Cada vez há mais doentes em situação crítica por recorrerem a «falsas atividades curativas»

Cada vez há mais doentes em situação crítica por recorrerem a «falsas atividades curativas»

As ordens dos médicos da Península Ibérica avisam que são crescentes os casos de doentes em situações críticas por recorrerem a pseudoterapias ou a pseudociência e apelam a que se aperte o controlo sobre “falsas atividades preventivas e curativas”.

Numa reunião que decorreu no final da semana passada, os representantes médicos analisaram a “crescente proliferação de casos de doentes em situações críticas” pelo uso de pseudoterapias, que não são baseadas na evidência científica nem estão validadas pela comunidade científica.

O apelo dirigido aos responsáveis políticos e às autoridades surge numa declaração assinada em Madrid por representantes da Ordem dos Médicos de Portugal e da sua congénere espanhola — Consejo General de Colegios Oficiales de Médicos de España.

O bastonário dos Médicos de Portugal, Miguel Guimarães, explicou à agência Lusa que grande parte desses casos resulta de atrasos nos diagnósticos enquanto as pessoas se submetem a supostas terapias sem qualquer validade científica ou efeito.

Ordens dos médicos pedem para ser criada legislação que combate as pseudoterapias

Na declaração de Portugal e Espanha, hoje divulgada, as duas ordens dos médicos apelam aos responsáveis políticos para criar legislação que combata as pseudoterapias e a pseudociência e para apertar o controlo à divulgação ou aplicação de “falsas atividades preventivas e curativas”.

O documento esclarece que pseudoterapia é toda a oferta de cura de doenças ou de alívio de sintomas e melhoria da saúde usando procedimentos, técnicas, produtos ou substâncias baseadas em crenças ou em critérios sem evidência científica ou sem validação e que são falsamente apresentadas como científicas.

Estas terapias são “fraude à saúde”

As duas ordens apelam a que todos os atos de pseudociência ou de falsas terapias sejam denunciados, por constituírem uma “fraude à saúde” e querem que todas essas práticas sejam “expressamente proibidas e excluídas de qualquer sistema de saúde”, sendo consideradas como práticas que atentam contra a saúde pública e contra a segurança dos doentes.

A declaração indica ainda que todo o médico tem obrigação de informar o doente de que as pseudoteapias não são uma especialidade médica. Aliás, as duas ordens consideram que a profissão médica tem de “aprofundar aspetos como a relação médico-doente” ou a comunicação pessoal, como forma de “evitar o recurso às pseudociências e pseudoterapias”.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal este devia ser “um assunto de Estado”. Miguel Guimarães indica que a ministra da Saúde de Espanha está disponível para “combater as falsas terapias” e que será promovido um encontro com a ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, para em conjunto desenvolver ações “de combate à não ciência ou à pseudociência”.

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