Associação teme que mudanças de trânsito na Baixa de Lisboa expulsem mais residentes

Moradores da freguesia da Misericórdia reconhecem que as restrições de trânsito apresentam vantagens ambientais, mas receiam que possam contribuir para a expulsão de mais residentes.

Associação teme que mudanças de trânsito na Baixa de Lisboa expulsem mais residentes

Associação teme que mudanças de trânsito na Baixa de Lisboa expulsem mais residentes

Moradores da freguesia da Misericórdia reconhecem que as restrições de trânsito apresentam vantagens ambientais, mas receiam que possam contribuir para a expulsão de mais residentes.

Lisboa, 08 fev 2020 (Lusa) — Moradores da freguesia da Misericórdia, em Lisboa, reconhecem que as restrições de trânsito na zona da Baixa apresentam vantagens ambientais, mas receiam que a medida possa contribuir para a expulsão de mais residentes do centro da cidade.

O presidente da Associação de Moradores da Misericórdia, freguesia que abrange zonas como o Bairro Alto e o Cais do Sodré, salientou, em declarações à Lusa, que esta é uma medida que faz “todo o sentido” no ano em que Lisboa é Capital Verde Europeia, com “grandes vantagens” na redução das emissões no centro da cidade e na facilitação da circulação dos transportes públicos.

Ainda assim, Luís Paisana teme que haja uma maior utilização dos espaços públicos para fins turísticos e de divertimento, sobretudo noturno, que “se não for controlado pode trazer mais impactos negativos para os moradores”, como aconteceu no Bairro Alto quando o trânsito foi fechado.

“Esse é o nosso maior receio. É que se não houver fiscalização, poderá haver continuação da saída de moradores destas zonas”, sublinhou.

Os condicionamentos de trânsito no Bairro Alto, exemplificou, comportaram “problemas de utilização abusiva do espaço público” e contribuíram para a especulação imobiliária, tendo “um impacto bastante negativo na fixação ou na manutenção dos moradores”.

“A cidade vive cada vez mais de turistas e isto ajuda a vinda de cada vez mais pessoas para visitar a cidade, mas não se preocupa tanto com os moradores que ainda cá estão. Portanto, parece-me uma medida que vai num determinado sentido, mas que não faz parte de uma estratégia a longo prazo de toda a cidade”, criticou.

Para João Gonçalves, em Lisboa apenas de visita, os condicionamentos de trânsito na Baixa da capital e a conversão de algumas estradas em espaços pedonais fazem todo o sentido.

“A nível de segurança, para todos os peões é uma mais-valia. Depois até a nível de turismo, é impecável porque uma pessoa não tem de andar sempre preocupada se vêm carros, se não vêm. É mais seguro para todos”, defendeu.

Isabel Rudowsky, moradora na Baixa, também concorda com a intenção da autarquia “desde que os serviços públicos funcionem como deve ser”.

Já Maria do Céu, que vive na Costa do Castelo, onde a circulação automóvel já é condicionada, diz que “é um inferno” e lamenta que os filhos não possam ir a qualquer momento à casa dos pais.

“É muito chato”, disse, entre suspiros.

A Câmara de Lisboa (PS) apresentou na semana passada a nova Zona de Emissões Reduzidas (ZER) Avenidas/Baixa-Chiado, que prevê que o trânsito automóvel nessa área passe a ser exclusivo para residentes, portadores de dístico e veículos autorizados, entre as 06:30 e as 00:00, a partir do verão.

A ZER abrange parte das freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, sendo delimitada a norte pela Calçada da Glória, Praça dos Restauradores e Praça do Martim Moniz, e a sul pelo eixo formado pelo Cais do Sodré, Rua Ribeira das Naus, Praça do Comércio e Rua da Alfândega.

Esta área é delimitada a nascente pela Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Rua da Madalena e Campo das Cebolas, e a poente pela Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Rua de São Pedro de Alcântara.

A autarquia prevê a apresentação deste plano, durante o mês de fevereiro, às juntas de freguesia, associações de moradores e de comerciantes e à assembleia municipal.

Em março, o plano deverá ser aprovado e o regulamento enviado para um período de consulta pública.

A partir de 01 maio, os cidadãos podem efetuar o registo para a obtenção dos dísticos e em junho serão realizadas campanhas de informação, prevendo-se a efetiva fiscalização e controlo de acesso (através de pórticos) entre julho e agosto.

TYS // ROC

By Impala News / Lusa

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