Cabo Verde investe 1,2 ME em central fotovoltaica para dessalinizar água do mar

A unidade dessalinizadora de água do mar em Porto Novo, na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, vai passar a ser alimentada por uma central fotovoltaica, num investimento de 1,2 milhão de euros, segundo os promotores do projeto.

Cabo Verde investe 1,2 ME em central fotovoltaica para dessalinizar água do mar

Cabo Verde investe 1,2 ME em central fotovoltaica para dessalinizar água do mar

A unidade dessalinizadora de água do mar em Porto Novo, na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, vai passar a ser alimentada por uma central fotovoltaica, num investimento de 1,2 milhão de euros, segundo os promotores do projeto.

De acordo com o Estudo de Impacto de Ambiental desta central, em consulta pública, o projeto da Central Solar Fotovoltaica com Armazenamento, recorrendo a 1.620 módulos fotovoltaicos, numa potência instalada de 729 Quilowatts-hora (kWh), servirá a Águas de Porto Novo (APN), sendo promovido pelas empresas Electra e Águas de Ponta Preta, no âmbito de um acordo de colaboração rubricado em 2018.

A central fotovoltaica, de acordo com o documento, consultado hoje pela Lusa, ocupará uma área de dois hectares em Chã de Bombardeira, a sul da cidade de Porto Novo, e deverá estar concluída no prazo de dez meses, assegurando as necessidades de eletricidade para a central de dessalinização, que produz diariamente 1.000 metros cúbicos de água para abastecimento à população, levando à “redução do custo elétrico na produção de água” na ilha de Santo Antão.

Permitirá, segundo os promotores, a “redução dos custos em energia elétrica no processo de dessalinização de água do mar”, bem como “garantir a sustentabilidade com recursos autóctones naturais, reforçando a transição energética com energias renováveis no nexo energia-água, promovendo a geração distribuída e contribuindo para a redução da importação de combustíveis de origem fóssil e das emissões de gases do ‘efeito estufa'”.

Os combustíveis fosseis garantem atualmente cerca de 80% da eletricidade produzida nas centrais de Cabo Verde, atividade afetada pela escalada do preço dos produtos petrolíferos no mercado internacional desde 2021.

O Governo cabo-verdiano aprovou um plano que prevê a meta de 30% de produção de eletricidade através de fontes renováveis até 2025 e mais de 50% até 2030, face aos atuais cerca de 20%, essencialmente produzida através de parques eólicos.

Por outro lado, o arquipélago enfrenta dificuldades no acesso a água potável, vivendo uma seca severa há mais de três anos, o que levou o Governo a massificar os projetos de dessalinização de água do mar para abastecimento à população e produção agrícola.

Constituída em 2005, a APN é detida pelo Estado de Cabo Verde (10%), Câmara Municipal de Porto Novo (10%) e Águas de Ponta Preta (80%), sendo a primeira parceria público-privada do país para promover uma infraestrutura hidráulica destinada a um serviço básico.

A empresa opera como produtor independente de água dessalinizada e ao fim de mais de 15 anos já forneceu 2,59 hectómetros cúbicos de água potável, afirmando ter transformado a cidade de Porto Novo “num dos núcleos urbanos com maior disponibilidade e acesso de água potável de qualidade”.

PVJ // PJA

By Impala News / Lusa

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