Cientistas testam com sucesso vacina contra cancro agressivo da pele

Cientistas luso-israelitas testaram com sucesso uma vacina contra o melanoma metastático, um cancro agressivo de pele que se dissemina por outros órgãos, tendo aumentando a sobrevivência de ratinhos em laboratório, o que pode ser promissor para travar a doença.

Cientistas testam com sucesso vacina contra cancro agressivo da pele

Cientistas testam com sucesso vacina contra cancro agressivo da pele

Cientistas luso-israelitas testaram com sucesso uma vacina contra o melanoma metastático, um cancro agressivo de pele que se dissemina por outros órgãos, tendo aumentando a sobrevivência de ratinhos em laboratório, o que pode ser promissor para travar a doença.

O estudo, coordenado em Portugal pela investigadora Helena Florindo, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, foi publicado esta segunda-feira, 5 de agosto, na revista científica britânica Nature Nanotechnology. A vacina experimental foi usada em ratinhos com melanoma metastático, um tipo de cancro da pele em que os doentes respondem pouco à imunoterapia (tratamento em que são ativadas as células do sistema imunitário para combater o tumor).

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Vacina não atua no tumor, mas nas células do sistema imunitário

No caso, a equipa de Helena Florindo, em parceria com um grupo de trabalho da Universidade de Tel Aviv, de Israel, criou uma vacina capaz de «treinar» o sistema imunitário para reagir contra marcadores biológicos das células tumorais e destruir apenas estas células, evitando efeitos adversos em células ou órgãos saudáveis (como sucede com a quimioterapia).

A cientista explicou à Lusa que a vacina tem na sua composição um açúcar simples (manose) e uma sequência de dois péptidos (frações de proteínas) que está presente nas células de melanoma. A vacina não vai atuar no tumor, mas nas células dendríticas, que fazem parte do sistema imunitário, que protege o organismo contra agentes invasores.

Segundo Helena Florindo, estas células «vão reconhecer a vacina e torná-la visível» a outras células do sistema imunitário, os linfócitos T, que desempenham um papel fundamental na autodestruição de células cancerígenas. No fundo, as células dendríticas «vão mostrar» às células T que «é contra esses péptidos [inoculados na vacina] que têm de reagir», adiantou a investigadora da Universidade de Lisboa.

Na experiência que fez com ratinhos com cancro da pele metastático, a equipa de cientistas descobriu que a vacina só funciona na prática se, em paralelo, for administrado um fármaco, o ‘ibrutinib’, que vai travar a função das células imunossupressoras, células que inibem a resposta imunitária do organismo e que os investigadores detetaram nos tumores dos roedores em associação com a diminuição de linfócitos T.

Tratamento para cancro da pele testado em ratos que comprovam sucesso

Os roedores que receberam como tratamento três doses de vacina – uma dose por semana – em combinação com imunoterapia para o melanoma mais agressivo e a droga ‘ibrutinib’ mantinham-se vivos em 70% dos casos ao fim de dois meses. Em contrapartida, os ratinhos que só foram sujeitos a imunoterapia combinada com a droga sobreviveram em 20% das situações decorrido o mesmo tempo e os vacinados e tratados em simultâneo com imunoterapia continuaram vivos apenas em 7% dos casos. Os animais que não receberam qualquer tipo de tratamento morreram passados 28 dias.

Antes de testarem o efeito terapêutico da vacina nos ratinhos doentes, os cientistas verificaram o seu efeito profilático, quando os roedores foram vacinados antes de desenvolverem um cancro agressivo: metade dos animais sobreviveram «durante um longo tempo» após terem recebido igualmente três doses da vacina experimental, combinada com imunoterapia contra o melanoma metastático.

Num próximo passo, a equipa científica, que pretende patentear a vacina e produzi-la à escala industrial para a testar novamente em animais e depois em humanos, vai estudar as implicações da vacina no cancro do pâncreas, cujos doentes têm uma sobrevida «muito baixa».

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