Veja como estão os cães maltratados por João Moura

A homenagem a João Moura marcada para esta quinta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa, está a gerar revolta. A associação que ficou com os animais maltratados junta-se à indignação.

Veja como estão os cães maltratados por João Moura

A homenagem a João Moura marcada para esta quinta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa, está a gerar revolta. A associação que ficou com os animais maltratados junta-se à indignação.

João Moura foi acusado de maus tratos a animais depois de, em fevereiro do ano passado, terem sido encontrados e resgatados da sua herdade em Monforte 18 cães da raça Galgo subnutridos. A preparação de uma homenagem ao cavaleiro, agendada para esta quinta-feira, 26 de agosto, no Campo Pequeno, em Lisboa, está a gerar revolta.

Além do IRA – Intervenção Resgate Animal, que se encontra a organizar uma manifestação contra o evento, também a associação de proteção de animais O Cantinho da Milú, que, naquela altura, cuidou dos cães de João Moura após serem resgatados, veio a público mostrar a sua indignação.

João Moura “ainda terá que responder pelas atrocidades que cometeu”

“O Cantinho da Milu, perante a anunciada homenagem ao João Moura, no próximo dia 26 de agosto de 2021, tem que manifestar a sua total indignação. Para quem lida diariamente com muitos outros casos de negligência, maus-tratos e abandono, esta homenagem nada mais é do que uma séria afronta e ofensa. Todos nos sentimos revoltados perante o despropósito de elogiar alguém que ainda terá que responder pelas atrocidades que cometeu”, lê-se numa publicação feita pela associação nas suas redes sociais.

E prossegue: “Todos nos questionamos sobre o exemplo que está a ser dado à nossa sociedade, quando observamos que este e outros casos ficarão impunes e com arrogância se despreza o trabalho feito para corrigir o mal praticado. Este caso em particular revolta todos aqueles que nos ajudaram e apoiaram, pois acompanharam todo o esforço feito na recuperação destes animais, e até agora não viram serem responsabilizados os autores de tamanha crueldade. Assim, julgamos que qualquer manifestação de repúdio e indignação é essencial para que possamos exigir justiça para estes e muitos outros animais”.

A acompanhar, O Cantinho da Milú partilhou imagens de como estão alguns dos cães que pertenciam a João Moura, revelando ainda os seus nomes: “O Anubis, Evita, Pita, Red Nose, Ganesha, Holly, Nola, Phoenix e Ferdinand são hoje cães muito felizes. Recordemos em que estado chegaram ao Cantinho da Milu em 20 de fevereiro de 2020…”.

IRA organiza manifestação contra homenagem ao cavaleiro

O IRA deverá marcar presença na homenagem ao cavaleiro. “Como há portugueses que não têm vergonha na cara e ainda gozam com os direitos e o bem-estar dos animais, dia 26 de agosto estaremos na praça do Campo Pequeno com fotografias dos galgos esqueléticos que o João Moura quase matou à fome”, lê-se na descrição do grupo de Facebook intitulado “Contra homenagem a João Moura”.

“Quase 50 galgos não perderam a vida graças a uma patrulha da GNR de Monforte, sendo que 18 dos quais tiveram de ser imediatamente transportados para tratamentos veterinários. Quem quiser juntar-se aos elementos do IRA e mostrar que Portugal não tem lugar para este tipo de criminosos ou eventos de merd*, apareça! Faremos questão de estarmos bem visíveis no local!”, termina. Há mais de dez mil pessoas interessadas em comparecer e mais de duas mil confirmaram presença.

Também o PAN lamentou a realização de uma homenagem a João Moura. “Já é difícil compreender que se homenageie alguém que tem por actividade torturar um animal, mais ainda quando é do conhecimento público que deixou os seus cães morrer à fome”, escreveu Inês de Sousa Real, porta-voz do partido, nas redes sociais.

“No cartaz encontramos ainda o nome do seu filho, João Moura Jr., que também ficou conhecido pelas imagens que mostravam os seus cães a atacar um touro. Esta prática abjeta foi abolida na Inglaterra em 1835 e é conhecida como ‘bull-bating’. Consiste em atiçar cães para esfacelarem bovinos vivos”, lamenta ainda Inês Sousa Real.

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: Reprodução Instagram

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