Aldo Lima e José Pedro Gomes juntos em palco no Teatro Villaret em “Pela ponta do nariz”

Na comédia “Pela ponta do nariz”, encenada por Ricardo Neves-Neves, que junta em palco Aldo Lima e José Pedro Gomes, fala-se de forma “ligeira e luminosa” de aspetos “que dizem respeito ao ser humano de uma forma profunda”.

Aldo Lima e José Pedro Gomes juntos em palco no Teatro Villaret em

Aldo Lima e José Pedro Gomes juntos em palco no Teatro Villaret em “Pela ponta do nariz”

Na comédia “Pela ponta do nariz”, encenada por Ricardo Neves-Neves, que junta em palco Aldo Lima e José Pedro Gomes, fala-se de forma “ligeira e luminosa” de aspetos “que dizem respeito ao ser humano de uma forma profunda”.

A peça, adaptada de “Par le bout du nez” dos dramaturgos franceses Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière, tem estreia marcada para sexta-feira, no Teatro Villaret, em Lisboa.

“Nos ensaios percebemos que estávamos a falar de coisas que dizem respeito ao ser humano de uma forma profunda. Vimos ao espetáculo para nos rirmos, mas há uma coisa extra que levamos connosco, e acho que é uma forma muito interessante de introduzir esta zona do nosso consciente, do nosso inconsciente, esta relação com aquilo que nós somos, que é resultado do nosso intelecto, da nossa psique”, disse Ricardo Neves-Neves à Lusa, após um ensaio.

Aldo Lima interpreta um primeiro-ministro recém-eleito que, horas antes da cerimónia de tomada de posse, consulta um psiquiatra (José Pedro Gomes), devido a uma incapacitante comichão no nariz que se manifesta sempre que tenta discursar.

Para Ricardo Neves-Neves, “esta zona de relação com a psique, com o trauma, com o delírio, com o sonho, com o símbolo, é tratada no espetáculo de uma forma divertida, ligeira, florida, luminosa”.

A forma de trabalhar de Ricardo Neves-Neves “não é de trazer o espetáculo já construído de casa para depois reproduzir”. “O estímulo que eles [atores] me dão, e todas as dicas e pistas que me vão dando, ao longo dos ensaios, são também matéria de trabalho”, disse.

Trabalhar com Aldo Lima e José Pedro Gomes “acaba por ser um trabalho de conjunto sempre”. “Não me sinto propriamente a dirigir, sinto que estamos a criar em conjunto”, referiu o encenador.

Além dos contributos dos atores, Ricardo Neves-Neves gosta também “de absorver os estímulos que vêm das outras áreas” — “da música, da sonoplastia, do cenário, dos figurinos, o trabalho da luz” — e da Maria Henrique, que fez a assistência da encenação, e que são pessoas que participam no espetáculo”.

Ricardo Neves-Neves sabe que a comédia “é sempre aquele género que precisa de alguma defesa porque é normalmente desconsiderado, não é levado a sério e é considerado uma ramificação pobre das artes, não só do teatro”.

No entanto, “é um género que é muito difícil de fazer, a vários níveis”.

“Ter sentido de humor no cenário, para além do que é o texto e do que é a representação, ter sentido de humor nas outras áreas criativas é difícil, mas é sempre uma procura. Há essa zona de defesa de uma zona que eu acho que é preciosa, que faz parte do ser humano, e que faz parte de uma zona muito importante do nosso equilíbrio, que se relaciona com a alegria, com a nossa força interior, se quisermos filosofar um bocadinho sobre o que é a comédia”, afirmou.

“Pela ponta do nariz” fica em cena de quinta-feira a sabádo às 21:00 e aos domingos às 17:00.

JRS // MAG

By Impala News / Lusa

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