Almaraz estuda construção de mais um depósito de resíduos nucleares antes de fechar

As empresas proprietárias da central de Almaraz estão a estudar a construção de mais um depósito de resíduos nucleares, apesar de o fecho da central estar previsto para 2028.

Almaraz estuda construção de mais um depósito de resíduos nucleares antes de fechar

Almaraz estuda construção de mais um depósito de resíduos nucleares antes de fechar

As empresas proprietárias da central de Almaraz estão a estudar a construção de mais um depósito de resíduos nucleares, apesar de o fecho da central estar previsto para 2028.

Madrid, 27 mai 2019 (Lusa) — As empresas proprietárias da central de Almaraz, na Estremadura espanhola, estão a estudar a possibilidade de construção de mais um depósito de resíduos nucleares (ATI), apesar de o fecho da central estar previsto para 2028.

O diretor da Central Nuclear de Almaraz, Rafael Campos, citado pela imprensa regional estremenha, disse na apresentação do relatório semestral de atividades da unidade, este fim de semana, que o projeto de construção de um novo ATI (armazém temporário individualizado) está numa fase “inicial”, sendo ainda cedo para saber qual será a sua configuração, localização ou caraterísticas.

“Terá de se ver as necessidades que temos e, em função disso, fazer o desenho correspondente. No nosso setor tudo se faz com tempo”, precisou Rafael Campos, ao mesmo tempo que sublinhava que, independentemente do horizonte temporal da central, o combustível nuclear utilizado terá de ser extraído das “piscinas”, pelo que a central tem de “estar preparada”.

O dirigente da central assegurou que, até ao seu encerramento, a unidade vai continuar a funcionar “com a máxima eficácia e segurança”.

Portugal apresentou queixa em Bruxelas contra Espanha depois de os Governos dos dois países não terem conseguido chegar no início de 2017 a acordo sobre a construção de um primeiro ATI em Almaraz.

Lisboa acabou por retirar a queixa, depois de a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ter elaborado um relatório em que se sublinhava que o ATI era uma “solução adequada” que “permite confirmar a sua segurança” ao nível dos padrões internacionais.

O novo ATI seria necessário construir porque se prevê que o primeiro esteja saturado até 2027 e, na sequência do desmantelamento da central a partir de 2028, seria também necessário ter um local para depositar o combustível nuclear.

Os proprietários da central nuclear espanhola de Almaraz chegaram em março último a um acordo para pedir a renovação da licença de exploração da fábrica até 2028.

As empresas proprietárias de Almaraz querem renovar a licença de exploração por mais 7,4 anos (2027) para o reator I da central e de 8,2 anos (2028) para o II.

O acordo respeita o estipulado num protocolo assinado com a Enresa, a empresa pública responsável pela gestão dos resíduos radiativos, que prevê o encerramento de todos as centrais nucleares espanholas entre 2025 e 2035.

As cinco centrais nucleares em funcionamento em Espanha – Almaraz (Cáceres), Vandellós (Tarragona), Ascó (Tarragona), Cofrentes (Valencia) e Trillo (Guadalajara)-, que têm um total de sete reatores nucleares, cumprem 40 anos de vida útil entre 2023 (Almaraz) e 2028 (Trillo).

Um ATI é uma instalação que armazena temporariamente, até se armazenar definitivamente, todos os elementos de combustível radioativo gerados na operação de uma central nuclear.

A central nuclear de Almaraz está situada a cerca de 100 quilómetros de Portugal, numa das margens do rio Tejo.

FPB // SB

By Impala News / Lusa

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