Ativista Estela de Carlotto quer soberania da Argentina face aos Estados Unidos

A ativista argentina dos direitos humanos Estela de Carlotto defendeu hoje a soberania do seu país face aos Estados Unidos, a par da erradicação da fome, desígnios que acredita ver concretizados pelo Presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández.

Ativista Estela de Carlotto quer soberania da Argentina face aos Estados Unidos

Ativista Estela de Carlotto quer soberania da Argentina face aos Estados Unidos

A ativista argentina dos direitos humanos Estela de Carlotto defendeu hoje a soberania do seu país face aos Estados Unidos, a par da erradicação da fome, desígnios que acredita ver concretizados pelo Presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández.

Entrevistada pela agência Lusa, em Coimbra, a presidente da associação Avós da Praça de Maio disse que, de Alberto Fernández e do próximo governo da República Argentina, espera “o melhor para sair do pior”.

Na sua opinião, “o pior foi o governo” do ainda Presidente Mauricio Macri, derrotado nas eleições presidenciais de 27 de outubro por Alberto Fernández, do Partido Justicialista, que deverá tomar posse no dia 10 de dezembro.

Enriqueta Estela Barnes de Carlotto, de 89 anos, enfatizou que caberá ao próximo executivo “corrigir todos os horrores” que atribui à governação de Mauricio Macri.

Importa, no seu entender, “pensar na fome, pensar nos reformados e pensar nos desempregados” da Argentina, país da América do Sul e antiga colónia espanhola, com uma população superior a 45 milhões de habitantes.

O governo de Macri manteve “uma relação carnal” com os Estados Unidos, “que respeitamos, mas que nos respeitem também a nós”, declarou à Lusa a presidente das Avós da Praça de Maio, à margem da sua participação num encontro mundial sobre ação humanitária forense, com a presença de especialistas de vários países, que terminou sexta-feira em Coimbra.

“E que façamos vingar a autonomia e que não dependamos do Norte [EUA], a não ser da nossa própria história e do nosso próprio povo”, preconizou.

Ressalvando que as Avós da Praça de Maio “não fazem política partidária, fazem política dos direitos humanos”, a líder da associação disse acreditar que Alberto Fernández “vai cumprir” o que anunciou na campanha eleitoral.

“Estou segura disso, porque já o conhecemos de governos anteriores. Assim, estamos muitos contentes com o novo governo que vamos ter”, sublinhou.

Segundo Estela de Carlotto, o governo de Mauricio Macri “endividou o país por 100 anos”.

“Empobreceu a Argentina, a cultura não lhe interessa e a saúde muito menos”, acentuou.

Mas, na ótica da ativista dos direitos humanos, “a dívida externa da Argentina ao FMI é impagável”.

“Vamos outra vez ajudar todos os argentinos até que não tenhamos mais dívidas”, afirmou, preconizando o envolvimento dos compatriotas na concretização das medidas que o governo de Alberto Fernándes vier a tomar para vencer a crise: “Temos de o acompanhar!”.

Na sua intervenção, no Convento de São Francisco, Estela de Carlotto enfatizou a importância da antropologia forense e da genética nos processos para encontrar os netos das Avós da Praça de Maio, filhos de mulheres assassinadas na Argentina pela ditadura que esteve no poder de 1976 a 1983.

A sua filha Laura foi assassinada, em 1977, após ter dado à luz um bebé, cuja identidade foi falsificada, tendo sido entregue a uma família afeta ao regime repressivo do general Rafael Videla.

Ao fim de 36 anos, em 2014, análises de DNA permitiram ao neto, o compositor Ignacio Guido Montoya Carloto, descobrir a sua verdadeira identidade, juntando-se a uma lista que atualmente inclui cerca de 130 netos recuperados, segundo Estela de Carlotto.

Organizado pelo Missing Persons Project, do Comité Internacional da Cruz Vermelha, em colaboração com a Faculdade de Medicina de Coimbra e outras entidades, o Simpósio Internacional de Ação Forense Humanitária, subordinado ao tema “Melhores práticas forenses e princípios para prevenir e resolver as pessoas desaparecidas”, decorreu durante três dias, em Coimbra.

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By Impala News / Lusa

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