Autoridades angolanas estimam que 19.000 crianças vivem com VIH/Sida em 300.000 infetados

As autoridades angolanas informaram que o país tem à volta de 19.000 crianças com VIH/Sida, entre um total de cerca de 300.000 pessoas infetadas pelo vírus, mas afirmando que Angola “não tem rotura de antirretrovirais” para tratamento.

Autoridades angolanas estimam que 19.000 crianças vivem com VIH/Sida em 300.000 infetados

Autoridades angolanas estimam que 19.000 crianças vivem com VIH/Sida em 300.000 infetados

As autoridades angolanas informaram que o país tem à volta de 19.000 crianças com VIH/Sida, entre um total de cerca de 300.000 pessoas infetadas pelo vírus, mas afirmando que Angola “não tem rotura de antirretrovirais” para tratamento.

Luanda, 10 mai (Lusa) – As autoridades angolanas informaram hoje que o país tem à volta de 19.000 crianças com VIH/Sida, entre um total de cerca de 300.000 pessoas infetadas pelo vírus, mas afirmando que Angola “não tem rotura de antirretrovirais” para tratamento.


A informação foi transmitida hoje à imprensa, em Luanda, pela diretora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida de Angola, Lúcia Furtado, à margem de um seminário para organizações da sociedade civil em Angola, organizado pela Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (Anaso).


“A prevalência estimada nos últimos anos é de 2,1%, estima-se que cerca de 300.000 pessoas estejam a viver com o VIH entre homens, mulheres e crianças. Nós estimamos que cerca de 19.000 crianças estejam infetadas com VIH a nível do país”, adiantou, aludindo nomeadamente a um estudo a grávidas em consulta pré-natal.


Em março, o secretário executivo da Anaso, António Coelho, disse à Lusa que Angola tem cerca de 30.000 crianças infetadas pela doença e que dessas apenas 3.000 estão a ser acompanhadas e fazem terapia, sendo que a epidemia afetou já meio milhão de pessoas. Deste total, apenas 215.000 estarão a ser acompanhadas, mas apenas 78.000 “estão a beneficiar de terapia antirretroviral”, de acordo com António Coelho.


Questionada sobre os números da Anaso, Lúcia Furtado, disse desconhecer a fonte utilizada por aquela organização não-governamental, mas admitiu que a instituição pública que dirige ainda trabalha com dados provisórios e estimativas.


“Nós, infelizmente, ainda trabalhamos com estimativa. Temos problemas dos dados e para ter uma estimativa que é calculada graças a um programa, temos que ter os dados reais que são introduzidos nesse programa e aí dá-nos a estimativa”, sustentou.


A diretora do Instituto Angolano de Luta contra a Sida informou também que em Angola não há nenhuma rotura de antirretrovirais admitindo no entanto problemas pontuais nas unidades hospitalares, mas sublinhando ser um “problema de gestão a vários níveis” e que já foi identificado.


“Como sabe é uma cadeia de abastecimento, não ficamos felizes por ter antirretrovirais no armazém central quando a população na unidade de saúde as vezes tem falta de um ou outro antirretroviral. Então, estamos a trabalhar sobre isso e já foram identificados alguns constrangimentos de vária ordem e temos estado a trabalhar para que se resolvam ou minimizem esses problemas”, explicou.


Em relação as alegadas cobranças de antirretrovirais e da medição da carga viral em algumas unidades hospitalares públicas, também denunciadas recentemente pela Anaso, a responsável disse desconhecer, aguardando que os alegados casos sejam denunciados, tendo em conta que os referidos serviços são de distribuição gratuita.


“São gratuitos e nenhum hospital público ou privado tem o direito de cobrar o que seja para ceder antirretroviral ou medir a carga viral de uma pessoa portadora do VIH. Por isso aguardamos por denúncias fundamentadas, para podermos pôr cobro a situação”, rematou.


Ainda de acordo com Lúcia Furtado, Angola pretende alcançar até 2020 a denominada meta 90/90/90, equivalente a 90% de testes na população, 90% de tratamento das pessoas com o vírus e 90% de supervisão viral.



DYAS // EL

By Impala News / Lusa

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