Angola com apenas 18 médicos legistas que são “insuficientes” para responder a suicídios

Angola conta apenas com 18 médicos legistas, um em cada província, “insuficientes” para responder a ocorrências como os suicídios, que as autoridades admitem que sejam mais em relação aos 2.500 registados nos últimos cinco anos, foi hoje anunciado.

Angola com apenas 18 médicos legistas que são

Angola com apenas 18 médicos legistas que são “insuficientes” para responder a suicídios

Angola conta apenas com 18 médicos legistas, um em cada província, “insuficientes” para responder a ocorrências como os suicídios, que as autoridades admitem que sejam mais em relação aos 2.500 registados nos últimos cinco anos, foi hoje anunciado.

“Estamos a falar de um médico legista, que são médicos para fazer a perícia e concluir a causa da morte, e estamos a falar de um médico por província, e com certeza um médico por província não responde àquela que é a demanda que vai surgindo”, afirmou hoje Massoxi Vigário, coordenadora nacional do Programa de Saúde Mental e Abuso de Substâncias de Angola.

A psicóloga clínica admitiu igualmente que os suicídios registados nos últimos cinco anos no país “podem não refletir a realidade” porque, explicou, “nem todo suicídio é declarado pela família ou comunidade”.

Segundo a responsável, “existem inclusive comunidades que se protegem quando se fala que alguém morreu” e, no entanto, observou, há “comunidades em que se verifica em menos de um ano a morte de duas, três ou mais pessoas por suicídio”.

“Logo pensar que 2.500 é um número real ou não, temos um problema a nível nacional, nós não temos um sistema de tratamento de dados muito atuante, logo há números que ficam sempre de fora e temos de considerar que o número não é apenas esse e pode ser vezes dois ou três”, apontou.

A especialista, que falava em Luanda, à margem de uma cerimónia no âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala hoje, acrescentou: “Por muito que seja assustador pensarmos em 2.500 pessoas pode ser ainda mais assustador pensarmos que o número é ainda superior e devemos de facto nos preocupar com isso”.

O Programa de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, em colaboração com o departamento de medicina legal do Serviço de Investigação Criminal (SIC) angolano, deve concluir ainda esta semana as “estatísticas mais recentes” sobre suicídios em Angola.

Massoxi Vigário lamentou ainda a carência de médicos e técnicos de saúde para darem sustentabilidade à Rede Integrada de Serviços de Saúde Mental que, há sete anos, compreende apenas as províncias de Cabinda, Luanda, Malanje, Benguela, Huambo, Huíla e Cunene.

DYAS // LFS

By Impala News / Lusa

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