Acordo para dinamização da Rota Memorial do Convento vai ser assinado na Fundação Saramago

A Fundação José Saramago assina, na próxima segunda-feira, um acordo de colaboração para a dinamização da Rota Memorial do Convento, com as Câmaras Municipais de Loures, Mafra e Lisboa, anunciou hoje a instituição.

Acordo para dinamização da Rota Memorial do Convento vai ser assinado na Fundação Saramago

Acordo para dinamização da Rota Memorial do Convento vai ser assinado na Fundação Saramago

A Fundação José Saramago assina, na próxima segunda-feira, um acordo de colaboração para a dinamização da Rota Memorial do Convento, com as Câmaras Municipais de Loures, Mafra e Lisboa, anunciou hoje a instituição.

O protocolo é assinado às 11:00, na Casa dos Bicos, em Lisboa, sede da Fundação José Saramago (FJS), no dia do 98.º aniversário do Nobel da Literatura, e visa promover um ‘site’ sobre a rota e mecanismos para a sua dinamização, disse à agência Lusa fonte da FJS.

A rota, a partir do romance “Memorial do Convento” (1982), foi apresentada em dezembro de 2017 e, como disse então a FJS, resgatava “importantes elementos do património religioso, estético e turístico”.

Esta foi a primeira vez em Portugal que um livro esteve na origem de uma rota cultural, abarcando três municípios.

Um outro romance de Saramago, “Levantado do chão” (1980), já deu, entretanto, origem a uma outra rota, numa iniciativa da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, no Alto Alentejo, em parceria com as juntas de freguesia do concelho e com as Câmaras de Lisboa e Évora, além do Museu do Aljube, em Lisboa, e da FJS. Este roteiro foi inaugurado no passado mês de fevereiro.

A Rota Memorial do Convento segue a narrativa de Saramago, que se torna um “ponto literário aglutinador de momentos e monumentos históricos e paisagísticos do século XVIII, entre Lisboa e Mafra, passando por Loures”, unindo “pontos de interesse patrimonial situados em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Unhos, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Malveira, Mafra e Cheleiros”, segundo o anúncio da FJS em 2017.

Segundo o protocolo, “a sustentabilidade deste projeto será assegurada pelo orçamento municipal de cada município e pelo estabelecimento de um acordo de colaboração entre os mesmos e a FJS, como forma de garantir a implementação de um programa conjunto de divulgação e promoção da Rota”.

O percurso cruza a rota da pedra e a dos materiais estéticos e religiosos de Lisboa para o Convento de Mafra, assinalando outros pontos históricos dos três concelhos, como o miradouro sobre o rio Trancão, o Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, a igreja de Alcainça e o seu portal gótico, e o passado histórico de Cheleiros, cuja produção vinícola foi famosa até ao século XIX.

A Rota do Memorial do Convento foi apresentada como “um projeto intermunicipal”, envolvendo Lisboa, Loures e Mafra, em que um dos parceiros estratégicos é a Fundação José Saramago.

O projeto enquadra-se no Programa Operacional Regional de Lisboa 2014/2020, tendo tido um financiamento total de 392.397,20 euros, ‘parcelado’ pelos três municípios: Lisboa, com a contribuição mais baixa, 41.272,94 euros, Loures, com 179.592,69 euros, e Mafra, com 171.531,57 euros.

A Rota segue através de bens imóveis classificados, da Praça do Comércio à Casa dos Bicos/Fundação José Saramago, em Lisboa, passa pelo Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures, e pelo Palácio e Convento de Mafra.

O percurso previsto é o seguinte: em Lisboa, praça da Figueira e praça do Comércio, Casa dos Bicos, na rua dos Bacalhoeiros.

Em Loures, passa pela Biblioteca Municipal Ary dos Santos, onde está instalado um ponto de informação, pelo Miradouro sobre o Rio Trancão, em Sacavém, a Igreja de Unhos, o Centro de Acolhimento da Rota Memorial do Convento, no Museu Municipal de Loures, a Quinta do Conventinho, em Santo António dos Cavaleiros, o Centro de Acolhimento Turístico e Interpretativo da Rota Memorial do Convento, na Biblioteca Municipal José Saramago, na cidade de Loures, a praça Monumental, em Santo Antão do Tojal, e os largos do Coreto, em Fanhões, e na Feira, na Malveira, pela Igreja de São Saturnino, em Fanhões, e a Igreja de São Miguel, em Alcainça.

Em Mafra, a rota abarca a capela do Espírito Santo, o Palácio Nacional, o Miradouro de Vila da Velha, as antigas Casas da Câmara e o Pelourinho de Mafra e, finalmente, em Cheleiros, o largo da Igreja Matriz.

O estabelecimento da Rota foi coordenado pelo escritor Miguel Real e, em 2017, projetava-se já a produção de conteúdos de interpretação em suporte digital, multimédia (‘website’ e aplicativo móvel ‘APP’) e, em papel, ações de ‘marketing’ turístico-cultural, realização de eventos de carater internacional e diversas iniciativas de divulgação e promoção de índole técnico-científica.

Estava também prevista a colocação de sinalética explicativa nos pontos de interesse nos três concelhos, assim como o desenvolvimento de “ações dirigidas a diferentes públicos”.

O itinerário pode começar ou terminar na Casa dos Bicos, em frente à qual foi plantada a oliveira trazida de Azinhaga do Ribatejo, terra natal do escritor, cujas raízes acolhem as suas cinzas.

O centro informativo da Rota do Memorial do Convento, em Lisboa, será na Fundação José Saramago.

Ainda na capital, a rota passa pela “Rua dos Fanqueiros [e] evoca-se o antigo Convento de Corpus Christi, onde a mulher de João V, Maria Ana de Áustria, vinha rezar”. “Prossegue-se em direção à Praça da Figueira onde a vista privilegiada para a encosta do Castelo permite lembrar a casa de Blimunda e o voo da passarola”, lê-se no texto do protocolo.

No Rossio, ainda em Lisboa, “é recordado o primeiro encontro de Baltasar e Blimunda [poptagonistas do romance] que acontece durante um auto de fé onde a mãe da protagonista é condenada por feitiçaria”. “A Inquisição, o seu estabelecimento em Portugal, os seus métodos e as perseguições que ecoam no romance são lembradas junto da Igreja de São Domingos”.

“Em Loures, pretende-se sinalizar e destacar a centralidade de Santo Antão do Tojal”, segundo o mesmo texto, referindo que “o percurso em Loures inclui outros pontos de interesse cultural e turístico, sustentados em dois eixos de comunicação utilizados à época: Estrada Real Lisboa-Mafra e as vias fluviais dos rios Tejo e Trancão por onde circularam e foram transportados materiais (sinos e conjuntos escultóricos) e pessoas”.

“Em Mafra, a Rota valorizará a Real Obra através do percurso Vila Velha”, refere o texto do documento.

No âmbito deste protocolo foram já promovidas várias iniciativas, nomeadamente o Concerto para Reis no Ano Novo, a seis órgãos e coro, na Basílica de Mafra, em 2017, no âmbito das comemorações do terceiro centenário da colocação da primeira pedra, em 2017; a publicação do livro “Órgãos Histórico” (2017) e a Festa na Praça, realizada em maio do ano passado, em Santo Antão do Tojal; o Congresso Internacional “Festas Barrocas entre O Sagrado e o Profano: a Europa e o Atlântico”, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, que aconteceu em Loures, em outubro do ano passado, o Congresso Internacional “José Saramago e o Memorial do Convento”, em parceria com a FJS, que se realizou há um ano no Palácio Nacional de Mafra, e o “Teatro com Saramago”, pela companhia Andante, dirigido ao público escolar do concelho de Loures.

NL // MAG

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS