Açores considerados “hope spot” para a conservação dos oceanos

O arquipélago dos Açores foi classificado como “hope spot” (local de esperança) de proteção dos oceanos, um reconhecimento que pretende fazer da conservação do mar da região uma prioridade.

Açores considerados

Açores considerados “hope spot” para a conservação dos oceanos

O arquipélago dos Açores foi classificado como “hope spot” (local de esperança) de proteção dos oceanos, um reconhecimento que pretende fazer da conservação do mar da região uma prioridade.

Ponta Delgada, Açores, 16 jul 2019 (Lusa) — O arquipélago dos Açores foi classificado como “hope spot” (local de esperança) de proteção dos oceanos pela Mission Blue Foundation “Sylvia Earle Alliance”, um reconhecimento que pretende fazer da conservação do mar da região uma prioridade.

O reconhecimento foi anunciado hoje, na Horta, ilha do Faial, numa conferência de imprensa em que estiveram presentes a bióloga Sylvia Earle e o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia do Governo dos Açores, Gui Menezes.

Em declarações aos jornalistas, a bióloga marinha considerou que a candidatura açoriana foi “certeira”, “por causa dos recursos naturais” que o arquipélago tem, “mas também por causa das pessoas, que estão dispostas a dedicarem-se a fazer alguma coisa, a dar provas do que aqui se passa, e porque importa falar pelo oceano, pelas baleias e pelos sistemas que aqui existem”.

Os “hope spots” são áreas essenciais para a saúde dos oceanos e, com esta classificação, pretende-se divulgar a importância do arquipélago como habitat de diversas espécies marinhas e promover ações de exploração e proteção do oceano, apoiando pessoas e comunidades, explica a nota de imprensa da Fundação Mission Blue.

A nota dá conta, ainda, de que “apesar do progresso que tem sido feito, ainda há muito a fazer” no arquipélago, que “está sob pressão devido a algumas atividades piscatórias e poluição marinha”.

A candidatura açoriana, avaliada pela International Union for the Conservation of Nature (IUCN), contou com o apoio de “vários investigadores do Centro de Investigação Okeanos e do Observatório do Mar dos Açores, com o envolvimento do Governo dos Açores”, através da Direção Regional dos Assuntos do Mar, explicou Gui Menezes, citado em nota de imprensa.

O governante destacou a classificação, “não de uma pequena parcela do mar dos Açores, mas de todo o território marítimo” do arquipélago, como “um reconhecimento muito importante” de “um sítio especial, que mantém alguma integridade em termos de biodiversidade” e que é “único em termos de potencial de descoberta científica e de conhecimento do mar profundo”.

“Os próximos dois anos serão decisivos para os Açores na área do mar”, afirmou o Secretário Regional, lembrando que o executivo está a preparar os planos de gestão das áreas marinhas protegidas, bem como o plano de ordenamento do espaço marítimo.

Em fevereiro deste ano, a região assumiu, em parceria com a Fundação Oceano Azul e a Waitt Foundation & Institute, o compromisso de 15% da Zona Económica Exclusiva dos Açores ser área marinha protegida.

O projeto “Blue Azores” prevê, ainda, um programa de educação para a literacia do oceano, focado na conservação e no uso sustentável dos recursos marinhos.

A bióloga Sylvia Earle, conhecida como “Jane Goodall dos Oceanos”, liderou várias expedições e é autora de diversos estudos, tendo sido a primeira mulher a ser cientista-chefe da National Oceanic and Atmospheric Administration dos Estados Unidos da América.

Em 2009 lançou a Mission Blue, fundação que tem lutado pela preservação dos oceanos, estabelecendo áreas de conservação marinha por todo o mundo.

ILYD // MLS

By Impala News / Lusa

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