Álvaro Siza abre “in/disciplina” em Serralves e diz que ainda não quer ir de férias

O arquiteto Álvaro Siza, Prémio Pritzker 1992, presidiu hoje à inauguração da exposição “in/ disciplina”, em Serralves (Porto), que retrata seis décadas do seu percurso, e confessou que embora considera que já viveu demais, não lhe “apetece ir de férias”.

Álvaro Siza abre

Álvaro Siza abre “in/disciplina” em Serralves e diz que ainda não quer ir de férias

O arquiteto Álvaro Siza, Prémio Pritzker 1992, presidiu hoje à inauguração da exposição “in/ disciplina”, em Serralves (Porto), que retrata seis décadas do seu percurso, e confessou que embora considera que já viveu demais, não lhe “apetece ir de férias”.

“Às vezes acho que já vivi demais, mas isso não quer dizer que me apeteça ir de férias”, declarou o arquiteto Álvaro Siza Vieira, 86 anos, natural de Matosinhos e o primeiro português a receber o Prémio Pritzker, considerado o galardão mais importante da arquitetura.

Durante a conferência de imprensa que decorreu no final de tarde de hoje, Siza Vieira agradeceu à Fundação Serralves pela “segunda grande exposição de obras” dele, referindo que a “montagem deve ter dado um trabalho tremendo”.

Na exposição “in/disciplina” pode descobrir-se, por exemplo, vários esquissos (esboços de uma obra), desenhos de retrato e apontamentos de viagem que o arquiteto registava nos seus cadernos, desde o tempo de estudante.

A exposição “in/disciplina” em Serralves arranca com uma réplica de grande dimensão do primeiro esquisso que Siza Vieira registou fora de Portugal, e que foi feito em Berlim, Alemanha, recordou o arquiteto, explicando que reflete a percepção da cidade, que, segundo o artista, são “feitas de fragmentos”.

O trabalho do arquiteto que intervém nalguns dos fragmentos é “tentar relações entre eles”, explica, referindo que esses fragmentos visíveis nas cidades “refletem o seu desenvolvimento e os diferentes períodos e tendências”.

Depois de falar da importância da “multiplicação da luz” nas salas do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, edifício da autoria de Siza Vieira, e que está a celebrar o 20.º aniversário, o arquiteto lembrou que em Portugal a “intensidade da luz nas ruas é quatro vezes mais elevada do na Alemanha”.

“Isso dá um gasto tremendo de luz”, referiu, lamentando que nas ruas públicas em Portugal se esteja a fazer o contrário de uma poupança energética.

A in/disciplina retrata o “trajeto de vida do Siza através dos seus cadernos de esquissos, que guardava e onde registava tudo”, explicou, por seu turno, o curador da exposição, Nuno Grande, referindo que esses esboços mostram a inquietude e a “indisciplina na disciplina” constante do arquiteto nascido em 1933, em Matosinhos, no distrito do Porto.

A exposição tem também um conjunto de fotografias escolhidas pelos “amigos fotógrafos” do arquiteto, e que foram “fundamentais para levar a todo o mundo a obra de Siza Vieira, acrescentou Nuno Grande que, em conjunto com Carles Muro, e a contribuição de Álvaro Siza, conseguiram organizar a ‘in/disciplina’, para assinalar o 20.º aniversário do Museu de Serralves.

A exposição que revela 30 projetos realizados entre 1954 e 2019, percorrendo a trajetória de Álvaro Siza desde o período da sua formação até à sua plena afirmação autoral, vai estar patente em Serralves até 02 de fevereiro de 2020, e foi organizada pela Fundação de Serralves, com a contribuição “fulcral do arquivo de Álvaro Siza Vieira, do Álvaro Siza Vieira Fonds no Canadian Centre for Arquitechure (Canadá) e da Fundação Calouste Gulbenkian”.

A obra da Casa de Chá da Boa Nova (1958–1963) e a Piscina de Marés (1958–1965), ambas em Leça da Palmeira, são algumas das maquetes que se podem ver na exposição.

Num documento sobre Álvaro Siza, a que a Lusa teve hoje acesso, pode ler-se que o autor do edifício “Bonjour Tristessee”, em Berlim, encontra pontos comuns entre a arquitetura e o hóquei em patins, modalidade que praticou na adolescência (e que teve de abandonar por ser míope e haver perigo de deslocação da retina): a “estratégia” e o “improviso”.

“O hóquei em patins teve para mim e para o que faço uma significativa influência. O jogo é tão rápido e exigente que não é possível separar estratégia prévia e improviso. É necessário que atuem em simultaneidade, com o apoio determinante das rodinhas”, explicou Siza.

Confrontado com o facto de ter de deixar a prática do desporto, “nesses dias gloriosos do hóquei português”, uma vocação que pensava ser a “única na sua vida”, ÁLvaro SIza revelou que “só mais tarde” se apercebeu de que todos têm “vocação para tudo, ou quase tudo”, basta que se queira.

“Chorei. Tinha-me convencido de que o hóquei era a minha única vocação. Só mais tarde percebi que todos temos vocação para tudo, ou quase tudo, se o desejarmos”, disse.

Em paralelo à exposição, está programada, para o próximo sábado, dia 21, pelas 17:00, uma “conversa e mesa redonda” com Álvaro Siza e os dois curadores da exposição, os arquitetos Nuno Grande e Carles Muro.

Distinguido com o Prémio Pritzker em 1992, Álvaro Siza recebeu ainda, entre outros, o Prémio Mies van der Rohe (1988), o Prémio Nacional de Arquitetura (1993), a Medalha Alvar Aalto (1998) e a Medalha de Ouro (2009), do Royal Institute of British Architects, o Leão de Ouro da Bienal de Veneza (2002), pelo melhor projeto, e o Leão de Ouro de Carreira (2012).

CCM // MAG

By Impala News / Lusa

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