Artista Cristina Ataíde exibe trinta anos de experimentação no Museu Berardo

Uma exposição com obras que percorrem trinta anos de “sede de experimentação”, da artista Cristina Ataíde, cruzando desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo, abre ao público a 25 de novembro, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa.

Artista Cristina Ataíde exibe trinta anos de experimentação no Museu Berardo

Artista Cristina Ataíde exibe trinta anos de experimentação no Museu Berardo

Uma exposição com obras que percorrem trinta anos de “sede de experimentação”, da artista Cristina Ataíde, cruzando desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo, abre ao público a 25 de novembro, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa.

“Cristina Ataíde: Dar corpo ao vazio” é o título desta mostra com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, materializada num percurso articulado em cinco salas do museu, onde ficará patente até 14 de março de 2021, de acordo com a organização.

A produção artística de Cristina Ataíde “revela uma sede de experimentação e um fascínio pela descoberta que, entre outros, se ancora no impulso da viagem, na procura por outros sistemas de pensamento, e numa busca pela expressão da matéria”, refere um texto da curadoria sobre a exposição.

Nas mostras da artista, nascida em Viseu, em 1951, as grandes instalações e o ‘site-specific’ (obras criadas para lugares específicos) são parte importante do seu trabalho, no qual as preocupações com a natureza e a sua preservação são uma constante.

Deste modo, “é frequente perceber que as obras surgem associadas à experiência dos diferentes locais e momentos que a artista deseja apreender, assim como à vivência de uma espiritualidade partilhada com os objetos e entidades com que se cruza”, adianta o texto.

Partindo desse princípio, esta exposição apresenta um conjunto de obras que abarcam diferentes períodos e meios de produção, encadeando-se entre si sem formular um olhar cronológico ou retrospetivo, procurando dar a ver como uma teia de relações que cruza referências transversais à produção da artista.

No percurso, são evidenciadas “as ligações do indivíduo ao meio, num diálogo entre a geografia e a cultura, a conexão da viagem com o conhecimento, numa articulação entre a descoberta e a identidade, e a problematização entre o espírito e a matéria, numa graduação dos vários estados de existência”, acrescenta o texto de apresentação da mostra.

Explorando a ideia de preâmbulo e síntese, a exposição inicia-se no átrio principal do edifício, onde se apresenta uma única obra que guia a atenção para a sequência no piso inferior do museu.

Na primeira sala da galeria vão estar dispostas várias peças que “invocam a densidade da matéria, com desenhos que evocam o imaginário da montanha”, da água, e um conjunto de obras que funcionam num esquema de ligações diagonais, que dão o mote às salas seguintes.

Na segunda sala, é apresentado um conjunto de obras apoiadas nas referências da lagoa e da árvore, “invocando a expressão do trilho de veios, nós e cavidades que as habitam”, enquanto na terceira sala surge um conjunto de vídeos onde, pela imagem em movimento, “se celebra a transitoriedade dos elementos, e a delicadeza da sua perceção”.

A artista explorou, em várias obras, o modo como o indivíduo se relaciona com o meio, “e na maneira como a perceção se manifesta de forma diáfana, e transitória”, sobrepondo imagens a manchas de cor que trabalham a luz como matéria plástica, e escultórica.

A quarta sala foi pensada em torno de uma instalação composta por um barco de madeira que se apresenta suspenso, um elemento que “alude simultaneamente à deslocação exterior sobre as águas, e ao movimento interior do espírito”, explica o texto.

A quinta e última sala apresenta um conjunto de imagens fotográficas de grande dimensão, que captam o reflexo do mundo exterior, e o espelham na superfície da água em movimento.

Cristina Ataíde é licenciada em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde vive e trabalha, e expõe com regularidade desde 1984, tendo já trabalhado com criadores como Anish Kapoor, Michelangelo Pistolleto, Keith Sonnier e Matt Mullican.

AG // MAG

By Impala News / Lusa

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