurinos a serem compostos por macacões pretos sobre blusas brancas, a encenação parte também da ideia de como preencher espaços em branco, disse.

“Nós lemos um poema e, às vezes, nos grandes poemas — estou a pensar na Sophia de Mello Breyner, por exemplo — o espaço em branco que vem a seguir ao poema é o que parece ser realmente o poema depois de lermos. É isso que segura as palavras. E às vezes parece-me que falta isso no teatro ou nalgum teatro que se vê agora”, argumentou.

Nesta peça, Jacinto Lucas Pires disse ainda ter insistido na ideia de “como [se pode] esburacar mais o palco para conseguirmos realmente voltar a imaginar”.

Em cena até 26 de janeiro na sala Estúdio, “Canto da Europa” tem representações às quartas-feiras e sábados, às 19:30, às quintas e sextas-feiras, às 21:30, e, aos domingos, às 16:30. No dia 19 de janeiro haverá uma conversa com os artistas após o espetáculo enquanto a última récita terá interpretação em língua gestual portuguesa.

O livro com o texto da peça, uma edição do Teatro Nacional D. Maria II e da Bicho-do-Mato, será lançado no dia 19, após o espetáculo, embora esteja disponível na Livraria do Teatro já no dia da estreia da peça.

“Canto da Europa” é interpretado por Anabela Faustino, André Simões, Carolina Passos-Sousa, Diana Lara, Isaías Viveiro, Ivo Alexandre, Joana Pialgata, José Neves, Lúcia Maria, Paula Diogo, Paula Mora e Pedro Moldão.

A cenografia e figurinos são de Sara Amado, o desenho de luz de Nuno Meira e a produção executiva de Margarida de Lopes Grilo e Tiago da Câmara Pereira.

“Canto da Europa” é uma coprodução do D. Maria II, Ninguém, Cine-Teatro Louletano, Teatro Aveirense e teve apoio à produção do Convento de S. Francisco de Coimbra.

CP // TDI

By Impala News / Lusa

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