90 % dos trabalhadores do circo “foram deixados para trás”, lamenta Associação

Noventa por cento dos profissionais do circo “foram deixadas para trás” pelo Governo, no acesso a apoios pela paralisação de atividade na pandemia, alertou hoje a Associação Portuguesa de Empresários e Artistas de Circo (APEAC).

90 % dos trabalhadores do circo

90 % dos trabalhadores do circo “foram deixados para trás”, lamenta Associação

Noventa por cento dos profissionais do circo “foram deixadas para trás” pelo Governo, no acesso a apoios pela paralisação de atividade na pandemia, alertou hoje a Associação Portuguesa de Empresários e Artistas de Circo (APEAC).

O lamento foi deixado por esta associação hoje, aos deputados, no âmbito da audição de 40 entidades representativas da Cultura pedida pelo PSD.

“Já estamos a ouvir a conversa do ‘não vamos deixar ninguém para trás’ há quase um ano. No meu setor, 90% das pessoas de circo foram deixadas para trás e têm de estar com profissões que não são as nossas, são dignas, como condutores de veículos pesados, manobradores de máquinas, cozinheiras em hotéis, em lares de terceira idade”, afirmou Carlos Carvalho, daquela associação que representa empresários e artistas de circo.

Esta associação surgiu em contexto de pandemia da covid-19, em 2020, como forma de chamar a atenção para os problemas do setor, com a paralisação da atividade cultural.

“O Governo deixou em todos os setores da Cultura muita gente para trás. E isto é grave. O Governo não pode continuar a dizer, nem a senhora ministra, não pode dizer que está a ajudar toda a gente, porque não é verdade”, sublinhou Carlos Carvalho em resposta aos deputados, durante a audição na Comissão de Cultura e Comunicação.

Em junho de 2020, alguns artistas de circo juntaram-se numa manifestação em frente à Assembleia da República, para reivindicar apoios iguais, por parte do Estado, aos que são dados aos restantes profissionais da Cultura.

Aos deputados, António Ferreira, também da APEAC, falou de “um problema a rasar a fome” entre artistas que deixaram de ensaiar e de empresários com dificuldade em realizar qualquer trabalho.

A associação alerta para o facto de os trabalhadores do circo não conseguirem aceder “aos poucos apoios” disponibilizados. Há problemas na definição dos CAE — Códigos de Atividade Económica, e as autarquias não estão a dar licenças para as empresas de circo trabalharem.

Pedem, por exemplo, um programa, com pelo menos 500 mil euros, para “a retoma e para a modernização e adaptação do circo nos próximos tempos”, e um apoio específico para isenção de pagamento do IUC — Imposto Único de Circulação, já que esta atividade, itinerante, está parada.

“O circo, antes da pandemia, era difícil e agora tornou-se impossível. (…) O circo é um lugar tão bom como os outros para se fazerem espetáculos. Podemos fazer ao ar livre. Mas as empresas não têm dinheiro para arrancar com os circos”, lamentou António Ferreira.

Segundo a APEAC, o circo tradicional é apresentado por cerca de 30 companhias, na sua maioria de estrutura familiar, e “mais de 200 artistas”.

 

 

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