Bolsonaro não assina Prémio Camões de Chico Buarque

Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deu a entender que não assinará o diploma do Prémio Camões concedido ao compositor e escritor Chico Buarque, cuja entrega formal está prevista para abril do próximo ano, em Portugal.

Bolsonaro não assina Prémio Camões de Chico Buarque

Bolsonaro não assina Prémio Camões de Chico Buarque

Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deu a entender que não assinará o diploma do Prémio Camões concedido ao compositor e escritor Chico Buarque, cuja entrega formal está prevista para abril do próximo ano, em Portugal.

Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deu a entender que não assinará o diploma do Prémio Camões concedido ao compositor e escritor Chico Buarque, cuja entrega formal está prevista para abril do próximo ano, avança o jornal Folha de São Paulo. Segundo a publicação, Bolsonaro,  ao ser questionado sobre a assinatura do documento, respondeu que a decisão era “segredo”, acrescentando: “Até 31 de dezembro de 2026, assino”. “A cerimónia de entrega do Prémio Camões a Chico Buarque realizar-se-á em Portugal, conforme ditam as regras, na data que for conveniente a quem entrega e a quem recebe o Prémio. Está em curso o processo para marcação da data”, disse fonte do Ministério da Cultura à Lusa.

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A data referida por Bolsonaro coincide com o final do um segundo mandato presidencial

A data referida por Bolsonaro coincide com o final do um segundo mandato presidencial, caso fosse reeleito em 2022 Chico Buarque é um apoiante do Partido dos Trabalhadores (PT), defensor do ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e crítico do governo de Jair Bolsonaro.

O valor total do prémio é de 100 mil euros, divididos entre Brasil e Portugal. A parte que cabia ao governo foi paga em junho, e a assinatura do diploma é apenas uma formalidade, mas o documento poderá chegar às mãos do músico sem a assinatura do presidente do Brasil.

O assunto dividiu o governo de Bolsonaro, com alguns mais moderados a defender que este deveria cumprir a tradição de assinar o documento e evitar um constrangimento com Portugal, e outros, de mais próximos do presidente brasileiro, a considerar importante o “gesto político”, posicionando-se contra o uso de recursos públicos em ações que consideram não prioritárias, de acordo com a imprensa brasileira.

 Buarque fora já distinguido duas vezes com o prémio Jabuti

No passado dia 20 de setembro, a revista Veja, com sede em São Paulo, noticiou que o diploma assinado pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, já se encontrava em Brasília, no gabinete do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que tutela a Cultura, à espera da assinatura de Bolsonaro.

Chico Buarque foi anunciado vencedor do Prémio Camões 2019, no dia 21 de maio, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Buarque fora já distinguido duas vezes com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelo romance “Leite Derramado”, em 2010, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura, e por “Budapeste”, em 2006.

Escritor, compositor e cantor, Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro. Estreou-se nas Letras com o romance “Estorvo”, publicado em 1991, a que se seguiram obras como “Benjamim”, “Tantas palavras” e “O Irmão Alemão”, publicado em 2014. Em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.

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