Associação ambientalista diz que Portugal “desperdiçou oportunidade histórica” de reduzir poluição

A associação ambientalista Zero considerou hoje que Portugal “desperdiçou a oportunidade histórica” de contribuir para o transporte marítimo sem emissões poluentes na Europa, ao permitir, a par de outros países, que navios “continuem a ser movidos a combustíveis fósseis”.

Associação ambientalista diz que Portugal

Associação ambientalista diz que Portugal “desperdiçou oportunidade histórica” de reduzir poluição

A associação ambientalista Zero considerou hoje que Portugal “desperdiçou a oportunidade histórica” de contribuir para o transporte marítimo sem emissões poluentes na Europa, ao permitir, a par de outros países, que navios “continuem a ser movidos a combustíveis fósseis”.

Em comunicado, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável refere que os Estados-membros da União Europeia (UE) decidiram na quinta-feira, em reunião de ministros no Conselho dos Transportes, que o regulamento comunitário FuelEU Maritime, em preparação, “permitirá que os navios continuem a ser movidos a combustíveis fósseis, com poucos incentivos para a transição para alternativas sustentáveis e hipocarbónicas nas próximas décadas”.

A proposta de regulamento apresentada pela Comissão Europeia tem como desígnio a descarbonização progressiva do transporte marítimo na UE entre 2025 e 2050.

Contudo, segundo a Zero, a proposta “nada mais faz do que quadruplicar o uso de gás fóssil na forma de Gás Natural Liquefeito (GNL) no transporte marítimo europeu” até 2030, comprometendo “a neutralidade climática até 2050”.

No comunicado titulado “Portugal desperdiça oportunidade histórica de contribuir para a descarbonização do transporte marítimo na Europa”, a associação ambientalista adianta que Alemanha e Dinamarca propuseram alterações que “teriam o potencial de garantir que o FuelEU Maritime cumprisse o seu desígnio inicial”.

Uma das alterações pressupunha a aplicação de “uma sub-quota mínima de 6% até 2030 para combustíveis sintéticos produzidos com energia 100% renovável”.

“Lamentavelmente, a proposta [da Alemanha e da Dinamarca] contou apenas com o apoio dos Países Baixos, da Bélgica, da Irlanda e da Áustria”, criticou a Zero, assinalando que “os Estados-membros, e Portugal, ficaram, para já, aquém de criar verdadeiros incentivos para a utilização de combustíveis sintéticos e renováveis”.

De acordo com a Zero, “a combinação das soluções propostas pela Dinamarca e Alemanha” representava uma “oportunidade única de tornar o hidrogénio verde mais acessível e, simultaneamente, mais atrativo para a utilização no transporte marítimo, permitindo, ao mesmo tempo, alcançar os objetivos da Estratégia Nacional para o Hidrogénio”, que estipula “a meta de 3% a 5% de hidrogénio verde no consumo de energia no transporte marítimo doméstico até 2030”.

O comunicado da associação ambientalista realça que, “sem esforços significativos para reduzir as emissões dos navios”, o transporte marítimo “poderá vir a emitir até 10% de gases com efeito de estufa até 2050”. Atualmente, o setor “emite cerca de 3%” e depende em 99% dos combustíveis fósseis, acrescenta a Zero.

Os Estados-Membros da UE terão que negociar no próximo outono com o parlamento europeu a versão definitiva do regulamento FuelEU Maritime.

“É crucial que Portugal e os eurodeputados portugueses assumam posições firmes na defesa de uma política climática europeia verdadeiramente alinhada com os objetivos do Acordo de Paris”, exortou a Zero.

ER // JMR

By Impala News / Lusa

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