Búzio com 18 mil anos ainda funciona como instrumento de sopro

Um búzio com pelo menos 18 mil anos, descoberto numa caverna nos Pirenéus franceses, ainda funciona como instrumento de sopro, cujo som foi revelado por uma equipa multidisciplinar de investigadores.

Búzio com 18 mil anos ainda funciona como instrumento de sopro

Búzio com 18 mil anos ainda funciona como instrumento de sopro

Um búzio com pelo menos 18 mil anos, descoberto numa caverna nos Pirenéus franceses, ainda funciona como instrumento de sopro, cujo som foi revelado por uma equipa multidisciplinar de investigadores.

Um búzio com pelo menos 18 mil anos, descoberto numa caverna nos Pirenéus franceses, ainda funciona como instrumento de sopro, cujo som foi revelado por uma equipa multidisciplinar de investigadores.

A concha de búzio da espécie ‘Charonia lampas’, que em Portugal é conhecida como ‘buzina’, foi encontrada na caverna de Marsoulas, a primeira caverna decorada com pinturas rupestres encontrada nos Pirenéus, em 1931 e passou despercebida até ao estudo publicado esta quarta-feira, 10 de fevereiro, no boletim científico Science Advances, que classifica a concha como o mais antigo instrumento de sopro do seu tipo. A equipa multidisciplinar incluiu investigadores do museu de Toulouse, do Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS), da Universidade de Toulouse e do museu Quai Branly-Jacques-Chirac.

Para confirmar a hipótese de que a concha servia para produzir sons, os cientistas contaram com a ajuda de um músico especialista em trompa, que conseguiu produzir três sons próximos a notas musicais.

Durante um inventário do material recolhido nas escavações arqueológicas, a maioria mantida no Museu de Toulouse, os cientistas ‘redescobriram’ e estudaram as possíveis funções da concha, que apresentava a ponta cortada formando um orifício com 3,5 centímetros de diâmetro.

“Tratando-se da parte mais dura da casca, o corte claramente não foi acidental, enquanto na extremidade oposta a abertura da concha mostra entalhes e uma tomografia revelou que uma das primeiras voltas da concha”, refere um comunicado do CNRS sobre o estudo da concha.

A concha tinha também vestígios de ter sido decorada com hematite, um pigmento vermelho, à base de óxido de ferro, característico das decorações da caverna de Marsoulas, o que indica o estatuto de objeto simbólico.

Como a abertura é irregular e coberta por um revestimento, os investigadores presumem que um bocal teria sido colocado no orifício, como é o caso de conchas mais recentes guardadas na coleção do Musée du Quai Branly – Jacques Chirac.

A primeira datação por carbono 14 de objetos encontrados na caverna, realizada num pedaço de carvão e num fragmento de osso de urso do mesmo período arqueológico da concha, forneceu uma data de cerca de 18 mil anos.

Até hoje, apenas flautas foram descobertas em contextos anteriores do Paleolítico Superior europeu; as conchas encontradas fora da Europa são “muito mais recentes”.

“Além de nos mergulhar nos sons produzidos pelos nossos antepassados Magdalenianos, esta concha reforça a ideia de trocas entre os Pirenéus e a costa atlântica, a mais de 200 quilómetros de distância”, escreveram os autores.

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