Simone de Oliveira relata cenas de violência: «Batia-me, dizia-me que eu era maluca»

O primeiro casamento de Simone de Oliveira durou apenas três meses. Vítima de violência doméstica, a consagrada artista disse «basta» quando a mãe ficou gravemente doente.

Simone de Oliveira relata cenas de violência: «Batia-me, dizia-me que eu era maluca»

O primeiro casamento de Simone de Oliveira durou apenas três meses. Vítima de violência doméstica, a consagrada artista disse «basta» quando a mãe ficou gravemente doente.

Conhecida pela resposta pronta, Simone de Oliveira não desiludiu na entrevista concedida a Fátima Lopes, para o programa Conta-me Como És, emitida, este sábado, dia 22 de junho, pela TVI.

Durante a conversa, a consagrada artista recordou o seu primeiro casamento. Simone «era muito miúda», tinha apenas 19 anos e, confessa agora, «não estava preparada» para trocar juras de amor eterno com o homem que viria a exercer sobre si violência doméstica.

«Fugi. […] Achava que aquilo não era estar casada e ser feliz. Foi um disparate. […] Eu dizia assim: ‘Eu não quero isto! Eu não sou capaz de viver com isto’», recorda a intérprete de êxitos como Sol de Inverno e Desfolhada, com os quais representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção de 1965 e 1969, respetivamente.

De que tipo de episódios de violência sofreu? Simone elucida: «Batia-me, dizia-me que eu era maluca, dizia-me que eu não servia para nada… Nem para ser mulher da má vida. Por exemplo: eu, que gostava de ouvir música, abria o rádio mas, duas ou três horas antes de ele chegar, fechava-o. Ele passava a mão por cima do rádio, percebia que estava morno e pumba.»

 

«Matava-o. Pode ter a certeza»

 

O casamento acabou por durar apenas três meses. «Disse-lhe: ‘Ou abres a porta para eu sair, ou eu salto pela varanda’. E saltava. Pode ter a certeza de que saltava. A única coisa de que me lembro – há um buraco negro muito grande [na minha memória] – era de ter uma moeda de 25 tostões numa mão, que era o que custava o bilhete da Amadora para Lisboa. Não tinha mais nada. Lembro-me perfeitamente de comprar o bilhete, com uma senhora do outro lado, e já não me lembro de entrar no comboio. E já não me lembro de ter chegado a casa dos meus pais, que era em Alvalade. Como é que eu fui lá parar? Não sei.»

«Só me lembro de estar no quarto dos meus pais, de me sentar numa cadeira e de contar a história toda. E a minha mãe [a cair] para o chão», continua. A mãe ficou gravemente doente e Simone de Oliveira não mais voltou para os braços do então marido: «O senhor telefonou-me a convidar-me para ir ao cinema. Disse-lhe: ‘Ouve uma coisa que te vou dizer: se a minha mãe morrer agora, eu mato-te!’.»

Simone conta que o homem «percebeu que estava a falar a verdade e afastou-se» de si. «Matava-o. Pode ter a certeza», afirma a decana, hoje com 81 anos, no tom sério e grave que a caracteriza.

De uma relação posterior, Simone é mãe de Maria Eduarda e António Pedro. A relação com o consagrado ator Varela Silva, falecido em 1995, vítima de doença prolongada, foi a última que se lhe conheceu. Durou 23 anos.

 

Texto: Dúlio Silva | Fotografias: Impala e reprodução redes sociais

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