Campanha de vacinação contra sarampo pretende proteger 67 mil crianças na RDCongo

Profissionais de saúde lançaram uma campanha de vacinação contra o sarampo junto de 67 mil crianças em Ituri, região no nordeste da República Democrática do Congo, devastada pelo conflito armado e pelo vírus do Ébola, anunciou hoje a Unicef.

Campanha de vacinação contra sarampo pretende proteger 67 mil crianças na RDCongo

Campanha de vacinação contra sarampo pretende proteger 67 mil crianças na RDCongo

Profissionais de saúde lançaram uma campanha de vacinação contra o sarampo junto de 67 mil crianças em Ituri, região no nordeste da República Democrática do Congo, devastada pelo conflito armado e pelo vírus do Ébola, anunciou hoje a Unicef.

De acordo com a agência das Nações Unidas, que apoia a campanha em parceria com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), existem relatos de pelo menos 1.981 mortes devido ao sarampo na RDCongo este ano, mais de dois terços crianças com menos de 5 anos de idade. Em junho último, estavam contabilizados perto de 115.000 casos suspeitos de sarampo, quase o dobro dos 65.000 registados em 2018, segundo a Unicef.

Em Ituri, uma das duas províncias da RDCongo — Kivu do Norte é a segunda – atingidas pelo segundo surto de Ébola mais mortal da história registaram-se mais de 5.400 de sarampo e 50 mortes desde que o vírus do Ébola atingiu a região, há quase um ano.

“A ameaça combinada do Ébola e do sarampo para os milhares de famílias que vivem em campos de refugiados sobrelotados e insalubres, não tem precedentes”, alertou o representante da Unicef na RDCongo, Edouard Beigbeder, citado no comunicado.

“Temos uma pequena janela de oportunidade para evitar uma potencial grande perda de vidas”, acrescentou.

A campanha de vacinação contra o sarampo foi iniciada em quatro campos de deslocados em Bunia, Ituri, que receberam um enorme número de famílias migrantes nos últimos meses. O limite de um acampamento, localizado ao lado do Hospital Geral de Bunia, fica a menos de 100 metros de distância de um centro de tratamento de Ébola. Está também a menos de três quilómetros das zonas de Bunia onde se registaram cinco casos de Ébola, dois deles nas últimas três semanas, avança o comunicado.

O surto de Ébola impõe à campanha de vacinação contra o sarampo medidas adicionais para proteção contra a infeção e requer uma triagem meticulosa. “Os profissionais de saúde necessitam de se proteger com aventais para evitar o contacto com sangue ou outros fluídos corporais”, explica-se ainda no comunicado.

“Um dado adicional que eleva ainda mais a complexidade desta campanha, é que alguns dos primeiros sintomas do Ébola – febre, vermelhidão ao redor dos olhos, diarreia – são praticamente indistintos dos do sarampo, malária ou cólera – todos prevalentes, especialmente em locais de deslocamento severamente congestionados”, segundo a Unicef.

Em 8 de Julho, havia registo de 2.428 casos de Ébola, com 1.641 mortes. Quase 30 por cento dos casos são crianças.

Acredita-se que até 400.000 pessoas estejam deslocadas internamente em Ituri, a grande maioria delas mulheres e crianças. Muitos vivem nos cerca de 35 campos espalhados pela província, em território praticamente inacessível devido à insegurança. A luta entre vários grupos armados danificou ou destruiu até metade das instalações de saúde e as escolas da província.

“A parte nordeste da República Democrática do Congo acolhe uma das piores crises humanitárias dos dias de hoje. Seja de sarampo, Ébola ou a realidade de viver num campo de refugiados, as crianças correm um sério risco. Devemos fazer tudo o que pudermos para as proteger”, alertou ainda Edouard Beigbeder.

APL // VM

By Impala News / Lusa

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