Antigos presidentes de São Tomé propõem encontro entre todos os partidos para superar crise

Antigos presidentes de São Tomé propõem encontro entre todos os partidos para superar crise

Os antigos presidentes de São Tomé e Príncipe Miguel Trovoada e Pinto da Costa apelaram hoje à serenidade, face à “tensão política e social reinante”, e propuseram um encontro entre todos os partidos que participaram nas eleições legislativas.

Num comunicado divulgado hoje em São Tomé, os dois antigos presidentes e também o antigo presidente da Assembleia Nacional Leonel Mário d’Alva afirmam-se “profundamente preocupados com o elevado nível de tensão política e crispação social que se instalou no país”, após as legislativas, autárquicas e regional do Príncipe de 07 de outubro, “com a ocorrência de episódios de uma rara violência nunca antes registados na história” desta “jovem democracia”.

Para estes políticos históricos, “a persistência desse clima apresenta riscos de agravamento, com consequências imprevisíveis e incontroláveis, suscetíveis de pôr em causa a coesão social, a segurança das pessoas e dos seus bens, assim como a boa imagem de São Tomé e Príncipe no plano internacional”.

“Urge que os ânimos serenem e que a razão e o bom-senso se sobreponham às paixões partidárias”, defendem.

Sobre os confrontos que ocorreram na segunda-feira passada, numa manifestação que contestava o apuramento dos votos nulos e brancos na comissão eleitoral do distrito de Água Grande, em São Tomé, lamentam “tais atos de violência e de destruição, contrários às tradições ancestrais da cultura de paz do povo são-tomense”.

Os antigos responsáveis exortam os políticos “de todos os quadrantes a absterem-se de proferir declarações que possam incitar à violência e conduzir ao agravamento da tensão política e social reinante”.

No comunicado, convidam “as formações políticas que participaram nas eleições para um encontro em busca de uma saída pra a atual crise” e pedem que todos aguardem “serenamente a proclamação dos resultados definitivos” do escrutínio, pela entidade competente – espera-se para esta semana que o Tribunal Constitucional divulgue os dados oficiais das legislativas.

Os antigos políticos pedem que “todos os atos relativos ao apuramento dos resultados eleitorais sejam efetuados no estrito cumprimento da Constituição e das leis”.

Por outro lado, apelam para que se pare de divulgar “informações falsas e manipuladoras da opinião pública, nomeadamente nas redes sociais”.

Exprimem ainda “o desejo de que o processo de formação do próximo Governo decorra com toda a normalidade, no respeito da lei e na salvaguarda da estabilidade política”.

Por fim, os políticos felicitam a população “pela forma maciça, ordeira e pacífica como participou no processo eleitoral”, que registou uma abstenção de 19,35%.

Miguel Trovoada, pai do atual chefe do Governo, Patrice Trovoada, foi primeiro-ministro entre 1975 e 1979 e Presidente da República entre 1991 e 2001, e pertence à Ação Democrática Independente (ADI).

Pinto da Costa, antigo membro do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), foi Presidente entre 1975 e 1991 e de 2011 a 2016. Mário d’Alva foi primeiro-ministro num governo de transição (1974/75) e presidente da Assembleia Nacional entre 1975 e 1980, pertencendo ao Partido da Convergência Democrática (PCD).

Segundo os resultados provisórios, a ADI venceu as eleições legislativas com maioria simples, alcançando 25 dos 55 lugares na Assembleia Nacional, seguida do MLSTP, com 23 deputados eleitos.

A coligação opositora, formada pelo PCD-UDD-MDFM, conseguiu cinco deputados, e foram ainda eleitos dois deputados independentes pelo distrito de Caué.

A oposição, que consegue, em conjunto, 28 lugares no parlamento, reclamou maioria absoluta, mas o primeiro-ministro disse esperar que o Presidente da República, Evaristo Carvalho, chame a ADI para formar Governo.

Na segunda-feira, centenas de pessoas manifestaram-se na capital, junto à sede da comissão eleitoral do distrito de Água Grande, afirmando recear a alteração de votos a favor do partido no poder, quando uma juíza procedia a uma verificação dos votos nulos e brancos, que a oposição disse ser ilegal.

A manifestação acabou por originar violência, com o carro da juíza a ser vandalizado e incendiado, obrigando à intervenção dos polícias de Estado (conhecidos como ‘ninjas’), que dispersaram as pessoas com tiros disparados para o ar, gás lacrimogéneo e granadas de fumo.

“Espero que as pessoas tenham calma e que os agentes políticos ponham os interesses políticos acima dos interesses pessoais e, de facto, olhem para este país com perspetivas de futuro e evitando estas situações de violência, que não levam a nada”, pediu.

Na quinta-feira, a Polícia Nacional proibiu as manifestações até 72 horas após o anúncio dos resultados definitivos, pelo Tribunal Constitucional, das eleições.

JH/MYB // VM

By Impala News / Lusa


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