Brasil e independências africanas fatores decisivos no “crescente interesse” pelo português – CPLP

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse hoje que o Brasil e as independências dos países africanos lusófonos foram dois fatores decisivos para “o crescente interesse” que atualmente existe pelo português no mundo.

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Brasil e independências africanas fatores decisivos no “crescente interesse” pelo português – CPLP

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse hoje que o Brasil e as independências dos países africanos lusófonos foram dois fatores decisivos para “o crescente interesse” que atualmente existe pelo português no mundo.

Para o embaixador Francisco Ribeiro Telles “a promoção e a difusão da língua portuguesa”, nos últimos anos “percorreu caminhos ainda há pouco inimagináveis” e isso deve-se, na sua opinião, a dois fatores essenciais, que têm a ver com os países da CPLP.

“Dois fatores contribuíram decisivamente para a expansão e difusão do português, por um lado a dimensão geográfica e demográfica do Brasil, conservando uma unidade linguística invulgar e, por outro, as independências, há quase meio século, dos países africanos, os Estados-membros [da CPLP] que assumiram a língua portuguesa como língua nacional e que contribui todos os dias para a coesão social nos respetivos países”, afirmou Ribeiro Telles.

O secretário executivo da CPLP falava na sessão solene que assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O diplomata aproveitou a ocasião para relembrar que a sessão solene decorria no mesmo espaço onde há quase 25 anos nasceu a CPLP, “uma organização jovem, sobretudo se a compararmos com as suas organizações congéneres”, frisou.

Mas que “fez da língua portuguesa a sua matriz identitária, por isso nos seus estatutos o seu primeiro pilar, e seu principal elemento é a língua”.

Uma língua em relação à qual, como secretário executivo da organização, tem notado um “interesse crescente”.

O português, enumerou, tem “260 milhões de falantes, é a quinta língua à escala global, terceira língua europeia mais falada no mundo, a primeira no hemisfério sul, língua de trabalho de diversas organizações internacionais, como a União Africana, a SADC, o Mercosul e a União Europeia, e com a perspetiva de no final do século atingir 500 milhões de falantes [projeções da Nações Unidas], sobretudo tendo em conta as projeções demográficas para a África”.

Por isso, sublinhou que o interesse pelo português vem de todos os continentes.

“O interesse que vem dos mais diferentes quadrantes, bem definido pelas organizações que se querem juntar às atividades da CPLP”, acrescentou, referindo-se aos países querem tornar-se observadores associados da organização: “São países que vêm dos quatro continentes”, como os Estados Unidos da América, Costa do Marfim, Índia e Espanha.

Segundo Ribeiro Telles, “de três [países, em 2014 e 19 atualmente], esse número poderá crescer, na próxima Cimeira de chefes de Estado e de Governo, em Luanda, para cerca de 30 parceiros, dos mais variados blocos geopolíticos”.

Numa mensagem transmitida na cerimónia de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde, país que exerce a presidência rotativa da CPLP, referiu que o português “abre a porta para um maior conhecimento e potencia ainda mais as possibilidades de crescimento económico, aumento do espaço político e afirmação cultural”.

O chefe de Estado cabo-verdiano considerou que “a diversidade de povos e culturas que utiliza este idioma funciona como grande poder atrativo para estudantes e empresários, entre outros, de várias partes do mundo”, sublinhando que “a criação de um dia internacional da língua portuguesa deve servir para a sua promoção, divulgação e ensino em redes de escolas, universidade e leitorados espalhados pelo mundo”.

Para Jorge Carlos Fonseca, a música e sobretudo a literatura “são a forma por excelência” da disseminação do português, bem como outras artes, a ciência, a investigação e a criação de conhecimento.

“Estou convencido de que a esta língua está reservado um futuro muito promissor, uma via de sucesso na sua riqueza e diversidade, nas várias línguas portuguesas e sotaques que existem nela”, disse, defendendo que o português “é o maior legado” que se pode deixar às gerações futuras.

Para as celebrações de 05 de maio, a CPLP adotou, para este ano, o tema “Promoção e Difusão da Língua Portuguesa: Estratégias Globais e Políticas Nacionais”, com cerca de uma centena e meia de atividades.

No quadro deste programa, o secretariado executivo da CPLP lançou, em 13 de abril, um ciclo de debates, o terceiro a decorrer hoje, com o tema “Português, Língua de Cultura, Ciência e Inovação”.

Na sessão solene, presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, com a intervenção do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, ouviram-se ainda mensagens em vídeo do secretário-geral da ONU, António Guterres, bem como do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa.

No evento foi ainda a entregue o Prémio de Literatura dstangola/Camões ao escritor angolano Pepetela, distinguido pela sua mais recente obra “Sua Excelência, de Corpo Presente”.

O prémio, instituído pelo grupodst, distingue anualmente um autor nascido em Angola.

O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi instituído em novembro de 2019, durante a 40.ª sessão da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O programa nacional das comemorações inclui iniciativas em Portugal, promovidas pelas áreas dos Negócios Estrangeiros, Cultura, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Educação, bem como mais de 150 atividades em 44 países de todas as grandes regiões do mundo.

A CPLP tem como Estados-membros, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ATR/VM // LFS

By Impala News / Lusa

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