Contracepção feminina: a criar mulheres mais livres há mais de 50 anos

No Dia Internacional da Mulher, o Portal de Notícias celebra a independência e os benefícios que a contracepção trouxe a toda a população feminina. Saiba tudo sobre um dos pormenores que mais mudou o quotidiano das mulheres

Contracepção feminina: a criar mulheres mais livres há mais de 50 anos

No Dia Internacional da Mulher, o Portal de Notícias celebra a independência e os benefícios que a contracepção trouxe a toda a população feminina. Saiba tudo sobre um dos pormenores que mais mudou o quotidiano das mulheres

A contracepção existe há milhares de anos. No dia da Mulher, o nosso site foi falar com dois especialistas que nos explicaram melhor os meandros da contracepção feminina. Gregos e egípcios foram os pioneiros a controlar a natalidade com métodos como o coito interrompido ou o cálculo dos picos de fertilidade da mulher, durante o ciclo. No entanto foi com a chegada da contracepção hormonal feminina que as mulheres deixaram de estar “dependentes da colaboração ou consentimento do parceiro, em relação ao controlo da natalidade”, explica-nos o sexólogo Fernando Mesquita.

Apesar de o preservativo ter permitido a muitos casais iniciar um planeamento familiar, foi só em 1960 que a pílula representou uma verdadeira liberdade para as mulheres. A contracepção hormonal feminina permitiu que as mulheres usufruíssem da sua sexualidade doutra forma, que planeassem sozinhas quando é que querem ter filhos e, consequentemente, alavancou a entrada das mulheres no mercado de trabalho em (suposta) igualdade com os homens.

Desta forma, a intimidade tornou-se mais democrática e igualitária. Os parceiros podem entregar-se sem que existam preocupações, como pano de fundo”, acrescentou o psicólogo clínico e sexólogo.

O uso da contracepção em jovens e mulheres

Hoje em dia, estima-se que 70% das adolescentes portuguesas tenham educação sexual,  verificando-se que este grupo de mulheres valoriza “mais a importância do uso do preservativo em associação com outros métodos contraceptivos (dupla protecção)”, garantiu a ginecologista Filomena Sousa.

Também o facto de as jovens terem uma relação mais próxima com a Internet, do que as mulheres maduras , explica por que é que também as adolescentes portuguesas apresentam comportamentos mais responsáveis no que diz respeito à contracepção feminina.

“Aproximadamente, 60% das mulheres com mais de 30 anos usa algum método contraceptivo”, afirmou o Fernando Mesquita.

Mitos, escolhas e tendências

Com a evolução da medicina, a contracepção feminina passou a poder ser utilizada para muito mais do que apenas controlo da natalidade. Nos dias de hoje, é frequente mulheres recorrem a métodos de contracepção – sobretudo os hormonais – para, por exemplo, diminuírem para metade o risco de uma doença inflamatória pélvica,  evitarem o risco de desenvolvimento de quistos nos ovários, reduzirem o fluxo menstrual ou aliviarem a dor associada à menstruação. “Algumas pílulas são usadas para tratamento de problemas hormonais, melhorando acne e hirsutismo”, adiantou Filomena Sousa.

No entanto, devemos ter em conta que vivemos numa sociedade multi-cultural e que, para além de casais cristãos que recusam a utilização de qualquer meio de contracepção, existem também pessoas cuja cultura valoriza a fertilidade, pelo que a contracepção não representa uma opção. Mas crenças religiosas à parte, algumas mulheres escolhem não adoptar nenhum método de contracepção hormonal simplesmente por não querem aumentar de peso ou ainda porque acreditam que a contracepção pode levar a problemas de infertilidade ou doenças cancerígenas.

Cada vez se reconhecem mais vantagens da contracepção de longa duração, como os dispositivos intra-uterinos e os implantes subcutâneos, pela maior eficácia e menor risco para a saúde das mulheres. A utilização de dispositivos intra-uterinos em mulheres sem filhos tem vindo a ser desmistificada”, disse Filomena Sousa, ginecologista da Maternidade Alfredo da Costa.

Importa ainda referir que a maior parte dos métodos contraceptivos, como o coito interrompido, o diafragma, o DIU, a pílula, a laqueação de trompas e a vasectomia não tem qualquer efeito contra as DST (doenças sexualmente transmissíveis). Nunca será demasiado frisar que é importante que as mulheres recorram a uma protecção dupla, nomeadamente, utilizando os métodos referidos, que permitem que não ocorra uma gravidez não desejada, mais a utilização do preservativo masculino ou feminino que protegem contra a transmissão de doenças.

Texto: Mafalda Tello Silva

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